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As crianças em idade pré-escolar são os seres
humanos com a maior qualificação para aproveitar de plenamente os benefícios do uso do
computador.
Se colocarmos um adulto e uma criança frente a um computador, sem que nenhum
deles tenha tido qualquer contato anterior com a máquina, passando a explicar e
demonstrar praticamente a utilização da mesma e de um programa específico, em mais ou
menos meia hora, a criança se mostrará familiarizada com o computador e o aplicativo
(logicamente adequado a seu nível), evidenciando uma atitude de confiança e segurança
frente ao equipamento. Enquanto isso, o adulto, podem ter certeza, estará apenas
tratando de familiarizar-se com a idéia de as vezes usar o teclado, as vezes o mouse,
pensando em quando deve fazê-lo, além de demonstrar uma atitude de insegurança, como
que temendo estragar, ou desmontar alguma coisa.
Para a criança trata-se de uma característica natural, ou seja,
trata-se de outra atividade lúdica, outro objeto interessante para manipular,
explorar e projetar seu interesse em pela descoberta.
Já, os adultos, trazem consigo uma carga de experiências negativas
adquiridas ao longo da vida, que acarretam a necessidade do fazer certo, evitar o erro. É
por isso que precisam de horas de capacitação , apenas para recuperar a confiança e
acharem que tornaram-se capazes.
Deste modo, as crianças não precisam de cursos de capacitação ( na
verdade para adquirir confiança, no caso dos adultos) para familiarizarem-se com o
equipamento, podendo aprender seu uso com facilidade a partir de atividades que explorem o
gosto pela descoberta, usando temas de interesse próprios dessa faixa etária, tão bem
conhecidos de nossos professores ao preparar-lhes exercícios para sala de aula.
Estarão aprendendo a usar o computador, sem ter aulas de informática,
concomitantemente com a realização de atividades significativas para elas.

Nosso papel é fundamental
Devemos então criar um ambiente que reúna os elementos de
motivação das crianças e utilizá-los em atividades de preparo para a leitura, para os
números, conceitos de lógica que envolvem seriação, classificação, ordenação etc.
Estaremos ao lado do aluno, acompanhando seu desenvolvimento, intervindo para levantar
problemas que levem-no a formular hipóteses sempre que necessário.
Segundo minha experiência, em um laboratório de informática, é
preferível colocar duas crianças em cada computador, motivando-os a trabalhar em equipe
na resolução dos problemas, aprendendo a expressar seus próprios pontos de vista na
relação com o outro.
Programas a serem utilizados 
Precisamos estar cientes que o uso do computador é útil para a
realização de determinadas atividades, ou seja, quando aquilo que for ser feito
através dele, não possa ser melhor realizado por outros meios.
Nada pode substituir a manipulação concreta dos objetos, a exploração e
observação do ambiente físico e social, do corpo, da linguagem oral, do jogo, da
vivência de experiências reais e as interações daí decorrentes .
Daí advém a importância dos softwares escolhidos e o tipo de atividades
por eles propostas, as quais devem apresentar situações apropriadas para serem
trabalhadas neste tipo de mídia. Devem auxiliar as crianças na
compreensão de conceitos, colocando novos desafios e questionamentos.
Devemos levar em conta pelo menos os seguintes aspectos:
-que o conteúdo e as habilidades necessárias para o uso estejam de acordo com o
nível de interesse das crianças;
-que os conceitos apresentados sejam corretos e completos, haja vista que alguns
softwares ditos educativos e divertidos, enfatizam muito mais o jogo, a apresentação
gráfica e sonora, do que o conteúdo e a exatidão dos conhecimentos;
-que apresentem níveis de dificuldades progressivas para motivar as crianças a desejarem
conhecer e aprender mais.
-que apresentem conceitos, simulações e situações problemas contextualizadas,
que possam sofrer transformações por parte das crianças, e não apenas a mera
fixação de exercícios, exaustivamente repetidos.
Professor pesquisador!!
Vemos que cabe ao professor um importante papel nesse processo, pois,
para realizar essas escolhas e intervenções, cada vez mais o professor tem que
conhecer muito do como as crianças aprendem e, mais ainda, como aprendem aquele
determinado conceito que se está pretendendo ensinar. As funções foram ampliadas: professor e pesquisador constante!
Vera Lúcia Camara F. Zacharias é mestre em
educação, pedagoga, com vasta experiência
na área educacional em geral, e na assessoria e capacitação de
profissionais das mais diversas áreas.
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