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Nasci no final da década de 70. Durante minha
infância aguardei ansioso a chegada do ano 2000 e todos os
benefícios que sempre ouvia dizer e assistia nos filmes, seriados e
desenhos de que eu era fã, afinal, quando me tornasse adulto iria ao
trabalho pilotando um misto de carro com avião que cruzava a cidade
pelo alto, repleta de arranha-céus, ruas limpas, onde todos eram
muito bonitos (manipulação genética) e parecidos com funcionários do
sistema de saúde, pois se trajavam inteiramente de branco. Os
trabalhos “sujos” e rotineiros eram realizados por robôs de
aparência humanóide e super computadores do tamanho de salas.
Geradores Atômicos, a mais avançada tecnologia, iriam suprir
todas as nossas necessidades de energia e esperava-se viajar pelo
universo à velocidade da luz. Hoje, em 2006, vejo que estamos mais
próximos da ficção proposta pelo longa metragem Blad Runner, o
Caçador de Andróides do que de 2001, uma Odisséia no Espaço.
Deixando de lado a ficção e centrando-me na atual
realidade do planeta é possível enxergar que estamos passando por um
período sem precedentes nas esferas populacional, econômica e
ambiental, que formam o eixo central de nosso problema. E que os
rumos e as decisões que tomarmos hoje serão determinantes para a
qualidade de vida no mundo que estamos planejando para o futuro.
Hoje, muitas complicações são capazes literalmente de destruir o
mundo. Essas ameaças podem ser ambientais, sociais ou econômicas, na
verdade uma mistura delas. E variam do buraco na camada de ozônio,
que paira sobre nossas cabeças e causa câncer, matando nos oceanos o
fitoplâncton, base da cadeia alimentar de incontáveis seres, levando
à perda de boa parte de nossa já fragilizada biodiversidade, também
responsável pela captura de CO2 e repositória de quase
todo oxigênio que respiramos, até o medo da mais nova forma de
pandemia, a gripe aviária, que logo mais, em outubro, novembro, com
a chegada do inverno naquele hemisfério, aterrorizará o velho mundo.
Percebe-se, portanto, que muitas ações são capazes de debilitar o
frágil equilíbrio dessa ínfima parte do universo onde ocorrem as
interações do homem com o ambiente.
Decisões políticas tomadas hoje são determinantes
para o futuro sustentável do planeta. Elas devem seguir as
diretrizes e metas que vêm sendo traçadas desde a conferência de
Estocolmo para evitarmos que as gerações vindouras arquem com nossos
passivos, como ocorreu, e vem ocorrendo até hoje, por conta de nosso
modelo de desenvolvimento que, num estranho ritual, utiliza uma
espécie de energia solar armazenada nos corpos dos seres que
habitaram o planeta muito antes do surgimento do homem. Essa “pilha
pré-histórica”, na forma de gás, carvão e petróleo possibilitou que
o homem erguesse a atual civilização em ritmo tão frenético que em
1800 atingimos nosso primeiro bilhão de habitantes, o segundo bilhão
só seria acrescentado em 1930. Em 2006 somos 6.5 bi, e as melhores
expectativas dão conta de que seremos 9 bi em 2050.
Principalmente após a revolução industrial o homem
passou a agir no meio de forma mais agressiva. Com o crescimento
sustentado pela queima de combustíveis fósseis continuamos até hoje
a lançar na atmosfera milhões de toneladas de CO2 ao ano,
contribuindo para aumentar o efeito estufa e suas trágicas
conseqüências. Um ponto positivo no combate ao aquecimento global
foi a assinatura do protocolo de Kyoto que estipulou como meta para
os países desenvolvidos reduzir suas emissões aos níveis registrados
em 1990, entre 2008-2012. Entretanto, ainda se emite CO2
em quantidades muito maiores do que a capacidade do planeta em
absorvê-lo, os prazos estipulados são longos e as reduções pouco
significativas. É esperado um acréscimo entre 2 e 6 °C para os
próximos 100 anos e seus efeitos serão certamente catastróficos para
a humanidade.
Mesmo com a ameaça de colapso total do sistema,
parece que as autoridades globais ainda não atentaram para a
gravidade do problema e não o tratam com a seriedade necessária. As
chamadas energias limpas ou renováveis, embora tenham dado um grande
salto tecnológico nos últimos anos, ainda são preteridas por
tecnologias já consagradas e mais poluidoras.
Pela emergência da situação muito mais deveria estar
sendo feito em favor da redução da emissão de gases estufa e de
outros tantos problemas. Não parece que se discute o futuro do
planeta e do ser humano. O tempo urge. A essa velocidade
conseguiremos estabilizar a situação do globo antes do colapso?
Fernando Amaral Rodrigues é licenciado em Biologia
e está cursando o MBA em Gestão Estratégica em Meio Ambiente, no
Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), USP.
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