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Refletindo sobre os sujeitos da Educação de Jovens e
Adultos
fonte:
http://www.pbh.gov.br/smed/cape/
A Educação de Jovens e Adultos (EJA)
é uma modalidade específica da Educação Básica que se propõe a atender a
um público ao qual foi negado o direito à educação durante a infância e/ou
adolescência seja pela oferta irregular de vagas, seja pelas inadequações
do sistema de ensino ou pelas condições socioeconômicas desfavoráveis.
O conceito de EJA muitas vezes confunde-se com o de
Ensino Noturno. Trata-se de uma associação equivocada uma vez que a EJA
não se define pelo turno em que é oferecida, mas muito mais pelas
características e especificidades dos sujeitos aos quais ela se destina.
Várias iniciativas de educação de adultos em escolas ou outros espaços têm
demonstrado a necessidade de ofertar essa modalidade para além do noturno
de forma a permitir a inclusão daqueles que só podem estudar durante o
dia.
Para que se considere a EJA enquanto uma modalidade
educativa inscrita no campo do direito, faz-se necessário superar uma
concepção dita compensatória cujas principais fundamentos são a de
recuperação de um tempo de escolaridade perdido no passado e a idéia de
que o tempo apropriado para o aprendizado é a infância e a adolescência.
Nesta perspectiva, é preciso buscar uma concepção mais ampla das dimensões
tempo/espaço de aprendizagem, na qual educadores e educandos estabeleçam
uma relação mais dinâmica com o entorno social e com as suas questões,
considerando que a juventude e a vida adulta são também tempos de
aprendizagens. Os artigos 1o e 2o da LDBEN de 1996 fundamentam essa
concepção enfatizando a educação como direito que se afirma independente
do limite de idade:
Art. 1o - "A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem
na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de
ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade
civil e nas manifestações culturais".
Art. 2o - "A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos
princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por
finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o
exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho".
Para que possamos estabelecer com clareza a parcela da
população a ser atendida pela modalidade EJA, é fundamental refletir sobre
o seu público, suas características e especificidades. Tal reflexão
servirá de base para a elaboração de processos pedagógicos específicos
para esse público. Segundo Marta Kohl, a Educação de Jovens e Adultos
refere-se não apenas a uma questão etária, mas sobretudo de especificidade
cultural, ou seja, embora defina-se um recorte cronológico, os jovens e
adultos aos quais dirigem-se as ações educativas deste campo educacional
não são quaisquer jovens e adultos, mas uma determinada parcela da
população.
"O adulto, para a EJA, não é o estudante universitário,
o profissional qualificado que freqüenta cursos de formação continuada ou
de especialização, ou a pessoa adulta interessada em aperfeiçoar seus
conhecimentos em áreas como artes, línguas estrangeiras ou música, por
exemplo... E o jovem, relativamente recentemente incorporado ao território
da antiga educação de adultos, não é aquele com uma história de
escolaridade regular, o vestibulando ou o aluno de cursos
extra-curriculares em busca de enriquecimento pessoal. Não é também o
adolescente no sentido naturalizado de pertinência a uma etapa
bio-psicológica da vida." (Oliveira, 1999, p.1.)
São homens e mulheres, trabalhadores/as empregados/as e
desempregados/as ou em busca do primeiro emprego; filhos, pais e mães;
moradores urbanos de periferias, favelas e vilas. São sujeitos sociais e
culturais, marginalizados nas esferas socioeconômicas e educacionais,
privados do acesso à cultura letrada e aos bens culturais e sociais,
comprometendo uma participação mais ativa no mundo do trabalho, da
política e da cultura. Vivem no mundo urbano, industrializado,
burocratizado e escolarizado, em geral trabalhando em ocupações não
qualificadas. Trazem a marca da exclusão social, mas são sujeitos do tempo
presente e do tempo futuro, formados pelas memórias que os constituem
enquanto seres temporais. São, ainda, excluídos do sistema de ensino, e
apresentam em geral um tempo maior de escolaridade devido a repetências
acumuladas e interrupções na vida escolar. Muitos nunca foram à escola ou
dela tiveram que se afastar, quando crianças, em função da entrada precoce
no mercado de trabalho, ou mesmo por falta de escolas. Jovens e adultos
que quando retornam à escola o fazem guiados pelo desejo de melhorar de
vida ou por exigências ligadas ao mundo do trabalho. São sujeitos de
direitos, trabalhadores que participam concretamente da garantia de
sobrevivência do grupo familiar ao qual pertencem." (Parecer/CME)
Considerar a heterogeneidade desse público, quais seus
interesses, suas identidades, suas preocupações, necessidades,
expectativas em relação à escola, suas habilidades, enfim, suas vivências,
torna-se de suma importância para a construção de uma proposta pedagógica
que considere suas especificidades. É fundamental perceber quem é esse
sujeito com o qual lidamos para que os conteúdos a serem trabalhados façam
sentido, tenham significado, sejam elementos concretos na sua formação,
instrumentalizando-o para uma intervenção significativa na sua realidade.
Um passo inicial pode ser a elaboração de instrumentos
e estratégias que contribuam para o levantamento de dados para além das
questões referentes à faixa etária, escolarização, mundos do trabalho ou
inserção no núcleo familiar. É importante ressaltar que essa é uma
reflexão de todo o coletivo e que todos devem participar na elaboração de
tais instrumentos e estratégias. Os dados colhidos permitem visualizar
várias possibilidades de trabalho e devem se referenciar nos conhecimentos
e na observação feita pelo professor no dia-a-dia com seus alunos, nas
expectativas observadas e nas representações de mundo que os alunos trazem
de suas vivências.
Ressaltamos que é essencial garantir o registro de todo
o processo, afinal todo esse universo de informações vai constituir o
perfil dos alunos, seus conhecimentos prévios, suas expectativas,
tornando-se um dos materiais fundamentais para que a equipe de professores
possa ir planejando sua ação. É muito importante que o professor esteja
atento à utilização dos dados que demonstrem os interesses dos alunos,
para desenvolver suas atividades de forma mais significativa.
Grupo de Trabalho de Educação de Jovens e Adultos do
Centro de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (GT/EJA/CAPE/SMED)
Edina Ribeiro Barbosa Lara
Frederico O. A. Maia
Juliana Vieira da Silva
Marília de Dirceu Salles Dias
Saint Clair Marques da Silva
Referências Bibliográficas:
O passo da escola no compasso da vida: a construção de um novo tempo e
espaço para jovens e adultos - SMED/PBH
Educação Básica de Jovens e Adultos: Escola Plural - SMED/PBH
Educação de Jovens e Adultos: cadernos da Escola Plural - SMED/PBH
Regulamentação da Educação de Jovens e Adultos/CME - Abril de 2002 -
Conselho Municipal de Educação
Vamos nos conhecer melhor? SMED/PBH
Diagnóstico rápido participativo - Rede de Intercâmbio de Tecnologias
Alternativas
Jovens e adultos como sujeitos de conhecimento e aprendizagem - Marta Kohl
de Oliveira - in Revista Brasileira de Educação Set/Out/Nov/Dez 1999 N°
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