
A Dislexia em Sala de Aula
Você é o Autor
VICENTE MARTINS
E-mail:
vicente.martins@uol.com.br
Sumário
1.
Conceito de leitura
2.
As funções essenciais da leitura
3.
Os processos da capacidade leitora
4.
Fatores que influenciam a dislexia
5.
A dislexia como fracasso inesperado
6.
Bibliografia e webliografia básicas
Resumo:
Este texto tem por fim indicar os fatores que influenciam, na educação escolar,
aparição da dislexia como dificuldade inesperada do aprendizado da leitura
Palavras-chaves:
dislexia – leitura – Psicolingüística - fonologia
1.
CONCEITO DE LEITURA
São quatro as habilidades da
linguagem verbal: a leitura, a escrita, a fala e a escuta. Destas, a leitura é a
habilidade lingüística mais difícil e complexa. A leitura é dos um processo de
aquisição da lectoescrita e, como tal, compreende duas operações fundamentais:
a decodificação e a compreensão.
A decodificação é a capacidade
que temos como escritores ou leitores ou aprendentes de uma língua para
identificarmos um signo gráfico por um nome ou por um som. Esta capacidade ou
competência lingüística consiste no reconhecimento das letras ou signos gráficos
e na tradução dos signos gráficos para a linguagem oral ou para outro sistema de
signo.
A aprendizagem da decodificação
se consegue através do conhecimento do alfabeto e da leitura oral ou transcrição
de um texto. Conhecer o alfabeto não significa apenas o reconhecimento das
letras, e sim, entendermos a evolução da escrita como: a) a pictográfica
(desenho figurativo), a ideográfica (representação de idéias sem indicação dos
sons das palavras) e a fonográfica (representação dos sons das palavras). Toda
palavra tem uma origem, uma motivação e, a rigor, não é absolutamente arbitrária
como quis Ferdinand de Saussure, em seu Curso de
Lingüística geral.
O agá, por
exemplo, nas línguas neolatinas, como o português, o espanhol, o italiano e o
francês, pode indicar um fonema mudo, mas traduz, por sua vez, uma origem
semítica heth. O grego, por exemplo, usou a letra h para representar a vogal
longa eta. Por isso, toda palavra, em português, iniciada pela letra h (hoje,
homem, história etc), é de origem grega.
A compreensão é a captação do
sentido ou conteúdo das mensagens escritas. Sua aprendizagem se dá através do
domínio progressivo de textos escritos cada vez mais complexos (ALLIENDE: 1987,
p.27)
2. AS FUNÇÕES ESSENCIAIS DA
LEITURA
São três os verbos que definem
as funções essenciais da leitura: a)transformar, b) compreender e c) julgar.
-
Transformar, em leitura, se dá
quando o leitor converte a linguagem escrita em linguagem oral.
-
Compreender se efetiva quando
o leitor consegue captar ou dá sentido ao conteúdo da mensagem.
-
Julgar é capacidade que o
leitor tem de analisar o valor da mensagem no contexto social.
3.
OS PROCESSOS DA CAPACIDADE LEITORA
O enfoque da Psicolingüística,
ramo interdisciplinar da Psicologia Cognitiva e da Lingüística Aplicada,
considera a leitura como uma habilidade complexa, na qual intervém uma série de
processos cognitivo-lingüísticos de distintos níveis, cujo início é um estímulo
visual e cujo final deve ser a decodificação do mesmo e sua compreensão.
Refiro-me aos processos básicos e superiores da habilidade leitora.
Os processos básicos da leitura
são também chamados de “processos de nível inferior”. Sua finalidade é o
reconhecimento e a compreensão das palavras. Dentro destes se encontram a
decodificação e a compreensão de palavras.
Os processos superiores ou de
nível superior têm por finalidade a compreensão de textos.
Os dois processos, isto é, os
básicos e os superiores, devem ser considerados no ensino do português e na
aprendizagem da lectoescrita uma vez que funcionam de modo interativo ou
interdependente.
Os processos básicos, isto é,
que se voltam à decodificação e à compreensão de palavras, são particularmente
importantes nas primeiras etapas da aprendizagem da leitura (ou leitura inicial
na educação infantil) e devem ser automatizados ou bem assimilados no primeiro
ciclo do ensino fundamental (até a quarta série), já que um déficit em algum
deles atua como um nó de gravata que impede o desenvolvimento dos processos
superiores de compreensão leitora.
Processos preceptivos
- O leitor atinge a decodificação através dos processos perceptivos e dos
processos léxicos. Os processos perceptivos referem-se à percepção visual.
A percepção visual permite a
extração de informações sobre cosias, lugares e eventos do mundo visível.
Portanto, a percepção é um processo para aquisição de informações e
conhecimentos, guardando estreita relação com a memória de longo prazo (MLP) e a
cognição.
A percepção é uma das primeiras
atividades que tomam parte do processo leitor e a forma mais específica da
percepção visual. Aprendemos a ler com o poder do olhar.
Ao nos engajarmos na leitura,
fixamos, inicialmente, nossa olhada nos símbolos impressos, isto
é, nas palavras e nos seus grafemas, e se não analisamos em profundidade o que
realmente ocorre pode parecer-nos que os olhos percebem as palavras de uma linha
ou de um texto de forma contínua. Ler, a rigor, não é apenas ler as palavras nas
linhas, na sua dimensão linear sintagmática, mas ler as entrelinhas, o
subjacente, o paradigmático, o ausente, o dito não explícito no texto.
Essa operação visual se dá
assim: os olhos se movimentam da esquerda para direita mediante uns saltos
rápidos denominados “movimentos oculares sacádicos”. No percurso da leitura,
vamos alternando fixações e movimentos sacádicos e somente podemos
ler e compreender o que lemos nos períodos em que nos fixamos, em cerca de um
quarto de segundo (com a faixa média sendo de cerca de 150-500ms com uma média
de 200-250 ms) nos olhos no texto. (ELLIS: 1995, p.17).
A duração e amplitude das
fixações e a direção dos movimentos sacádicos não variam arbitrariamente, e sim,
dependem de: a) as características do texto, b) a maturidade dos processos
cognitivos do leitor, c) a visão, d) a fadiga ocular, e) a iluminação, f) a
distância olho-texto, g) a postura do corpo e h) o tipo de letra e papel.
Processos léxicos
– Depois da análise perceptiva, o passo seguinte é chegarmos ao significado das
palavras que, no ensino da língua materna, é, realmente, o que interessa aos
professores, à escola e à família e aos próprios alunos. Se nosso objetivo é
também a leitura em voz alta, então, devemos trabalhar a soletração, a
entonação ou a pronúncia escorreita das palavras.
Dois são os caminhos que
existem para chegarmos ao reconhecimento das palavras e extrairmos
o significado das mesmas. Falaremos pois de duas rotas que nos ajudam no
reconhecimento das palavras: a) a fonológica ou indireta ou também chamada
via indireta (VI) e b) a rota visual ou léxica ou via direta
(VD).
A rota fonológica
- A rota fonológica é a que a nos permite a leitura de textos, segmentando-os,
por força da metalinguagem, em seus componentes (parágrafos, períodos, orações,
frases, sintagmas, palavras, morfemas), como também em sílabas ou em sons da
fala (fonemas).
Baseia-se a rota fonológica na
segmentação fonológica das palavras escritas, por meio da qual o leitor tem a
alcança a chamada consciência fonológica. A rota fonológica é o guia
prático para o alfabetizador que trabalha, em sala de aula, com o chamado
método fônico de leitura.
A rota fonológica
consiste em descriminar os sons correspondentes a cada uma das letras ou
grafemas que compõem a palavra. Esta rota permite, na realidade, o reconhecer
das letras das palavras e sua transformação em sons. Através desta via,
portanto, podemos, como leitores hábeis, ler palavras pouco freqüentes (por
exemplo, pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico, a maior
palavra na língua portuguesa), desconhecidas e inclusive as
pseudopalavras (MARTINS: 2002).
A rota fonológica é a via, pois,
para se atingir a consciência fonológica, através da qual se pode
ler todas as palavras em língua portuguesa, já que nosso idioma neolatino é
alfabético e transparente, isto é, não tem palavras, a rigor, irregulares,
impossíveis de serem lidas (exceto os estrangeirismos)
Podemos, enfim,
resumir os objetivos da via fonológica no processo de aquisição da leitura:
-
Identificar as letras através da análise visual
- Recuperar
os sons mediante a consciência fonológica
-
Pronunciar os sons
da fala fazendo uso do léxico auditivo
- Chegar
ao significado de cada palavra no léxico interno (vocabulário)
A via fonológica é mais lenta
que a via direta já que o processo requerido é muito mais extenso até chegarmos
a reconhecer a palavra, no entanto, não é menos importante e, inclusive, podemos
afirmar que os estágios iniciais da aprendizagem da leitura dependem da
consciência fonológica.
A rota visual ou direta ou
léxica -
É uma rota global e muito rápida já que nos permite o reconhecimento global da
palavra e sua pronunciação imediata sem necessidade de analisar os signos (
significante e significado) que a compõem.
Os passos que temos na leitura
de palavras através da via direta são:
- Analisar
globalmente a palavra escrita: análise visual
- Ativar
as notações léxicas
- Chegar
ao significado no léxico interno (vocabulário)
- Recuperar
a pronunciação no caso de leitura em voz alta
O modelo de leitura através da
rota direta permite explicar a facilidade que temos para reconhecer as palavras
cuja imagem visual temos visto com muita freqüência. Isto é, através desta rota
podemos ler palavras que nos são familiares a nível de escrita. A rota direta é
base para a prática do método global de leitura (também chamado construtivista)
Em qualquer caso, ambas as vias
não são excludentes entre si As rotas fonológica e global são necessárias e
coexistem na leitura hábil. À medida que a habilidade leitora se desenvolve,
intensificamos as estratégias da via direta ou léxica ou ambas ao mesmo tempo.
4.
FATORES QUE INFLUENCIAM A DISLEXIA
Os padrões de movimentos
oculares são fundamentais para a leitura eficiente.
São as fixações nos movimentos
oculares que garantem que o leitor possa extrair informações visuais do texto.
No entanto, algumas palavras são fixadas por um tempo maior que outras.
Por que isso ocorre? Existiriam
assim fatores que influenciam ou determinam ou afetam a facilidade ou
dificuldade do reconhecimento de palavras, a saber: a) familiaridade, b)
freqüência, c0 idade da aquisição, d) repetição, e) significado e contexto, f)
Regularidade de correspondência entre ortografia-som ou grafema-fonema e g)
Interações. (ELLIS: 1995, p.19-28)
5.
A DISLEXIA COMO FRACASSO INESPERADO
A dislexia, segundo Jean Dubois
et alii (1993, p.197), é um defeito de aprendizagem da leitura
caracterizado por dificuldades na correspondência entre símbolos gráficos, às
vezes mal reconhecidos, e fonemas, muitas vezes, mal identificados.
A dislexia, segundo o
lingüista, interessa de modo preponderante tanto à discriminação fonética quanto
ao reconhecimento dos signos gráficos ou à transformação dos signos escritos em
signos verbais.
A dislexia, para a Lingüística,
assim, não é uma doença, mas um fracasso inesperado (defeito) na aprendizagem
da leitura, sendo, pois, uma síndrome de origem lingüística.
As causas ou a etiologia da
síndrome disléxica são de diversas ordens e dependem do enfoque ou análise do
investigador. Aqui, tendemos a nos apoiar em aportes da análise lingüística e
cognitiva ou simplesmente da Psicolingüística.
Muitas das causas da dislexia
resultam de estudos comparativos entre disléxicos e bons leitores. Podemos
indicar as seguintes: a) Hipótese de déficit perceptivo, b) Hipótese de
déficit fonológico e c) Hipótese de déficit na memória.
Atualmente os investigadores na
área de Psicolingüística aplicada à educação escolar, apresentam a
hipótese de déficit fonológico como a que justificaria, por exemplo, o
aparecimento de disléxicos com confusão espacial e articulatória.
Desse modo, são considerados
sintomas da dislexia relativos à leitura e escrita os seguintes erros:
a)
erros por
confusões na proximidade especial:
a) confusão de letras simétricas, b) confusão por rotação e c) inversão de
sílabas
b) Confusões
por proximidade articulatória e seqüelas de distúrbios de fala:
a) confusões por proximidade articulatória, b) omissões de grafemas e c)
omissões de sílabas.
As características lingüísticas,
envolvendo as habilidades de leitura e escrita, mais marcantes das crianças
disléxicas, são:
-
A acumulação e persistência de
seus erros de soletração ao ler e de ortografia ao escrever
-
Confusão entre letras, sílabas
ou palavras com diferenças sutis de grafia: a-o; c-o; e-c; f-t; h-n; i-j; m-n;
v-u etc
-
Confusão entre letras, sílabas
ou palavras com grafia similar, mas com diferente orientação no espaço: b-d;
b-p; d-b; d-p; d-q; n-u; w-m; a-e
-
Confusão entre letras que
possuem um ponto de articulação comum, e, cujos sons são acusticamente
próximos: d-t; j-x;c-g;m-b-p; v-f
-
Inversões parciais ou totais
de silabas ou palavras: me-em; sol-los; som-mos; sal-las; pal-pla
Segundo Mabel Condemarín (1987,
p.23), outras perturbações da aprendizagem podem acompanhar os disléxicos,:
-
Alterações na memória
-
Alterações na memória de
séries e seqüências
-
Orientação direita-esquerda
-
Linguagem escrita
-
Dificuldades em matemática
-
Confusão com relação às
tarefas escolares
-
Pobreza de vocabulário
-
Escassez de conhecimentos
prévios (memória de longo prazo)
Agora, uma pergunta pode advir:
Quais as causas ou fatores de ordem pedagógico-lingüística que favorecem a
aparição das dislexias?
De modo geral, indicaremos
causas de ordem pedagógica, a começar por:
-
Atuação de docente não
qualificado para o ensino da língua materna (por exemplo, um professor ou
professora sem formação superior na área de magistério escolar ou sem formação
pedagógica, em nível médio, que desconheça a fonologia aplicada à
alfabetização ou conhecimentos lingüísticos e metalingüísticos aplicados aos
processos de leitura e escrita)
-
Crianças com tendência à
inversão
-
Crianças com deficiência de
memória de curto prazo
-
Crianças com dificuldades na
discriminação de fonemas (vogais e consoantes)
-
Vocabulário pobre
-
Alterações na relação
figura-fundo
-
Conflitos
emocionais
-
O meio social
-
As crianças com dislalia
-
Crianças com lesão cerebral
No caso da criança em idade
escolar, a Psicolingüística define a dislexia como um fracasso inesperado
na aprendizagem da leitura (dislexia), da escrita (disgrafia) e da ortografia(disortografia)
na idade prevista em que essas habilidades já devem ser automatizadas. É o que
se denomina de dislexia de desenvolvimento.
No caso de adulto, tais
dificuldades quando ocorrem depois de um acidente vascular cerebral (AVC) ou
traumatismo cerebral, dizemos que se trata de dislexia adquirida.
A dislexia, como dificuldade de
aprendizagem, verificada na educação escolar, é um distúrbio de leitura e de
escrita que ocorre na educação infantil e no ensino fundamental. Em geral, a
criança tem dificuldade em aprender a ler e escrever e, especialmente, em
escrever corretamente sem erros de ortografia, mesmo tendo o Quociente de
Inteligência (Q.I) acima da média.
Além do Q.I acima da média, o
psicólogo Jesus Nicasio García, assinala que devem ser excluídas
do diagnóstico do transtorno da leitura as crianças com deficiência mental, com
escolarização escassa ou inadequada e com déficits auditivos ou visuais.(1998,
p.144).
Tomando por base a proposta de
Mabel Condemarín (l989, p. 55), a dificuldade de aprendizagem relacionadas com
a linguagem (leitura, escrita e ortografia), pode ser inicial e informalmente
(um diagnóstico mais preciso deve ser feito e confirmado por neurolingüista)
diagnosticadao pelo professor de língua materna, com formação na área de Letras
e com habilitação em Pedagogia, que pode vir a realizar uma medição da
velocidade da leitura da criança, utilizando, para tanto, a seguinte
ficha de observação, com as seguintes questões a serem prontamente
respondidas:
-
A criança movimenta os lábios
ou murmura ao ler?
-
A
criança movimenta a cabeça ao longo da linha?
-
Sua leitura silenciosa é mais
rápida que a oral ou mantém o mesmo ritmo de velocidade?
-
A criança segue a linha com o
dedo?
-
A criança faz excessivas
fixações do olho ao longo da linha impressa?
-
A criança demonstra excessiva
tensão ao ler?
-
A criança efetua excessivos
retrocessos da vista ao ler?
Para o exame dos dois últimos
pontos, é recomendável que o professor coloque um espelho do lado posto da
página que a criança lê. O professor coloca-se atrás e nessa posição pode olhar
no espelho os movimentos dos olhos da criança.
O cloze, que
consiste em pedir à criança para completar certas palavras omitidas no texto,
pode ser importante, também, aliado para o professor de língua materna
determinar o nível de compreensibilidade do material de leitura (ALLIENDE: 1987,
p.144)
6. Bibliografia e webliografia básicas:
1.
ALLIENDE, Felipe,
CONDEMARÍN, Mabel. (1987). Leitura: teoria, avaliação e desenvolvimento.
Tradução de José Cláudio de Almeida Abreu. Porto Alegre: Artes Médicas.
2.
CONDEMARÍN, Mabel,
BLOMQUIST, Marlys. (1989). Dislexia; manual de leitura corretiva.
3ª ed. Tradução de Ana Maria Netto Machado. Porto Alegre: Artes Médicas.
3.
DUBOIS, Jean et
alii. (1993). Dicionário de lingüística. SP: Cultrix.
4.
ELLIS, Andrew W.
(1995). Leitura, escrita e dislexia: uma análise cognitiva. 2 ed.
Tradução de Dayse Batista. Porto Alegre: Artes Médicas.
5.
GARCÍA, Jesus
Nicasio. (1998). Manual de dificuldades de aprendizagem: linguagem, leitura,
escrita e matemática. Tradução de Jussara Haubert Rodrigues. Porto Alegre:
Artes Médicas.
6.
HOUT, Anne Van,
SESTIENNE, Francoise. (2001). Dislexias: descrição, avaliação, explicação e
tratamento. 2ª ed. Tradução de Cláudia Schilling. Porto Alegre: Artes
Médicas.
7.
MARTINS, Vicente.
(2002). Lingüística Aplicada às dificuldades de aprendizagem relacionadas com
a linguagem: dislexia, disgrafia e disortografia. Disponível na Internet:
http://sites.uol.com.br/vicente.martins/
Vicente Martins é professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), de
Sobral, Estado do Ceará, Brasil.
Gostou do artigo? Envie seu comentário. Ele será
publicado na seção Opinião dos leitores.
|