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UM BOM PROFESSOR DEVE TER O DESEJO
DE EXERCER CADA VEZ MELHOR
A PROFISSÃO A QUE SE DEDICA.
ESTAR CIENTE DA
RESPONSABILIDADE QUE CARREGA,
AJUDANDO O ALUNO A FAZER SUAS
PRÓPRIAS DESCOBERTAS.
Nos dias de
hoje, o professor não é apenas aquele que transmite o conhecimento,
mas, sobretudo, aquele que subsidia o aluno no processo de
construção do saber. Para tanto, é imprescindível ser profissional
que domine não apenas o conteúdo de seu campo específico, mas também
a metodologia e a didática eficientes na missão de organizar o
acesso ao saber dos alunos. E não apenas o saber de determinadas
matérias, mas o saber da e para a vida; o saber ser gente, com
ética, dignidade, valorizando a vida, o meio ambiente, a cultura...
Em outras palavras, muito mais que transmitir conteúdos das matérias
curriculares organizadas/programadas para o desenvolvimento
intelectual da humanidade, é preciso ensinar a ser cidadão, mostrar
aos alunos seus deveres e seus direitos, subsidiando-os para que
saibam defendê-los. É preciso mostrar que existem deveres e que as
responsabilidades sociais devem ser cumpridas por cada um para que
todos vivam com dignidade. Assim, é importante que o professor
trabalhe valores, fazendo seu aluno perceber o outro;
perceber quem está a seu redor, formando crianças que saibam a
importância de respeitar, ouvir, ajudar e amar o próximo.
Cabe ao
professor observar a si próprio (autoconhecimento); olhar para o
mundo, olhar para si e sugerir que os alunos façam o mesmo e não
apenas ensinar regras, teorias, cálculos. Deve ser um mediador de
conhecimentos, utilizando sua situação privilegiada em sala de aula
não apenas para instruções formais, mas para despertar os alunos
para a curiosidade; ensiná-los a pensar, a ser persistentes, a ter
empatia com o próximo, a ser autores e não expectadores no palco da
existência. Ser amigo, saber ouvir, se colocar no lugar do outro.
Trabalhar com as mentes e os corações tem um valor inestimável, que
deve mobilizar o professor a questionar-se: Até que ponto o que eu
ensino vai servir para a vida de meus alunos? Vai colaborar para o
progresso da sociedade?
Sem dúvida, o
docente de hoje desempenha inúmeros papéis que são importantíssimos
para o desenvolvimento das futuras gerações, cabendo-lhe estimular a
solidariedade, a cooperação, a valorização individual e do grupo.
Deve, portanto, encarar com muita seriedade sua profissão; trabalhar
para esclarecer seus alunos e fazer com que eles reflitam sobre a
realidade em que vivem, “levando o estandarte da mudança e também um
batalhão disposto a lutar por seus ideais”. É fundamental que dê
exemplo de ética, humildade, cidadania; estando atento às
transformações do mundo e no seu país, na atualidade geral, na
realidade de seus alunos, ensinando-os a pensar, estimulando-os a
debater questões, dar opiniões sem impor e deixá-los livres para
darem as suas, como profissional em movimento permanente e
constante, que estuda, se aperfeiçoa, qualifica-se para exercer de
maneira cada vez melhor a profissão docente, procurando conhecer “o
quanto possível” particularmente cada um a que educa, com um novo
olhar sobre o processo de ensino e aprendizagem. Que use e
incentive os alunos a usar as novas tecnologias, acabando com a “decoreba”;
que estimule seus alunos a desenvolver o pensamento, a observação do
mundo, e que não dependa só dos livros para dar suas aulas, mas sim
que pesquise, corra atrás de assuntos que possam ser resolvidos em
aula, junto com os alunos, pois se queremos estudantes
participativos, que pensem, tenham autonomia, saibam trabalhar em
grupo, além de cumprirem suas tarefas com responsabilidade e
coerência, é preciso ensiná-los a serem assim.
Como
professor, sua primeira função é mostrar ao educando que ele é
apenas um mediador, uma ponte que pode ajudá-lo, com seu
consentimento, a atingir os seus próprios objetivos e encontrar o
seu próprio rumo. O docente pode trazer as situações do mundo para a
sala de aula e explorá-las, enriquecê-las paralelamente com a
matéria. Pode trabalhar questões difíceis de maneira divertida,
trocar experiências, ser muito mais que um professor para seus
alunos. Procurar trazer a família para dentro da escola. Criar
vínculos com a família, mostrando que todos fazem parte de uma mesma
sociedade. Considerar a vivência do aluno, seu dia-a-dia, suas
questões familiares, seu emprego, seu lazer...
Estar
preparado para imprevistos; manter-se equilibrado e seguro do que
está ensinando, transmitindo segurança para os alunos, observando e
descobrindo as potencialidades individuais para ajudar a
desenvolvê-las, respeitando-os como seres humanos únicos e, assim,
cada um com seu ritmo de aprendizagem; alguns com dificuldades
específicas, necessitando de ajuda para superá-las (inclusão).
Investir na eliminação de preconceitos, cargas de visões e atitudes
incorretas que nos impedem de enxergar com clareza o mundo... Ajudar
os alunos a aceitar as diferenças entre eles. Acreditar que todos
são capazes de aprender, cada um no seu próprio ritmo. Saber inovar,
criar; ser um profissional politizado para poder oferecer
alternativas para os educandos. Que desenvolva uma interação
criadora e dialética com os alunos, percebendo se estão entendendo o
assunto ou não. Que não cobre memorização de conteúdos e sim o
progresso de seu desenvolvimento. Que compartilhe, dialogue,
desenvolvendo as aulas em clima de interesse e harmonia, sem
renunciar à autoridade docente.
Finalmente, o educador dispõe da oportunidade de mudar,
disciplinar, criar, reconstruir, enriquecer a vida de seres humanos.
Para tanto, precisa superar sua onipotência, sua concepção de dono
do saber; de quem se esconde atrás de avaliações dificílimas e se
compraz em reprovar aluno. Há que ter bem claro que, se queremos um
adulto mais humano e consciente no futuro, precisamos investir na
formação da criança dos dias de hoje, que chega no espaço pedagógico
chamado escola pronta para possibilitar ao ensinante o
desenvolvimento de um trabalho de construção do saber e do
conhecimento sócio-politico-cultural.
Essa busca
pelo educador ideal pode parecer excessiva, pode parecer utópica,
sobretudo devido à desvalorização dos profissionais da educação como
agentes e mediadores de conhecimento que estamos vivenciando. No
entanto, quando Paulo Freire (1996) diz: “Me movo como educador,
porque primeiro me movo como gente”, acreditamos que o professor
pode levar os educandos a terem curiosidade de querer fazer, querer
aprender; que ainda está em tempo de nos desprendermos do
tradicionalismo arcaico e da quantificação da educação, a partir da
formação e valorização do professor, capaz de olhar uma mesma
situação de diversos ângulos e saber a hora certa de intervir e
reagir às dificuldades, mobilizando esforços para melhorar a
situação (e a sua própria situação), propiciando aos alunos momentos
que os levem a querer buscar o saber e, dessa forma,
possibilitando
que não sejam simplesmente os espectadores do processo de ensino e
aprendizagem, mas sim protagonistas conscientes e capazes,
vivenciando na sociedade as experiências significativas
desenvolvidas na sala de aula , esse espaço- vida do ensino.
Bibliografia:
FREIRE, P.
Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa. SP,
1996, Paz e Terra Coleção Leitura.
Joana Maria R.
Di Santo é pedagoga, mestre em educação, psicopedagoga, palestrante,
professora universitária, diretora do CRE.

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