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Muito
se discute sobre os eventuais benefícios ou malefícios às
crianças e adolescentes decorrentes do uso da Internet. No
Brasil, a preocupação justifica-se pelo número crescente de
acesso destes jovens à rede mundial de computadores. Embora não
se tenham dados estatísticos sobre o acesso desta camada da
população brasileira, acredita-se que eles sejam responsáveis
pela maioria dos acessos à rede mundial de computadores. Dados
recentes demonstram que mais de 20 milhões de pessoas acessam
diariamente a Internet com os mais variados interesses e
necessidades, uma vez que ela acabou se tornando a intermediária
de relações pessoais e comerciais.
Quando
a Internet é utilizada para obter-se informação com vistas à
pesquisa, estudos, conversas entre amigos, notadamente,
concluir-se-ia que ela é um bem. Mas, ainda assim, teríamos que
especular sobre a fonte de informação e com quem relacionam-se
esses jovens. Seria esta fonte segura? Seria esta fonte capaz de
prover informações confiáveis para contribuir com o processo
educacional? Seriam esses relacionamentos estabelecidos com
pessoas confiáveis? Logicamente, estas preocupações demonstram a
necessidade de julgamento não somente segundo juízos de valor,
mas também segundo critérios objetivos que poderiam avaliá-las
sob o ponto de vista científico dentro da área de interesse em
questão, ou quando não, quem são as pessoas com as quais se
relacionam os jovens ao navegar na rede. Disso decorre uma outra
pergunta. Teriam as crianças e adolescentes discernimento para
julgá-las? Provavelmente, não. É sabido que nesta idade esses
jovens ainda são carentes de educação para a vida, ou seja,
dependem de orientação para guiarem-se no enfrentamento das
próprias realidades ainda conflituosas em relação ao mundo que
as rodeiam. Sem acompanhamento de adultos – pais ou
responsáveis, educadores, etc – a Internet pode ser um mal.
Embora
com relativo controle, estão presentes na Internet conteúdos
indignos e dignos. A pornografia, a invasão de privacidade,
blogs que incitam a violência e cultuam valores duvidosos,
inclusive racismos, convivem com outros cujos propósitos ou são
nobres, ou pelo menos se enquadram dentro dos limites da
normalidade. Nos sites de relacionamento, os conteúdos
são criados pelas próprias pessoas que se comunicam. Se elas são
capazes de criar os seus próprios conteúdos e são partícipes de
um diálogo comum é porque ali convergem suas necessidades e
interesses. Mas, se estiverem ali pessoas adultas induzindo
crianças e adolescentes a praticarem ações que as possam
violentar, moral ou fisicamente, nada será detectado até que se
consume o mal intentado, colocando-as como vítimas de pessoas
inescrupulosas. As pessoas adultas, pais ou responsáveis, têm o
dever moral de se colocarem próximas a esses jovens a fim de
estabelecer limites e disciplina por meio do diálogo franco
demonstrando as razões de suas preocupações com as
potencialidades da Internet.
Estas
preocupações não teriam razão de existir se não houvesse
notícias de casos de ofensa às crianças e adolescentes. Mas, o
que se vê e o que mais se ouve, são os impactos negativos pelo
mau uso da rede, capaz de deturpar valores e viciar
comportamentos com prejuízos à própria pessoa quando incapaz de
discernir sobre o valor das ações e dos conteúdos presentes na
Internet.
Na
verdade, a Internet pode representar tanto um bem como também um
mal. Existe um ditado popular que diz que a dose é a distância
que separa o remédio do veneno. Esta analogia também é cabível
para a Internet, especialmente em relação às crianças e aos
adolescentes, onde a dose do uso da Internet deverá ser
prescrita e ministrada por pais ou responsáveis.
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