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Autismo:
saiba como lidar
Jornal
da AME
São Paulo-SP, 10/02/2003
As causas deste transtorno de
desenvolvimento ainda não foram descobertas
Facilmente confundido com
deficiência mental, o autismo é um transtorno do desenvolvimento que
geralmente está associado a outras deficiências. As causas ainda não foram
descobertas, mas, ao contrário do que se imagina, é possível evitá-lo.
Abaixo, destacamos alguns dos principais aspectos que envolvem o tema.
Confira.
O que é
A palavra "autismo", atualmente pode ser associada a
diversas síndromes, o que aumenta a possibilidade do autista ser
considerado portador de deficiência mental. É, na verdade, um transtorno
do desenvolvimento e quem o possui apresenta, em muitos quadros, quociente
de inteligência (QI) abaixo da média. É um transtorno sem fronteiras
geográficas e sociais, ou seja, ocorre no mundo inteiro e em todas as
classes sociais e econômicas.
Causa
Embora haja grupos de estudos e pesquisas no mundo inteiro,
ainda não foi detectada a causa do autismo.
Como reconhecer
Os sintomas variam amplamente e manifestam-se de
diversas formas, variando do mais leve ao mais alto comprometimento. Em
cooperação internacional, os especialistas concordaram em usar alguns
critérios de comportamento para diagnosticar o autismo. Atualmente há duas
publicações que descrevem os sintomas que levam ao diagnóstico da pessoa
autista. Uma é o Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios Mentais
(DSM-IV), da Associação Psiquiátrica Americana ; e a outra é a
Classificação Internacional de Doenças (CID-10), publicada pela
Organização Mundial de Saúde.
Conheça como se manifesta o
autismo:
Marcante lesão na interação social,
manifestada por:
- Diminuição no uso de
comportamentos não-verbais como contato ocular (evita olhar nos olhos do
interlocutor), expressão facial, postura corporal e gestos para interagir
socialmente.
- Dificuldade em desenvolver relações de companheirismo apropriadas.
- Ausência de procura espontânea em dividir satisfações, interesses ou
realizações com outras pessoas.
- Falta de reciprocidade social ou emocional (indiferença).
Marcante lesão na comunicação, manifestada por:
- Atraso ou ausência total de desenvolvimento da linguagem oral, sem
ocorrência de tentativas espontâneas de compensação através de modos
alternativos de comunicação, como gestos ou mímicas.
- Em pessoas com fala normal, diminuição da habilidade de iniciar ou
manter uma conversa com outras pessoas.
- Ausência de ações variadas de imitação social apropriadas para o nível
de desenvolvimento.
- Padrões restritos, repetitivos e estereotipados de comportamento,
interesses e atividades, manifestados por:
- Obsessão por atitudes ou objetos específicos.
- Fidelidade aparentemente inflexível a rotinas ou rituais específicos.
- Hábitos motores repetitivos, por exemplo, agitação ou torção das mãos ou
dedos e repetidos movimentos corporais.
Outras formas de reconhecer o autismo:
- Resistência ao aprendizado - Ausência de noção de perigo - Indicação de
necessidades com gestos - Resistência ao contato físico e a afetividade -
Hiperatividade física - Comptamentos agressivo e destrutivo
Atenção: Esses sintomas individuais não configuram o autismo. A combinação
de vários é que pode levar ao seu diagnóstico. Um especialista deve sempre
ser consultado para orientação e esclarecimento.
Tratamento
Não há cura para o autismo. A pessoa autista pode
ser tratada e desenvolver suas habilidades de uma forma mais intensiva do
que outra pessoa que não apresente o mesmo quadro e, então, assemelhar-se
muito a essa pessoa em alguns aspectos de seu comportamento. Porém, sempre
existirá dificuldade nas áreas atingidas pelo autismo, como comunicação e
interação social.
O autista pode desenvolver comunicação verbal, integração social,
alfabetização e outras habilidades, dependendo de seu grau de
comprometimento e da intensidade e adequação do tratamento que, em geral,
é realizado por equipe multidisciplinar nas áreas de Fonoaudiologia,
Psicologia, Educação Física, Musicoterapia, Psicopedagogia e outras.
AMA: esforço pela integração do
autista
Há, no Brasil, várias entidades que se
preocupam com a causa do autista. A mais conhecida e pioneira é a
Associação de Amigos do Autista (AMA), criada em 1983 por pais de pessoas
com autismo.
A AMA utiliza o Método Treatment and
Education for Autistic and Related Communication Handicapped Children (Teacch).
A coordenadora pedagógica da AMA, Marli Bonamimi Marques, afirma que esse
método visa revelar o potencial, habilidades, interesses e áreas de
comprometimento do autista. A partir disso, é desenvolvido ensino
individualizado construído sobre os pontos fortes, buscando alcançar vida
digna e independente.
A AMA atende atualmente a 43 crianças e
adolescentes. A construção de um centro de reabilitação foi iniciada em
agosto deste ano. A entidade espera oferecer 96 novas vagas, no início do
ano 2000. Conta atualmente com 450 associados, além da solidariedade de
artistas como Antônio Fagundes, que não possui filho autista, mas sempre
se disponibiliza gratuitamente para apoiar a entidade. Mais informações
sobre a AMA podem ser obtidas pelos telefones (11) 3272.8822 e 270.2363. |