RESUMO: O presente trabalho pretende, através de um breve estudo de cunho bibliográfico, analisar a prática da GRD como um dos aspectos que possibilitam o desenvolvimento psicomotor da criança. Como sabemos, a criança ao longo de sua vida, passa por diversas transformações, tanto biológicas como físicas e emocionais. Para um primeiro momento, procuramos discutir o desenvolvimento psicomotor, como inicia-se, quais os seus objetivos e as estruturas que o compõe, destacando a sua importância no desenvolvimento total da criança. Posteriormente, analisamos a GRD, passando por um breve contexto histórico da modalidade, para depois, destacarmos as suas características, objetivos e os fatores que levam a GRD a ser um aspecto importante para o desenvolvimento total da criança, promovendo melhorias para as suas capacidades físicas, cognitivas, afetivas e motoras. Palavras chaves: desenvolvimento psicomotor, GRD e criança THE IMPORTANCE FROM GYMNASTICS RHYTHMIC SPORTING INTO THE DEVELOPMENT PSYCHOENGINE OF THE CHILD. ABSTRACT: The present work intends, through a briefing study of bibliographical matrix, to analyze the practical one of the GRD as one of the aspects that make possible the psychoengine development of the child. As we know, the child throughout its life, passes for diverse transformations, biological as physics and in such a way emotional. For a first moment, we look for to argue the psychoengine development, as it is initiated, which its objectives and the structures that compose it, detaching its importance in the total development of the child. Later, we analyze the GRD, passing for a brief historical context of modalidae, about to after, to detach its characteristics, objectives and the factors that take the GRD to be an important aspect for the total development of child, promoting improvements for its capacity physics, cognitives, affective and motor. KeyWords: development psychoengine, GRD and child. INTRODUÇÃO O presente trabalho, tem como temática, a importância da GRD no desenvolvimento psicomotor da criança. Por meio de estudos bibliográficos, analisamos a GRD como um dos fatores que auxiliam a criança em seu desenvolvimento psicomotor. Como todos sabemos, as crianças passam por diversas transformações ao longo de sua vida, tanto biológicas, como físicas e emocionais. Para compreendermos essas transformações e o seu desenvolvimento, num primeiro momento, discutiremos o desenvolvimento psicomotor: como inicia-se; as estruturas que o compõem; e a sua participação na vida ativa da criança, no movimentar-se e na sociedade. Com essa identificação, passaremos, posteriormente, à analisar a GRD, destacando um breve contexto histórico da modalidade, para depois, discutirmos as características que fazem da GRD um fator importante para o desenvolvimento total da criança, promovendo melhorias para suas capacidades físicas, cognitivas, afetivas e motoras. Portanto, este trabalho, visa atender as expectativas de profissionais da educação física, como técnicos da GRD, a fim de trabalha-la como uma modalidade completa, ou seja, competitiva, mas que também colabore para o desenvolvimento psicomotor, para o aprendizado e a valorização do individuo na sociedade. A IMPORTÂNCIA DA GINÁSTICA RITMÍCA DESPORTIVA PARA O DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR O desenvolvimento psicomotor é o ponto de referência para se avaliar e diagnosticar qualquer atraso na motricidade infantil e desenvolver as faculdades expressivas dos indivíduos. Inicia-se a partir do nascimento da criança estendendo-se até a adolescência, passando por diversas fases que, são caracterizadas pelas relações afetivas e emocionais vividas pelas crianças em seu meio social, expressando-se por meio dos movimentos. Uma das principais manifestações da vida do se humano é o movimento, tornando-se essencial para a formação da personalidade da criança. O movimento humano é à base da constituição histórica da humanidade, traduzindo a relação do homem com o seu exterior (natureza/sociedade), portanto é de fundamental importância para o desenvolvimento total da criança, como explica Fonseca (1983). É o movimento que, projetando no meio uma realidade humana, permite a criança uma atenuação de grupos musculares onerosos (sincinesias e paratonias), que proporcionarão uma progressiva coordenação e uma melhor habilidade manual. (...) As percepções e os movimentos , ao estabelecerem relação com o exterior, elaboram a função simbólica que gera a linguagem, e esta dá origem à representação e ao pensamento (Fonseca, 1983, p. 23,26). |
Ainda Fonseca (1983), comenta que “o movimento humano é construído em função de um objetivo. A partir de uma intenção como expressividade intima, o movimento transforma-se em comportamento significante”. O movimento humano é a parte mais ampla e significativa do comportamento do ser humano. É obtido por intermédio de três fatores básicos: os músculos, a emoção e os nervos, formados por um sistema de sinalizações que lhes permitem atuar de forma coordenada. A partir do movimento, a criança cria sua imagem de corpo, o seu esquema corporal e o seu elo de comunicação com o exterior, constituindo dessa forma, sua individualidade e a sua história. A função motora (motricidade), o desenvolvimento intelectual (mente) e o desenvolvimento afetivo-emocional estão intimamente ligados na criança, compondo e formando relações que, facilitam a abordagem global da criança e constituem as estruturas do desenvolvimento psicomotor. A unidade básica do movimento, que abrange a capacidade de equilíbrio e assegura as posições estáticas, são as estruturas psicomotoras. As estruturas psicomotoras definidas como básicas são: locomoção, manipulação e tônus corporal, que interagem com a organização espaço-temporal, as coordenações finas e amplas, coordenação óculo-segmentar, o equilíbrio, a lateralidade, o ritmo e o relaxamento (Barros, 1972). Para Coste (1981, p 50) “a evolução da criança não se realiza de um modo regular e progressivo, (...) por isso que nunca se deve querer ir depressa demais, (...) querer ganhar tempo é com freqüência uma forma de chegar atrasado”. Portanto, deve-se respeitar o desenvolvimento das estruturas psicomotoras e acompanhá-las para que não ocorram atrasos na evolução da criança. Para a compreensão das estruturas do desenvolvimento psicomotor, baseamos na obra de Coste (1981), intitulada “A Psicomotricidade”. Por intermédio da obra citada acima, verificamos que o primeiro passo para o desenvolvimento psicomotor é a percepção e o reconhecimento do corpo pela criança (esquema corporal). Para Wallon (APUD REIS, 1984) “o esquema corporal é um elemento básico, indispensável para a formação da personalidade da criança. É a representação relativamente global, cientifica e diferenciada que a criança tem de seu próprio corpo”. Para Reis (1984) o desenvolvimento do esquema corporal acontece de forma progressiva e, que a partir da conscientização da criança em relação ao seu próprio corpo, ela passara a perceber e a ter domínio sobre os seus movimentos, dessa forma agindo e transformando a sociedade. A própria criança percebe-se e percebe os seres e as coisas que a cercam em função da sua pessoa. Sua personalidade se desenvolverá graças a uma progressiva tomada de consciência do seu corpo, do seu ser, de suas possibilidades de agir e transformar o mundo à sua volta (Reis, 1984). |
A progressão do reconhecimento da imagem do seu próprio corpo pela criança, pode ser notada por meio de uma experiência em que se coloca a criança na frente de um espelho, dessa forma, cada semana verifica-se esse progresso, no qual a criança passa a explorar a sua imagem refletida. Ainda existe outro teste para a identificar a evolução do esquema corporal pela criança: “o teste do homenzinho”, que se caracteriza por desenhos de crianças em suas fases de desenvolvimento, que representam o corpo humano, verificando dessa forma, a maturação delas a respeito de sua concepção de corpo. (Coste, 1981). Após o reconhecimento da criança do seu próprio corpo, aparece a estruturação espaço–temporal. Essa estruturação é a orientação, a tomada de consciência da situação de seu próprio corpo em um meio ambiente, isto é, do lugar e da orientação que pode ter em relação às pessoas e objetos, estáticos ou em movimento. Para Coste, o desenvolvimento da estrutura espaço–temporal, possibilita ao indivíduo organizar-se perante o mundo que o cerca, de organizar as coisas entre si, de colocá-las em um lugar e de movimentá-las. A estruturação espaço temporal é um dado importante para uma adaptação favorável do individuo. Ela permite-lhe não só movimentar-se e reconhecer se no espaço, mas também concatenar e dar seqüência aos seus gestos, localizar as partes do seu corpo e situá-los no espaço, coordenar sua atividade e organizar sua vida cotidiana (Coste, 1981, p. 57). |
Todas as alterações e adaptações que ocorrem no meio ambiente e nos indivíduos, passam, antes de tudo, pela adaptação ao tempo e ao espaço. O tempo é constituído por quatro níveis, duração, ordem, sucessão e ritmo que se relacionam entre si, formando a estruturação temporal do individuo. Com o desenvolvimento da estruturação temporal, a criança começa a distinguir as sucessões de acontecimentos (antes, após, durante), a duração dos intervalos (tempo longo, curto), a renovação cíclica de certos períodos (dias, meses, estações, anos) e os ritmos exteriores e do corpo (são fatores de estruturação temporal que sustenta a adaptação do tempo). As noções temporais são muito abstratas, muitas vezes bem difíceis de serem adquiridas pelas crianças. Para Coste (1981 p, 57) “a adaptação ao tempo é função do desenvolvimento do conjunto da personalidade”. Assim nota-se, que através do desenvolvimento do esquema corporal, ou seja, da conscientização da criança em relação ao seu próprio corpo, do movimentar-se e das suas relações com o exterior, é que ela passa ter, progressivamente, noções sobre o tempo. O espaço é definido pela sua variedade de significados, podendo estar relacionado a uma extensão infinita (espaço sideral), a uma extensão superficial limitada (medidas) e a uma extensão de tempo e intervalos (minutos, lento, rápido). Para o estudo do desenvolvimento psicomotor, as noções que analisaremos são ás de extensão superficial limitado e a de extensão de tempo e intervalos. Coste (1981) mostra-nos que o espaço é uma percepção do mundo, onde a referência é o nosso corpo reduzido à superfície da pele. Ainda para ele, o espaço e o tempo estão totalmente unidos; e todos os fatos e movimentos se desenrolam durante um determinado tempo e em um determinado espaço. Para a criança, a concepção de espaço, passa a desenvolver-se, inicialmente, a partir das suas impressões totais, progredindo paralelamente com o desenvolvimento motor, sua expressividade, e a suas relações no espaço da comunicação. Para Coste (1981), o desenvolvimento da percepção do espaço, passa por três fases: “espaço topológico vivido” – cujo ponto de referência é o corpo próprio (antes dos 3 anos); “espaço representativo euclidiano” – reconhecimento das formas geométricas (entre 3-7 anos); “espaço projetivo, intelectualizado” – pontos de referência exteriores ao seu próprio corpo (entre 7-12 anos). Portanto, a concepção de espaço pela criança é construída a partir das experiências vividas por elas com o seu corpo e com o mundo exterior. Durante o crescimento, naturalmente se define uma dominância lateral da criança: será mais forte, mais hábil e mais ágil do lado direito ou lado esquerdo. A lateralidade corresponde a dados neurológicos, mas também é influenciado pelos hábitos sociais, dessa forma constitui um elemento importante da adaptação psicomotora. Para Coste, a dominância lateral só se desenvolvera “a partir do momento em que os movimentos se combinam e se organizam numa intenção motora” (p. 64), impondo-se dessa forma, a lateralidade por intermédio das experiências e da complexidade dos movimentos vividos pela criança. A lateralidade da criança, para Le Bouch (1982), inicia-se a partir dos dois anos de idade, durante um período denominado por ele como “discriminação perceptiva”, que se elabora na criança a predominância lateral, contudo porem, a lateralidade só pode ser definida na criança, após os cinco anos de idade. Com efeito, a lateralização participa em todos os níveis de desenvolvimento da criança, só se instalando definitivamente após a criança ter passado etapas de processo de desenvolvimento: a montagem do esquema corporal, que organiza as percepções totais, visuais e os movimentos coordenados; e a estrutura espacial que ajuda a criança a discriminar a sua direita e esquerda, frente-trás, por meio das percepções de espaço adquiridas no seu movimentar-se cotidiano. A lateralização (...) da criança (...) acompanha cada um de seus passos: localização no próprio corpo, projeção de seus pontos de referenciais a partir do corpo e, depois, organização do espaço independentemente do corpo (Coste 1981, p 66). |
Não devemos confundir lateralidade (dominância de um lado em relação ao outro) e conhecimento “direito-esquerdo” (domínio dos termos “direito” e “esquerdo”) O conhecimento “esquerda-direita” decorre da noção de dominância lateral. É a generalização da percepção do eixo corporal, a tudo que cerca a criança, esse conhecimento será mais facilmente apreendido quanto mais acentuada e homogênea for à lateralidade da criança. Com efeito, se a criança percebe que trabalha naturalmente “com que mão”, guardará sem dificuldade que “aquela mão” é esquerda ou direita. Ginástica Rítmica Desportiva (GRD) e desenvolvimento psicomotor A história da GRD aconteceu de forma progressiva e lenta, recebendo influência de vários pensadores e de várias linhas da ciência humana. Um dos primeiros relatos acerca do principio da atividade física associada ao ritmo Russeau (1712 – 1778), filosofo e pedagogo, realizou estudos sobre o desenvolvimento técnico e prático para a educação infantil, já Muts (1759 – 1839), foi o criador da ginástica pedagógica, fundamentada em princípios filosóficos e em exercícios que buscavam o fortalecimento do individuo, saúde e preparação para a guerra. O lado artístico da GRD teve seu inicio com Delsarte (1811-1871), que caracterizou o seu trabalho pela busca da expressão dos sentimentos por intermédio dos gestos corporais, influenciando a expressão da ginástica atual. Dalcroze (1865-1950), pedagogo e professor de música iniciou a prática de exercícios rítmicos como meio de desenvolvimento da sensibilidade musical através dos movimentos do corpo. Desenvolve diversos estudos filosóficos dos quais conclui a existência da intima relação entre harmonia dos movimentos e seu dinamismo, entre o equilíbrio e os diversos estados do sistema nervoso central, exercendo influência na formação das escolas de dança e no desenvolvimento da Educação Física. Dando continuidade ao lado artístico da GRD, Bode (1881 – 1971) aluno de Dalcroze, estabeleceu os princípios básicos de GRD, onde o mais importante era o fluir do movimento e seu caráter natural e integral, demonstrando através dos movimentos, os diversos estados emocionais do individuo. Suas teorias são fundamentadas no principio da contração e relaxamento, que é a própria essência do movimento humano e forma a unidade do ritmo corporal. Quanto ao espaço explorou as direções e planos em todas as suas possibilidades, o que constitui a base da variação dos deslocamentos na ginástica rítmica atual. Introduziu a ginástica de expressão, que faz com que o individuo tenha mais liberdade, flexibilidade, movimentos naturais e espontâneos; e ainda o trabalho em grupo, destacando a colaboração e harmonia entre seus participantes. O alemão Medau (1890-1974), formado na escola de ginástica de Bode, estudou os exercícios rítmicos e iniciou a introdução de aparelhos, como o arco, as maças e a bola, dando o primeiro passo para a utilização dos aparelhos nos exercícios femininos. A ginástica Rítmica começou a ser praticada desde o final da I guerra mundial, mas não possuía regras específicas nem um nome determinado. Varias escolas inovavam os exercícios tradicionais da Ginástica Artística, misturando-se com a música. A então Ginástica Rítmica, esporte independente, passo a ser chamada de Ginástica Moderna (1962), em reconhecimento pela Federação internacional de Ginástica (F.I.G). Mais tarde em 1975 passa a ser denominado de Ginástica Rítmica Desportiva, estabelecendo-se definitivamente sua característica competitiva. A partir desse contexto histórico, verifica-se que a GRD se tornou uma arte dinâmica, criativa e natural, que utiliza-se da linguagem corporal por meio de movimentos expressivos , descrevendo a linguagem e o movimento através de seu veículo de interpretação que é o corpo. É caracterizado pela música e movimentos coordenados com a utilização de aparelhos portáteis (corda, aro, fitas, maças e bolas). Para Barros e Nedialcova (n/d) a GRD é definida “pela sua relação harmoniosa entre o corpo em movimento, os objetos manipulados entre o corpo em movimento e os espaços envolventes inter-relacionados a música, possibilitando assim toda sua expressão”, já Roberval (1991), caracteriza a GRD pela união do movimento e a música, transformando-se em movimentos rítmicos próprios do GRD. A GRD explora as qualidades estéticas e rítmicas e suas principais características são a utilização de materiais (...) e da música, o que torna atraente e empolgante (...) com movimentos de características próprias, diferentes de outras escolas de expressão corporal (Wiederkeh, 1985, p. 34). |
Outra forma de se caracterizar a GRD é pela sua competitividade esportiva, que exige alto nível de capacidade coordenativa das atletas, em que o desempenho físico, técnico e rítmico do atleta devem estar presentes nas suas apresentações, sejam individuais ou em conjunto. Para Barros e Nedialcova (s/d), “como desporto competitivo está presente em todas as formas harmônicas da totalidade do movimento”. Portanto, mesmo na competição a GRD, tem caráter de relação do corpo (EU), os objetos (aparelhos) e os outros. Os objetivos da GRD estão intimamente ligados ao desenvolvimento psicomotor da criança, propondo-se a estimular e desenvolver as estruturas psicomotoras, educando os movimentos, aumentando as qualidades físicas, desenvolvendo o aspecto social do individuo (inclusão social), sua criatividade e imaginação. De acordo com Pallares (1983, p17) a GRD se baseia em 3 princípios básicos: “movimento natural”: rítmico e orgânico; - “movimento total”: corpo espírito e mente, e do “movimento fluente”: renovação e espontaneidade. A mesma autora afirma que o objetivo da GRD é “cooperar para a educação integral da criança, podendo promover sua educação, atendendo suas necessidades, possibilidades e interesses nas áreas físicas, espiritual, mental e social” (p.17 e 18), já para Pereira (2000), a GRD tem por objetivo: Trabalhar a coordenação motora, a percepção espacial, a lateralidade, como também a consciência corporal, a postura e as qualidades físicas (...) contribui para o desenvolvimento e ou aprimoramento de esquema corporal (Pereira 2000, p.18) |
Na escola, a GRD, tem como objetivos, alem de auxiliar o desenvolvimento psicomotor da criança, promover a inclusão social, de forma que a criança passe a se tornar ativa na sociedade, com uma formação crítica e transformadora. Para que a GRD alcance os seus objetivos, são necessários ter em mente os componentes básicos da modalidade, que são: os elementos corporais dos grupos fundamentais (salto, pivô, equilíbrio e flexibilidade) e outros grupos (saltitos, deslocamento variado, balanceamentos, circunduções e giros) - movimentos esses que geralmente estão no cotidiano de cada criança -; e os elementos do grupo técnico dos aparelhos. É por meio desses elementos que o profissional de educação física, irá desenvolver o seu trabalho a fim de atingir os objetivos do GRD. Por meio do desenvolvimento dos elementos corporais, a GRD proporciona a criança o desenvolvimento/aprimoramento das qualidades físicas, do esquema corporal da estruturação espaço temporal, além de uma conscientização dos movimentos apresentados pelo seu corpo, sendo a base indispensável dos exercícios individuais e de conjuntos. Para Barros e Nedialcova (S/D), os movimentos dos elementos corporais da GRD, surgem com o desenvolvimento psicomotor, que evoluem com a maturação neurológica da criança, de forma natural. Para as autoras. Essas atividades são as formas concretas de ação das estruturas psicomotoras de locomoção, manipulação, tônus corporal, organização espaço temporal, coordenação óculo-segmentar, equilíbrio, coordenação da dinâmica geral, ritmo e relaxamento (Barros e Nedialcova, s/d). |
O desenvolvimento das qualidades físicas também tem sua importância na GRD, pois sevem de suporte para o desenvolvimento psicomotor da criança. Para Pereira (2000), as qualidades físicas desenvolvidas pela GRD são: velocidade, força, equilíbrio, coordenação, ritmo, agilidade, resistência, flexibilidade e descontração; todos relacionam-se para dar a GRD movimentos aperfeiçoados, de beleza estética e amplitude. O profissional de educação física deve destacar em suas aulas, a importância dos movimentos do elemento corporal e principalmente identificar em seus alunos, possíveis “anomalias” – distúrbios físicos, falta de ritmo, descoordenação motora, desvios psicológicos – que podem surgir no movimentar-se, procurando caracterizar o motivo dessa “anomalia” e buscar meios e alternativas para corrigi-los, pois são movimentos do cotidiano de cada criança. “Os processos de exploração e descobertas são capazes de permitir a expressão natural e espontânea dos alunos além de auxiliar no desenvolvimento de programas adequados a seus anseios e suas capacidades individuais". (Velardi, 1999 p. 30). Os elementos dos aparelhos (bola, corda, fita, maças e arco), também têm seu papel de colaboração para o desenvolvimento psicomotor, facilitando a realização dos movimentos do cotidiano e a educação rítmica da criança. Dentro de cada aparelho, desenvolve se os grupos técnicos que auxiliam desenvolvimento das séries e dá a cada aparelho sua autenticidade e beleza. Os grupos técnicos são constituídos por movimentos do corpo, contidos nos elementos corporais da GRD, com o manuseio do aparelho. Destaca-se que através da utilização dos aparelhos, a criança desenvolve sua lateralidade, sua percepção espacial, dinamismo, criatividade e expressão corporal por intermédio dos movimentos, além de segurança e confiabilidade em si própria. Alguns dos aparelhos utilizados na GRD fazem parte do cotidiano das crianças, como a corda, a bola e o arco, tornando o aprendizado dos grupos técnicos desses aparelhos de maior facilidade para se desenvolver. Os aparelhos atingem cada qual, um objetivo diferente no desenvolvimento das capacidades psicomotoras, como Bizzochi (1985) nos demonstra quando diz que: pela forma arredondada e larga dimensões, o arco facilita a aquisição e o desenvolvimento do senso no espaço, considerado como base indispensável para que se possa ordenar e formar movimentos. O trabalho com o Arco vai ainda favorecer e melhorar a tonicidade muscular, a elasticidade e a mobilidade rítmica, o fluxo sanguíneo, a organização espaço-temporal, o ritmo do movimento (tensão/relaxamento), a diversidade de movimentos e o trabalho articular. Vai levar o praticante a estender-se e alongar-se, tomando consciência do movimento. Outros fatores que colaboram para o desenvolvimento psicomotor na GRD, são o ritmo e a constituição das séries em conjunto. O ritmo, além de dar suporte ao movimento ginástico, pode também ser um instrumento de educação da criança, que é determinado pelos seguintes objetivos: adaptações a ritmos diferentes; conservar um determinado ritmo; seguir o ritmo com o corpo e a voz; memorizar e reproduzir um ritmo; identificar os compassos, os tempos fortes e fracos; e verbalizar o ritmo mediante palavras. Através desses objetivos é possível fazer com que a crianças entenda e tome consciência da importância que o ritmo tem nas nossas vidas. A constituição de séries em conjunto, auxilia no desenvolvimento da imaginação e da criatividade, na comunicação e no aspecto social da criança (inclusão social). Relacionar-se com o outro nas series de conjunto, por intermédio do ensino da GRD, é fundamental. Este relacionamento deve ser bem proporcionado para que haja uma relação entre professor-aluno, aluno-aluno e aluno-professor. Nesse aspecto as atividades psicomotoras propiciam a criança uma vivencia com espontaneidade das experiências corporais, criando uma simbiose afetiva entre professor-aluno, aluno-aluno e aluno-professor, afastando os tabus e preconceitos que influenciam negativamente as relações interpessoais. Para que todos os fatores da GRD, que auxiliam no desenvolvimento psicomotor sejam aplicados de forma eficaz, é necessário que o profissional da área de educação física, esteja realmente consciente dos objetivos da GRD, buscando sempre inovações pedagógicas e formas de atuarem em suas aulas, visando sempre o aprendizado e o desenvolvimento do aluno. Conclusão Na GRD, o desenvolvimento dos aspectos motor, social, emocional e lúdico da personalidade e a destreza dos movimentos corporais são vivenciados, por meio de atividades motoras organizadas e seqüenciais, desenvolvidas individualmente e em grupo. Afirmamos, portanto, que a GRD, por intermédio de atividades afetivas, psicomotoras e sociopsicomotoras, constitui-se num fator de equilíbrio na vida das pessoas, expresso na integração entre o espírito e o corpo, a afetividade e a energia, o individuo e o grupo, promovendo a totalidade do ser humano. Possui também um impacto positivo no pensamento, no conhecimento e ação, nos domínios cognitivos, na vida de crianças e jovens. E crianças e jovens fisicamente educados vão para uma vida ativa, saudável e produtiva, criando uma integração segura e adequado desenvolvimento de corpo, mente e espírito. Assim, a GRD, pelas suas possibilidades de desenvolver a dimensão psicomotora das pessoas, principalmente em crianças e adolescentes, conjuntamente com os domínios cognitivos e sociais, é de grande importância no ensino escolar e na vida da criança. Referências Bibliográficas: BARROS, Daisy e Nedialcova, Giurgo T. Os principais passos da Ginástica Rítmica. Rio de Janeiro: Grupo Palestra Sports. FONSECA, Vitor da, Psicomotricidade. São Paulo: Martins Fontes, 1983. PEREIRA, Sissi Aparecida Martins. Ginástica Rítmica Desportiva. Rio de Janeiro: Shape, 2000. A evolução da Ginástica Rítmica Desportiva. VELARDI, Marilio. Ginástica Rítmica: a necessidade de novos modelos pedagógicos. In: PICOLLO, Vilma Lenista (org). Pedagogia dos esportes . Campinas: Papiocus , 1999. COSTE, Jean-Claude. A Psicomotricidade. Paris: traduzido pela Presses Universitaries de France, 1981. BARROS, Daysy Regina e BARROS, Darcymires. Educação física na escola primária. Rio de Janeiro: José Olympio, 1972. LE BOULCH, Jean. Desenvolvimento psicomotor – do nascimento até os seis anos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1982. * Acadêmicos do curso de Educação Física da Universidade Estadual de Maringá |