|
AACD - CURSO PÓS-GRADUAÇÃO
LATO SENSU SP 04/11/2004
DISCIPLINA VII – DEFICIÊNCIA VISUAL / AVALIAÇÃO
Aluno:
Giuliano Tadeu Di Santo
A)
Descreva em uma página as dificuldades básicas fundamentais que
surgem no estudo das pessoas com deficiência visual; cegas e com
baixa visão.
Num passado
remoto, pessoas com deficiência visual, sejam crianças, jovens,
adultos ou idosos, eram tidas como fardos para a sociedade, que lhes
negava o direito à vida.Tal situação se modifica no contexto
religioso da Idade Média, que não mais os sacrifica, mas também não
os aceita no convívio social.
Mudança
significativa ocorre no século XIX, mais especificamente em 1825,
quando Louis Braille possibilitou o acesso dos cegos de todo o mundo
à educação e à cultura. De lá para cá muito progresso tem sido
alcançado no estudo das pessoas com deficiência visual, desde serem
tratadas não mais como doentes (conceito médico), até a
possibilidade da inclusão.
Atualmente, há
uma legislação específica que ampara os portadores de necessidades
especiais e procura concretizar o ideal de uma escola para todos.
Assim, alunos com deficiência podem estudar em escolas regulares,
nas quais os profissionais procurarão empregar técnicas de ensino
que favoreçam o desenvolvimento social desses indivíduos, evitando
seu isolamento psicológico.
A possibilidade
legal é um grande ganho, mas a lei em si não garante a inclusão.
Dificuldades básicas fundamentais existem e precisam ser enfrentadas
com compromisso, competência e coragem, pelos profissionais que se
dedicam ao atendimento de pessoas com deficiência visual.
Destacamos, a seguir, algumas dessas dificuldades:
1- conquistar a confiança do paciente com deficiência
visual e seus familiares; auxiliando-os a vencer preconceitos e a
evitar a superproteção;
2- nas formas de prevenção e tratamento de doenças
oculares, como tracoma infantil;
3- estimular a descoberta, conhecimento, domínio e
relacionamento do corpo do paciente com o ambiente e com as pessoas,
a fim de que se motive para a ação motora;
4- em definir qual o melhor recurso a ser utilizado com
aquele paciente, de acordo com a natureza, a extensão e o tipo de
problema encontrado no sistema visual, uma vez que pode haver
distúrbios associados, como neuropatias;
5- desenvolver o treinamento de marcha do paciente em
diferentes terrenos, com o uso do dispositivo da bengala que lhe dá
suporte no equilíbrio, locomoção motora, noção de espaço e
lateralidade, evitando a ocorrência de quedas constantes;
6- promover o aprimoramento dos demais sentidos (tato,
olfato, paladar, audição);
7- na obtenção de recursos para tratamento, como
computadores adaptados para o deficiente visual, lupas telescópicas,
óculos com lentes especiais, etc;
8- encaminhamento para escolas regulares, onde há escassez
de profissionais habilitados para trabalhar com os deficientes
visuais, bem como recursos adequados;
9- no ensino e aprendizagem do método Braille e do Soroban;
10- na manutenção das atividades de vida diária do
deficiente visual.
B)
A) Descreva em uma página os objetivos a serem atingidos num
programa de reabilitação funcional /integral , para as pessoas com
deficiência visual
Objetivos são componentes
fundamentais de todo programa de reabilitação e possibilitam
reflexão e descrição dos resultados que desejamos alcançar com nosso
trabalho.
Precisamos conhecer nossos pacientes, iniciando com uma
anaminese bem detalhada, para termos condições de escolher os
procedimentos mais adequados ao caso e definir os objetivos do
tratamento, considerando sempre o ser humano como uma realidade
total, resultante da integração de seus aspectos físico,
psicológico, intelectual, social e moral.
Nesse sentido, os objetivos a serem atingidos num programa
de reabilitação funcional/integral, para pessoas com deficiência
visual são:
-
Melhorar a integridade física, mental, cultural,
intelectual, emocional, social da pessoa com deficiência visual
para que se restabeleça funcionalmente.
-
Procurar mostrar-lhe a necessidade de se descobrir e
explorar seu próprio corpo no meio ambiente e com as pessoas de
seu convívio.
-
Promover treino de equilíbrio e marcha para melhorar seu
ortostatismo e sua direcionabilidade.
-
Promover orientação espacial para que a pessoa com
deficiência visual tenha noção de direção e localização do seu
corpo no espaço.
-
Manter a postura ereta para impedir possíveis desvios
posturais, como hiperlordose, cifose ou escoliose.
-
Promover alongamento e fortalecimento de membro superior e
inferior para a introdução ao uso da bengala.
-
Promover treino de equilíbrio e marcha em diferentes
terrenos, possibilitando boa locomoção em diferentes áreas e
evitando quedas.
-
Melhorar a qualidade de vida desse paciente promovendo a
sua independência em alimentação, vestuário e higiene pessoal.
-
Ganhar mobilidade para que tenha locomoção harmoniosa e
segura.
-
Estimular o desenvolvimento de habilidades específicas como
informática, música, teatro, artes plásticas, etc.
-
Estimular o uso da escrita em Braille e do método Soroban
para o seu desenvolvimento intelectual, social e cultural, bem
como sua comunicação com as demais pessoas do mundo..
-
Promover a intervenção precoce para que as habilidades
sensoriais da criança com deficiência visual contribuam no seu
processo de desenvolvimento neuropsicomotor.
-
Promover atividades cotidianas para que a pessoa com
deficiência visual tenha uma vida mais prazerosa,
relacionando-se satisfatoriamente com o ambiente e as pessoas
com quem convive.
-
Estimular a integração dos pais e demais familiares com os
profissionais da equipe multidisciplinar visando incentivar
ainda mais o desempenho do paciente na sua reabilitação, com
vistas a conquistar, cada vez mais, autonomia e independência.
Giuliano Tadeu Di Santo é aluno do Curso de
Pós- Graduação Latu Sensu da AACD |