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A
Educação Infantil vem se constituindo enquanto espaço de inúmeras
discussões; a cada dia cresce o número de trabalhos que se propõe a
refletir sobre essa fase. Mas infelizmente ainda encontramos muitas
lacunas no modo como essa educação vem sendo desenvolvida na
prática. Nesse sentido é que nos propomos a apresentar algumas
sugestões de como podemos explorar essa fase fundamental na formação
das crianças.
Não temos a pretensão de fornecer “receitas”, mas sim de listar
algumas alternativas que possibilitem o professor dar alguns passos
em direção a um ensino de qualidade, já que desde a Educação
Infantil podemos auxiliar na formação de cidadãos menos
individualistas e mais críticos e participativos na sociedade.
Para conseguirmos esses objetivos concordamos com Kramer (1994),
quando afirma que os professores devem estar em permanente formação,
pois assim terão a oportunidade de “construir” e “reconstruir” suas
práticas pedagógicas.
... é preciso que os
profissionais da Educação Infantil tenham acesso ao conhecimento
produzido na área da Educação Infantil e da cultura em geral, para
repensarem suas práticas, se reconstruírem enquanto cidadãos e
atuarem enquanto sujeitos da produção de conhecimento. E para que
possam, mais do que “implantar” currículos ou “aplicar” propostas à
realidade da creche/pré-escola em que atuam, efetivamente participar
da sua concepção, construção e consolidação. (p.19).
Algumas
idéias...
A
Educação Infantil enquanto fase inicial da educação formal tem o
poder de despertar na criança o gosto pela leitura, escrita e
matemática entre muitos outros. Isso vai depender da forma como essa
criança é estimulada e incentivada.
Nesse sentido, essa fase em que as crianças começam a freqüentar a
escola
deve
ser marcada com muita alegria.
Vejamos
algumas sugestões:
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O professor enfeita uma caixa de papel e cola um espelho no
fundo. Ela será entregue ao professor na porta da sala
de aula. O mesmo ficará muito feliz ao recebê-la. Depois
de abrir a caixa, o professor relatará sua alegria ao
receber aquele presente e instigará os alunos a
descobrirem o que há na caixa. Cada aluno é convidado a
ver o que há na caixa. É importante que a criança não
comente com os colegas o que viu. Á medida que as
crianças se vêem no espelho sentem uma grande alegria. O
professor deve aproveitar a oportunidade e trabalhar a
auto-estima e o valor de cada um na sala de aula.
-
Criar com a turma um cartaz de “combinados” através de
discussões sobre o que podemos ou não fazer na escola. O
professor pode aproveitar a oportunidade e refletir com
as crianças sobre algumas questões de boas maneiras,
como: cumprimentar, despedir, agradecer, pedir licença,
dizer “por favor”, desculpar-se, ser gentil e elogiar
quando necessário.
-
Como forma de estimular o valor de cada aluno é importante na
Educação Infantil um trabalho com os nomes. O crachá é
um importante recurso e deve conter o primeiro nome,
escrito em letra de imprensa maiúscula. O professor pode
explorar várias atividades com o mesmo, entre elas:
crianças organizadas em círculo e os crachás no meio. O
professor fala o nome de uma criança que deve pegar o
seu crachá e colocar na sua frente, no chão, de modo
visível a todos. Outra forma é colar os crachás no
quadro e pedir que cada aluno reconheça o seu e
busque-o.
-
Na área livre da escola o professor desenha várias
casinhas no chão, cada uma com uma letra. Os alunos
devem ficar em círculo e de posse com seus crachás. O
professor mostra e diz uma letra. As crianças que
possuem aquela letra no início do seu nome devem correr
e entrar na casinha daquela letra. A brincadeira
continua com o professor mostrando e “cantando” outras
letras.
-
Cada criança receberá uma folha com a primeira letra do seu
nome, para fazer um trabalho artístico. Poderá utilizar
palitos de fósforo, brocal, raspas de pontas de lápis de
cor, giz de cera, entre outros. Os trabalhos devem ser
expostos para toda escola.
-
As crianças gostam de serem úteis, portanto, o professor pode
sortear diariamente, no início das atividades, uma dupla
de alunos para serem os ajudantes da sala. Os
nomes dessas crianças podem ser fixados em um cartaz
próprio para a função.
-
Para explorar a matemática o professor pode contar com a
turma diariamente o números de crianças presentes na
sala e questionar: Quantos somos hoje? Há mais, meninos
ou meninas? Quantas crianças estão ausentes?
-
A sala de Educação Infantil também não pode deixar de ter um
calendário. O professor deve chamar a atenção de todos
para os aniversários da turma, para as datas
comemorativas, dias da semana, meses do ano, numerais,
entre outros.
-
A respeito dos aniversariantes, é importante também um cartaz
no qual são fixados os nomes das crianças que fazem
aniversário no presente mês. O professor pode questionar
qual é o nome com mais letras, qual contém menos letras,
quem faz aniversário primeiro, entre outros.
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Com intuito de trabalhar também a questão
da observação é importante dialogar com os alunos a
questão do tempo. Nesse sentido, o professor pode pedir
que as crianças observem e relatem o aspecto do dia:
ensolarado, nublado, chuvoso. Com o uso de fichas que
contenham desenhos, os próprios alunos podem construir
um cartaz sobre o tema.
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É importante que os alunos registrem experiências através de
desenhos. Em seguida, cada um pode contar para turma o
que desenhou.
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O professor pode registrar no quadro uma história contada por
um aluno e deixar que ele a ilustre.
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É importante criar um ambiente alfabetizador. Os alunos devem
ter a oportunidade de explorar materiais escritos de
diversos tipos como: revistas, livros, jornais, rótulo,
propagandas, afinal, muitas dessas crianças não tem
acesso a livros em casa, e com esse tipo de trabalho ela
poderá perceber que a escrita está em todos os lugares.
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O cantinho da Leitura é uma alternativa para que a criança
possa escolher o livro que mais lhe interessa. Mesmo que
não seja alfabetizada ela já faz a leitura da capa, das
ilustrações e constrói sua própria história. Nesse
espaço deve haver o maior número possível de portadores
de texto: literaturas infantis variadas, revistas em
quadrinhos, dicionários, jornais, rótulos, caixa com
letrinhas, propagandas, álbuns ilustrados, agendas,
entre outros.
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A turma poderá ter também uma “mini-biblioteca”, que
permitirá aos alunos levarem para casa literatura.
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No final de cada semana o professor pode pedir que cada aluno
escolha um livro para levar para casa, para que os pais
leiam para as crianças ou vice-versa.
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Para desenvolver a imaginação, a criatividade e a linguagem
oral das crianças, professor e alunos podem com o uso de
sucatas construírem um teatro de fantoches e seus
personagens. Os fantoches de varas também são uma
excelente alternativa, pois são práticos e divertidos.
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Pedir que as crianças recortem de revistas gravuras de
animais, pessoas, objetos, plantas, flores e montem uma
cena. Em seguida pedir que cada um conte uma história
sobre a mesma.
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Pedir que cada aluno recorte de uma revista uma foto que
se pareça com ela e cole em uma folha. Em seguida pedir
que faça a tentativa de escrita do seu nome. Ao colar os
trabalhos da turma no mural o professor poderá fazer uma
votação da gravura mais parecida com a criança ou levar
a classe a comparar as características físicas, cor do
cabelo, formato do rosto, entre outros.
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O professor pode desenvolver em seus alunos noções
topológicas através de experiências concretas, o que as
levará a perceber sua posição em relação a tudo que a
cerca. Uma forma é formar fileiras de cinco alunos que
imitarão um “trenzinho”. O primeiro da fila é o
maquinista. Em seguida questionar: Quem está na frente
de todos? Quem está atrás de todos? Quem está atrás do
maquinista?
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Para trabalhar conceitos como “dentro” e “fora” o professor
pode mediante círculos traçados no chão do pátio, pedir
aos alunos que nomeiem objetos que estão dentro ou fora
do círculo. Pode-se também pedir que as crianças relatem
o que tem dentro da mochila, da lancheira, entre outros.
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Desenvolver comparações de “menor” ou “maior” com as crianças
utilizando sucatas.
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Para explorar a questão de “direita” e “esquerda” o professor
pode utilizar o “banho de papel”. Com o papel embolado
servindo de bucha o professor dirige o banho: esfreguem
a orelha direita, lavem o joelho esquerdo, bucha na mão
direita, entre outros.
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Para trabalhar noções de conjunto, pedir que os alunos tragam
de casa rótulos e partes de embalagens diversas como:
biscoitos, sucos, refrigerantes, gelatinas, detergentes,
... Com a sala dividida em grupos, eles deverão separar
as embalagens de acordo com as semelhanças existentes
entre elas, a critério dos alunos: alimentos, materiais
de limpeza, bebidas, entre outros.
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Pedir que as crianças fiquem em pé no pátio da escola.
Enquanto o professor conta uma história elas devem
interpretá-la através de movimentos corporais.
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Pedir as crianças para formarem duplas. Um deles deitará
sobre uma folha de papel grande, enquanto o outro fará
traçados do seu corpo com giz. Os desenhos poderão se
utilizados para salientar partes do corpo.
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Para trabalhar a questão da atenção, levar as crianças para o
pátio e pedir que fiquem em semicírculo. O professor
deve ficar em uma posição destacada para liderar a
brincadeira e diz: _ Este é o meu pé. E mostra a cabeça,
por exemplo. As crianças deverão estar atentas para
seguir o que o professor diz e não ao seu gesto, e devem
então mostrar o pé.
Algumas
considerações
Como podemos perceber essas alternativas para a Educação Infantil
são simples, mas quando utilizadas podem conduzir a resultados
fantásticos. Através do lúdico as crianças com certeza serão mais
alegres, felizes e motivadas.
O aluno
estará inserido em um espaço propício a aprendizagem e aprenderá de
forma interessante o que antes era trabalhado de forma mais
cansativa.
Bibliografia
BRASIL. Ministério
da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental.
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1998.
BETTELHEIM, Bruno.
Psicanálise da Alfabetização. Artes Médicas, 1984.
FRANCO, Ângela.
Construtivismo: Uma ajuda ao professor. Belo Horizonte, Editora
Lê, 4ª edição, 1997.
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Currículo de Educação Infantil e a Formação dos Profissionais de
Creche e Pré-escola: questões teóricas e polêmicas. In: MEC/SEC/COEDI.
Por uma política de formação do profissional de Educação
Infantil. Brasília-DF, 1994.
NEGRINE, Airton.
Aprendizagem e desenvolvimento Infantil. Porto Alegre: Prodil,
1994.
WAJSKOP, Gisela.
O brincar na Educação Infantil. Caderno de Pesquisa, São Paulo,
n.92, p.62-69, 1995.
Fernanda Duarte Araújo Silva.
Pedagoga, Especialista em Docência no Ensino
Superior, Mestranda em Educação/ UFU, educadora da E. M. Afrânio
Rodrigues da Cunha.
E-mail:
fernanda.dinha@gmail.com
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