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A utilização de
recursos artísticos para auxiliar o desenvolvimento de conteúdos
escolares específicos vem-se expandindo cada vez mais, com o foco do
trabalho pedagógico na aprendizagem do aluno. Os cursos de formação
de professores procuram enfatizar atividades didáticas que
privilegiem a ação do aluno e, nesse sentido, atividades artísticas
são excelentes recursos, uma vez que a arte vem ocupando
significativo espaço na formação humana, desde o início das
civilizações até a atualidade.
Em decorrência,
cursos específicos de especialização em arteterapia são oferecidos
não apenas a professores, mas a profissionais que trabalhem em
diferentes contextos, a fim de que possam adicionar à sua prática o
uso terapêutico e profilático de recursos criativos, sejam
plásticos, poéticos, musicais, de expressão corporal... Nesse
sentido, não se trata de lançar mão da arte pela arte, ou da arte
apenas como recurso para facilitar a aprendizagem, mas sobretudo da
arte integrada a outros recursos expressivos, numa relação de ajuda.
Sabemos que a arte
é um elemento muito importante na vida de cada pessoa e que o
educador, de modo especial, pode munir-se, através da arte, de uma
riqueza inestimável de recursos que auxiliem sua tarefa educativa,
principalmente a partir do momento em que se conscientize de que
pode e é interessante que trabalhe, também, sua própria onipotência,
reestruturando a concepção de saber, que não se restringe ao
lógico-matemático, mas abarca todos os tipos de inteligência e lhe
possibilita a busca de diferentes maneiras de transmitir a mesma
mensagem, aproveitando todas as possibilidades que o repertório de
conhecimentos e emoções do aprendente/interlocutor traz.
Assim, com
lucidez, compromisso e responsabilidade, práticas e vivências são
utilizadas para trabalhar os bloqueios de aprendizagem e a
construção dos conceitos. Dessa forma, o docente não vai negar a
inteligência do outro, mas dispor-se a percebê-la, a identificar
qual canal prioritário é utilizado para conhecer o mundo,
analisá-lo, aprender. Vai valorizar o aprendente e apostar na sua
aprendizagem, investir na sua formação, utilizar a expressão
artística para estimulá-lo a exprimir, sem receios, sem censuras,
sem se importar com talento ou capacidade criativa, seus sentimentos
e emoções, fazendo, posteriormente, a interpretação do que pode
exprimir através da criação artística.
Docentes/Ensinantes já despertos para tais possibilidades refletem,
dirigem o olhar, também, para suas próprias vivências: analisam os
respectivos sentimentos, procedimentos, reações... procurando
enxergá-los com equilíbrio, pesando as adequações e inadequações,
flexibilizando, dando-se oportunidade de investir, falhar, acertar,
negociar... aceitando-se como seres em transformação, eternos
aprendizes que interagem com o aluno, ensinando e, ao mesmo tempo,
aprendendo. Nesse processo, se enriquecem e, utilizando o recurso da
arte como mediadora do diálogo interno, da visão de mundo, de
professor, de escola e de si mesmos se aperfeiçoam, ampliam a
própria visão e possibilidades, se embelezam.
Durante esse
processo amadurecem, revêem todo o conteúdo que desenvolvem em suas
aulas, analisam, refletem sobre os entraves encontrados, não como
vítimas do processo, mas como co-autores, e relativizam, quer seus
acertos, quer as falhas, percebendo que a ótica pela qual analisavam
o mundo era mais rígida e deixava de beneficiar seja a si mesmos ,
seja aos seus interlocutores. Interessando-se pela arteterapia,
utilizando seus recursos, estão flexibilizando e dando oportunidade
ao aparecimento de perspectivas que antes nem percebiam ou, quando
percebiam, desconsideravam.
Professor/Ensinante/Psicopedagogo/Arte
Terapeuta deve pesquisar constantemente, buscar fundamentação
teórica para embasar sua aprendizagem e seu trabalho, para poder
discriminar suas possibilidades de cooperação e complementaridade,
bem como contemplar um outro lado seu e perceber a transformação
pela qual está passando; perceber as vivências que lhe estão
permitindo trabalhar a auto-imagem, bem como a percepção de que é
positivo investir em comportamentos que não polarizem, mas ajudem a
relativizar e amadurecer.
É importante que
cada educador/arte terapeuta esteja desperto, atento à dinâmica da
escola como um todo e da sala de aula em particular, cônscio de que
é fundamental para o processo de identificação, valorizar
personagens com traços de sabedoria e perspicácia, que usem
estratégias para convencer os oponentes, vencendo pela sutileza e
não pela força física; ciente de que nenhum herói sozinho dá conta
de toda a diversidade, mas que, de acordo com a situação, cada uma
das forças heróicas (prazer, competição, força, sabedoria,
colaboração, complementaridade) deve ser resgatada/convocada, para
agir na superação dos obstáculos, na transformação e evolução da
própria atuação.
Nesse sentido as
atividades de arteterapia estimulam a desinibição, o
autoconhecimento, a criatividade, levando os participantes a uma
sensação de integração com o mundo que instiga à resolução de
conflitos pessoais, à melhoria do relacionamento social e
desenvolvimento harmônico da personalidade.
Finalmente, a
arteterapia pode ser utilizada como elo de interação entre os vários
campos do conhecimento, colaborando sobremaneira na construção da
interdisciplinaridade no âmbito da escola, elaborando a comunicação
entre as possibilidades e limites próprios da ciência e a expressiva
liberdade de criação da arte; fazendo ligações entre anseios gerados
pelo mundo atual com o mais remoto passado, enfim promovendo o
desenvolvimento do potencial humano através de situações que
favoreçam a leitura do mundo de maneira
ampla, rica e profunda.
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Joana
Maria Rodrigues Di Santo
é Psicopedagoga experiente, com atuação
significativa em Psicopedagogia Institucional, Supervisora aposentada do
Município de São Paulo, mestre em Educação, Professora
da Uni Sant`Anna, profere palestras e assessora diversas escolas. |
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