Uma
vida inteira dedicada à escola
Anísio
Spínola Teixeira nasceu em Caetité (BA), em 12 de julho de 1900, numa
família de fazendeiros. Estudou em colégios jesuítas em Caetité e em
Salvador. Em 1922, formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais, no Rio de
Janeiro.
Com apenas 24 anos, foi nomeado inspetor geral de Ensino do Estado da Bahia.
Em 1928, estudou na Universidade de Columbia, em Nova York, onde conheceu o
pedagogo John Dewey.
Em 1931, foi nomeado secretário de Educação do Rio. Em sua gestão, criou uma
rede municipal de ensino completa, que ia da escola primária à universidade.
Em abril de 1935, completou a montagem da rede de ensino do Rio com a
criação da Universidade do Distrito Federal (UDF). Ao lado da Universidade
de São Paulo (USP), inaugurada no ano seguinte, a UDF mudou o ensino
superior brasileiro, mas ela foi extinta em 1939, durante o Estado Novo.
Em 1935, perseguido pelo governo de Getúlio Vargas, Anísio refugiou-se em
sua cidade natal, onde viveu até 1945. Nesse período, não atuou na área
educacional e se tornou empresário.
Em 1946, ele assumiu o cargo de conselheiro da Organização das Nações Unidas
para Educação, Ciência e Cultura (Unesco). No ano seguinte, com o fim do
Estado Novo, voltou ao Brasil e novamente tomou posse da Secretaria de
Educação de seu Estado. Nessa gestão, criou, em 1950, o Centro Educacional
Carneiro Ribeiro, em Salvador, a Escola Parque.
Em 1951, assumiu o cargo de secretário-geral da Campanha de Aperfeiçoamento
do Pessoal do Ensino Superior (Capes) e, no ano seguinte, o de diretor do
Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (Inep), onde ficou até 1964.
Anísio foi um dos idealizadores da Universidade de Brasília (UnB), fundada
em 1961. Ele entregou a Darcy Ribeiro, que considerava como seu sucessor, a
condução do projeto da universidade. Em 1963, tornou-se reitor da UnB. Com o
golpe de 1964, acabou afastado do cargo. Foi para os Estados Unidos,
lecionar nas universidades de Columbia e da Califórnia.
Voltou ao Brasil em 1965. Em 1966, tornou-se consultor da Fundação Getúlio
Vargas (FGV)
Morreu em 11 de março de 1971, de modo misterioso. Seu corpo foi encontrado
no poço do elevador de um edifício no começo da Avenida Rui Barbosa, no Rio.
A polícia considerou a morte acidental, mas a família do educador suspeita
de que ele possa ter sido vítima da repressão do governo do general Emílio
Garrastazu Medici.
Fonte: Matéria de Adriana
Vera e Silva
Revista Nova Escola - Edição Agosto- 1998
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