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O que é
educação a distância
Educação a distância é o processo de
ensino-aprendizagem, mediado por tecnologias, onde professores e alunos
estão separados espacial e/ou temporalmente.
É ensino/aprendizagem onde professores e alunos não
estão normalmente juntos, fisicamente, mas podem estar conectados,
interligados por tecnologias, principalmente as telemáticas, como a
Internet. Mas também podem ser utilizados o correio, o rádio, a televisão,
o vídeo, o CD-ROM, o telefone, o fax e tecnologias semelhantes.
Na expressão "ensino a distância" a ênfase é dada ao
papel do professor (como alguém que ensina a distância). Preferimos a
palavra "educação" que é mais abrangente, embora nenhuma das expressões
seja perfeitamente adequada.
Hoje temos a educação presencial, semi-presencial (parte
presencial/parte virtual ou a distância) e educação a distância (ou
virtual). A presencial é a dos cursos regulares, em qualquer nível, onde
professores e alunos se encontram sempre num local físico, chamado sala de
aula. É o ensino convencional. A semi-presencial acontece em parte na sala
de aula e outra parte a distância, através de tecnologias. A educação a
distância pode ter ou não momentos presenciais, mas acontece
fundamentalmente com professores e alunos separados fisicamente no espaço
e ou no tempo, mas podendo estar juntos através de tecnologias de
comunicação.
Outro conceito importante é o de educação contínua ou
continuada, que se dá no processo de formação constante, de aprender
sempre, de aprender em serviço, juntando teoria e prática, refletindo
sobre a própria experiência, ampliando-a com novas informações e relações.
A educação a distância pode ser feita nos mesmos níveis
que o ensino regular. No ensino fundamental, médio, superior e na
pós-graduação. É mais adequado para a educação de adultos, principalmente
para aqueles que já têm experiência consolidada de aprendizagem individual
e de pesquisa, como acontece no ensino de pós-graduação e também no de
graduação.
Há modelos exclusivos de instituições de educação a
distância, que só oferecem programas nessa modalidade, como a Open
University da Inglaterra ou a Universidade Nacional a Distância da
Espanha. A maior parte das instituições que oferecem cursos a distância
também o fazem no ensino presencial. Esse é o modelo atual predominante no
Brasil.
As tecnologias interativas, sobretudo, vêm evidenciando,
na educação a distância, o que deveria ser o cerne de qualquer processo de
educação: a interação e a interlocução entre todos os que estão envolvidos
nesse processo.
Na medida em que avançam as tecnologias de comunicação
virtual (que conectam pessoas que estão distantes fisicamente como a
Internet, telecomunicações, videoconferência, redes de alta velocidade) o
conceito de presencialidade também se altera. Poderemos ter professores
externos compartilhando de inadas aulas, um professor de fora "entrando"
com sua imagem e voz, na aula de outro professor... Haverá, assim, um
intercâmbio maior de saberes, possibilitando que cada professor colabore,
com seus conhecimentos específicos, no processo de construção do
conhecimento, muitas vezes a distância.
O conceito de curso, de aula também muda. Hoje, ainda
entendemos por aula um espaço e um tempo de inados. Mas, esse tempo e esse
espaço, cada vez mais, serão flexíveis. O professor continuará "dando
aula", e enriquecerá esse processo com as possibilidades que as
tecnologias interativas proporcionam: para receber e responder mensagens
dos alunos, criar listas de discussão e alimentar continuamente os debates
e pesquisas com textos, páginas da Internet, até mesmo fora do horário
específico da aula. Há uma possibilidade cada vez mais acentuada de
estarmos todos presentes em muitos tempos e espaços diferentes. Assim,
tanto professores quanto alunos estarão motivados, entendendo "aula" como
pesquisa e intercâmbio. Nesse processo, o papel do professor vem sendo
redimensionado e cada vez mais ele se torna um supervisor, um animador, um
incentivador dos alunos na instigante aventura do conhecimento.
As crianças, pela especificidade de suas necessidades de
desenvolvimento e socialização, não podem prescindir do contato físico, da
interação. Mas nos cursos médios e superiores, o virtual, provavelmente,
superará o presencial. Haverá, então, uma grande reorganização das
escolas. Edifícios menores. Menos salas de aula e mais salas ambiente,
salas de pesquisa, de encontro, interconectadas. A casa e o escritório
serão, também, lugares importantes de aprendizagem.
Poderemos também oferecer cursos predominantemente
presenciais e outros predominantemente virtuais. Isso dependerá da área de
conhecimento, das necessidades concretas do currículo ou para aproveitar
melhor especialistas de outras instituições, que seria difícil contratar.
Estamos numa fase de transição na educação a distância.
Muitas organizações estão se limitando a transpor para o virtual
adaptações do ensino presencial (aula multiplicada ou disponibilizada). Há
um predomínio de interação virtual fria (formulários, rotinas, provas,
e-mail) e alguma interação on line (pessoas conectadas ao mesmo tempo, em
lugares diferentes). Apesar disso, já é perceptível que começamos a passar
dos modelos predominantemente individuais para os grupais na educação a
distância. Das mídias unidirecionais, como o jornal, a televisão e o
rádio, caminhamos para mídias mais interativas e mesmo os meios de
comunicação tradicionais buscam novas formas de interação. Da comunicação
off line estamos evoluindo para um mix de comunicação off e on line (em
tempo real).
Educação a distância não é um "fast-food" em que o aluno
se serve de algo pronto. É uma prática que permite um equilíbrio entre as
necessidades e habilidades individuais e as do grupo - de forma presencial
e virtual. Nessa perspectiva, é possível avançar rapidamente, trocar
experiências, esclarecer dúvidas e inferir resultados. De agora em diante,
as práticas educativas, cada vez mais, vão combinar cursos presenciais com
virtuais, uma parte dos cursos presenciais será feita virtualmente, uma
parte dos cursos a distância será feita de forma presencial ou
virtual-presencial, ou seja, vendo-nos e ouvindo-nos, intercalando
períodos de pesquisa individual com outros de pesquisa e comunicação
conjunta. Alguns cursos poderemos fazê-los sozinhos, com a orientação
virtual de um tutor, e em outros será importante compartilhar vivências,
experiências, idéias.
A internet está caminhando para ser audiovisual, para
transmissão em tempo real de som e imagem (tecnologias streaming, que
permitem ver o professor numa tela, acompanhar o resumo do que fala e
fazer perguntas ou comentários). Cada vez será mais fácil fazer
integrações mais profundas entre TV e WEB (a parte da Internet que nos
permite navegar, fazer pesquisas...). Enquanto assiste a de inado
programa, o telespectador começa a poder acessar simultaneamente às
informações que achar interessantes sobre o programa, acessando o site da
programadora na Internet ou outros bancos de dados.
As possibilidades educacionais que se abrem são
fantásticas. Com o alargamento da banda de transmissão, como acontece na
TV a cabo, torna-se mais fácil poder ver-nos e ouvir-nos a distância.
Muitos cursos poderão ser realizados a distância com som e imagem,
principalmente cursos de atualização, de extensão. As possibilidades de
interação serão diretamente proporcionais ao número de pessoas envolvidas.
Teremos aulas a distância com possibilidade de interação
on line (ao vivo) e aulas presenciais com interação a distância.
Algumas organizações e cursos oferecerão tecnologias
avançadas dentro de uma visão conservadora (só visando o lucro,
multiplicando o número de alunos com poucos professores). Outras
oferecerão cursos de qualidade, integrando tecnologias e propostas
pedagógicas inovadoras, com foco na aprendizagem e com um mix de uso de
tecnologias: ora com momentos presenciais; ora de ensino on line (pessoas
conectadas ao mesmo tempo, em lugares diferentes); adaptação ao ritmo
pessoal; interação grupal; diferentes formas de avaliação, que poderá
também ser mais personalizada e a partir de níveis diferenciados de visão
pedagógica.
O processo de mudança na educação a distância não é
uniforme nem fácil. Iremos mudando aos poucos, em todos os níveis e
modalidades educacionais. Há uma grande desigualdade econômica, de acesso,
de maturidade, de motivação das pessoas. Alguns estão preparados para a
mudança, outros muitos não. É difícil mudar padrões adquiridos
(gerenciais, atitudinais) das organizações, governos, dos profissionais e
da sociedade. E a maioria não tem acesso a esses recursos tecnológicos,
que podem democratizar o acesso à informação. Por isso, é da maior
relevância possibilitar a todos o acesso às tecnologias, à informação
significativa e à mediação de professores efetivamente preparados para a
sua utilização inovadora.
Bibliografia:
LANDIM, Claudia Maria Ferreira. Educação a distância:
algumas considerações. Rio de Janeiro, s/n, 1997.
LUCENA, Marisa. Um modelo de escola aberta na Internet:
kidlink no Brasil. Rio de Janeiro: Brasport, 1997.
NISKIER, Arnaldo. Educação a distância: a tecnologia da
esperança; políticas e estratégias a implantação de um sistema nacional de
educação aberta e a distância. São Paulo: Loyola, 1999
Sites na Internet:
Site do Prof. Moran:
www.eca.usp.br/prof/moran
Texto do Ivonio de Barros: Noções de Ensino a
Distância:
www.intelecto.net/ead/ivonio
Eduardo Chaves. Ensino a Distância: Conceitos básicos
(no site:
www.edutecnet.com.br)
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