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O
termo
competência está na ordem do dia do debate educacional no Brasil, mas o
conceito não é novo. Sempre que dizemos o que um aluno deve aprender e o
que ele deve fazer com o que aprendeu, estamos nos referindo a uma
competência. Há muito tempo, professores perseguem a constituição de
competências nos alunos porque é um objetivo do ensino propiciar mudanças
que caracterizem desenvolvimento, seja ele cognitivo, afetivo ou social.
Para mais bem compreender o que é competência, podemos destacar algumas de
suas características.
1- Competência
é a capacidade de mobilizar conhecimentos, valores e decisões para agir de
modo pertinente numa determinada situação. Portanto, para constatá-la, há
que considerar também os conhecimentos e valores que estão na pessoa e nem
sempre podem ser observados.
2-
Competências e habilidades pertencem à mesma família. A diferença entre
elas é determinada pelo contexto. Uma habilidade, num determinado
contexto, pode ser uma competência, por envolver outras subabilidades mais
específicas. Por exemplo: a competência de resolução de problemas envolve
diferentes habilidades — entre elas a de buscar e processar informação.
Mas a habilidade de processar informações, em si, envolve habilidades mais
específicas, como leitura de gráficos, cálculos etc. Logo, dependendo do
contexto em que está sendo considerada, a competência pode ser uma
habilidade. Ou vice-versa.
3- Para
ser competentes, precisamos dominar conhecimentos. Mas também devemos
saber mobilizá-los e aplicá-los de modo pertinente à situação. Tal decisão
significa vontade, escolha e, portanto, valores. E essa é a dimensão ética
da competência. Que também se aprende, que também é aprendida.
4- A
capacidade de tomar decisões e a experiência estão estreitamente
relacionadas na operação de uma competência. Tomar uma decisão, muitas
vezes, implica certo grau de improvisação, mas uma improvisação orientada
pela experiência. Não é por outro motivo que um piloto treina centenas de
horas de vôo antes de ser considerado apto a comandar um Boeing. É essa
experiência que dá ao piloto condições de tomar uma decisão pertinente.
Em resumo: a
competência só pode ser constituída na prática. Não é só o saber, mas o
saber fazer. Aprende-se fazendo, numa situação que requeira esse fazer
determinado. Esse princípio é crucial para a educação. Se quisermos
desenvolver competências em nossos alunos, teremos de ir além do ensino
para memorização de conceitos abstratos e fora de contexto. É preciso que
eles aprendam para que serve o conhecimento, quando e como aplicá-lo. Isso
é competência.
Fonte:
http://novaescola.abril.com.br/
Edição Nº 160 -Março de 2003
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