
Dizer NÃO
também educa!
A educação de
nossos filhos deve ter como objetivo fundamental o desenvolvimento
de pessoas responsáveis, maduras e autônomas.
Sabemos que o
afeto, a ternura e a comunicação são os instrumentos básicos para
conseguir este resultado, porém não podemos nos esquecer da
necessidade de colocar limites claros e coerentes, ainda que
muitos pais sintam-se inseguros em proibir coisas a seus filhos.
Porém, se não quisermos que nossas crianças se convertam em pequenos
tiranos, a colocação de limites é imprescindível.
Deixar de colocar
limites na infância e esperar que quando adolescentes tornar-se-ão
automaticamente jovens respeitosos, tolerantes e disciplinados é um
dos maiores enganos que os pais cometem, e as conseqüências
evidenciam-se tanto na própria vida familiar como na escola.
Normalmente, é
muito mais fácil aos pais dizer “sim”
a tudo o que os pequenos pedem, ou deixá-los fazer o que querem,
mas, dizer um “não” a tempo,
também é conveniente e necessário. Quando assim o fazemos, ensinamos
às crianças a interiorizarem normas e conseguimos transmitir uma
disciplina desde pequenos até que, progressivamente, se
responsabilizem por seu comportamento.
Muito mais
rapidamente que nós, pais, nossos filhos aprendem a dizer “não”.
Negam-se a ir para cama, não querem lavar as mãos antes de comer,
querem comer apenas o que desejam, não querem tomar banho quando
pedimos, não guardam seus brinquedos, enquanto que para nós é muito
mais difícil manter firmes certos critérios, certas normas, certos
limites.
De modo algum
estamos querendo dizer que devemos ser rígidos e intolerantes, muito
menos pais despóticos, que com autoritarismo sempre se opõem aos
desejos de seus filhos e, sim, entender a realidade e as
possibilidades dos pequenos em cada etapa de seu desenvolvimento,
mostrando-lhes de forma clara aquilo que podem ou não fazer, o que é
permitido e o que não é.
De fato, não é
fácil dizer não e nem todas as famílias são iguais.
Cada uma tem sua
forma de educar seus filhos, mas, ainda que às vezes e em
determinadas idades seja difícil encontrar um meio termo entre o
“deixar fazer” e o “proibir”, o
mais importante é ser coerente e manter a decisão mais conveniente
para cada ocasião.
Outro fator de
grande importância é que as crianças aprendem muito imitando-nos,
observando nossas atitudes, valores e comportamentos, e, portanto,
estes devem estar em consonância com nossas palavras já que de outro
modo perderão a seus olhos todo o seu sentido, além de estarmos
contribuindo para ensinar contravalores.
Não podemos esquecer
que a “casa” é o autêntico formador de pessoas. As crianças, desde
muito pequeninas, aprendem o tempo todo com sua família, não somente
pelas palavras ditas, mas sobretudo, sobre aquilo que vêem nela, a
forma como atuam, como agem perante os problemas.
Definitivamente,
as crianças observam e copiam o proceder de seus pais ante a vida.
Uma
autêntica educação em valores, mas que ser ensinada, é transmitida,
vivenciada, experimentada.
A vivência de
normas e limites é fundamental para a construção dos valores, que
não se transmitem por via genética, por isso é tão importante
levá-los em conta na educação de nossos filhos.
Porém, de modo
algum podemos esquecer que os valores não se ensinam
independentemente do resto das coisas, nem através de grandes
explicações, de sermões ou listagem daquilo que consideramos correto
ou não, esperando que nossos filhos os memorizem.
Reiteramos que os
valores se transmitem através do exemplo prático, através da
cotidianidade, de nosso comportamento no dia a dia.
Por isso, a melhor forma de agir
com limites, transmitir valores, de aprender a viver em sociedade, é
jamais aplicar o ditado tão popular "faça o que eu digo e não o que
eu faço". Se queremos que nossos filhos sejam responsáveis e
autônomos
para ajudar a construir uma sociedade melhor, devemos começar por
criá-la nós mesmos e "fazer o que dizemos".
Vera Lúcia Camara Zacharias é mestre em Educação,
Pedagoga, consultora educacional, assessora diversas
instituições, profere palestras e cursos, criou e é
diretora do CRE.
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