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Construtivismo,
Tradicional
Sócio -construtivista
Montessoriana ?...
O que querem dizer nossas escolas quando propagam seguir esta ou aquela linha,
metodologia ou fundamentação pedagógica ? |
Não estamos nessa
ocasião nos atendo às diferenças teóricas entre os termos: linhas, metodologia e
métodos. Mesclamos nomenclaturas que as escolas se atribuem à existência de correntes
pedagógicas. Nos referiremos também a métodos que dizem respeito somente a
alfabetização. |

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| MONTESSORIANA |
Maria Montessori,
fisioterapeuta e educadora, desenvolveu na Itália em 1907, um sistema educacional e
materiais didáticos com o objetivo de despertar um interesse espontâneo na criança,
obtendo uma concentração natural nas tarefas, para não cansar e não chateá-la.
O método tem sua originalidade no fato das crianças ficarem livres para
movimentarem-se pela sala de aula, utilizando os materiais em um ambiente propício à
auto-educação. A manipulação destes materiais em seus aspectos multi-sensoriais é um
fator primordial para o aprendizado da linguagem, matemática, ciências e prática
de vida.
O aprendizado da leitura e da escrita se inicia mais cedo, com crianças antes da
idade de 05 anos. Os agrupamentos não seguem rígidas delimitações de idade,
juntando-se crianças de faixas etárias diferentes, em até três anos. O professor
assume um papel de observador e propulsionador dos fatores da aprendizagem.
A aprendizagem auto motivada e individualizada, é a essência do método, que procura
desenvolver a auto disciplina e a auto confiança.
Encontramos atualmente muitas escolas montessorianas, principalmente para as
crianças de educação infantil e as quatro primeiras séries do ensino
fundamental. |
| TRADICIONAL |
A pedagogia tradicional é uma
proposta de educação centrada no professor cuja função define-se por vigiar os alunos,
aconselhá-los, ensinar a matéria e corrigí-la. A metodologia decorrente de
tal concepção tem como princípio a transmissão dos conhecimentos através da aula do
professor, freqüentemente expositiva, numa seqüência predeterminada
e
fixa, enfatiza a repetição de exercícios com exigências de memorização .
Valoriza o
conteúdo livresco e a quantidade. O professor fala, o aluno ouve e aprende. Não
propicia ao sujeito que aprende um papel ativo na construção dessa aprendizagem, que é
aceita como vinda de fora para dentro. Muitas vezes não leva em consideração o
que a criança aprende fora da escola, seus esforços espontâneos, a construção
coletiva.
A figura do professor como detentor do saber é uma força motriz nessas
escolas.
A função primordial da escola, nesse modelo, é transmitir conhecimentos
disciplinares para a formação geral do aluno, formação esta que o levará, ao
inserir-se futuramente na sociedade, a optar por uma profissão valorizada.
Na maioria das
escolas essa prática pedagógica se caracteriza pela sobrecarga de informações que são
veiculadas aos alunos, o que torna o processo de aquisição de conhecimento, muitas vezes
burocratizado e destituído de significação.
A postura da escola se
caracteriza como conservadora. No processo de alfabetização, apoia-se
principalmente nas técnicas para codificar/decodificar a escrita. A escrita espontânea
da criança em fase de alfabetização não é levada em conta,
sendo a cartilha
seqüencialmente seguida, a base do processo de alfabetização. |
| RENOVADA |
A "pedagogia renovada"
é uma concepção que inclui várias correntes que, de uma forma ou de outra, estão
ligadas ao movimento da Escola Nova ou Escola Ativa. Tais correntes, embora admitam
divergências, assumem um mesmo princípio norteador de valorização do indivíduo como
ser livre, ativo e social.
O centro da atividade escolar não é o professor, nem os
conteúdos disciplinares, mas sim o aluno, como ser ativo e curioso. O mais
importante não é o ensino, mas o processo de aprendizagem.
Em oposição
à Escola Tradicional, a Escola Nova destaca o princípio da aprendizagem por descoberta e
estabelece que a atitude de aprendizagem parte do interesse dos alunos, que, por sua vez,
aprendem fundamentalmente pela experiência, pelo que descobrem por si mesmos. O professor
é visto, então, como facilitador no processo de busca de conhecimento que deve partir do
aluno.
Cabe ao professor organizar e coordenar as situações de aprendizagem, adaptando suas
ações às características individuais dos alunos, para desenvolver suas capacidades e
habilidades intelectuais.
A idéia de um ensino guiado pelo interesse dos alunos acabou, em muitos
casos, por desconsiderar a necessidade de um trabalho planejado, perdendo-se de vista o
que deve ser ensinado e aprendido.
Essa tendência, que teve grande
penetração no Brasil na década de 30, no âmbito do ensino pré-escolar (jardim de
infância), até hoje influencia muitas práticas pedagógicas. |
| TECNICISMO |
Nos anos 70 desenvolveu-se acentuadamente o que
se chamou de "tecnicismo educacional",
inspirado nas teorias
behavioristas da aprendizagem e da abordagem sistêmica do ensino, que definiu uma
prática pedagógica altamente controlada e dirigida pelo professor, com atividades
mecânicas inseridas numa proposta educacional rígida e passível de ser totalmente
programada em detalhes. A supervalorização da tecnologia programada de ensino trouxe
conseqüências: a escola se revestiu de uma grande auto-suficiência, reconhecida por ela
e por toda a comunidade atingida, criando assim a falsa idéia de que aprender não é
algo natural do ser humano, mas que depende exclusivamente de especialistas e de
técnicas. O que é valorizado nessa perspectiva não é o professor, mas a
tecnologia, o professor passa a ser um mero especialista na aplicação de manuais e sua
criatividade fica restrita aos limites possíveis e estreitos da técnica utilizada.
A função do aluno é reduzida à um indivíduo que reage aos estímulos de forma a
corresponder às respostas esperadas pela escola, para ter êxito e avançar. Seus
interesses e seu processo particular não são considerados e a atenção que recebe é
para ajustar seu ritmo de aprendizagem ao programa que o professor deve implementar. Essa
orientação foi dada para as escolas pelos organismos oficiais durante os anos 60, e até
hoje está presente em muitos materiais didáticos com caráter estritamente técnico e
instrumental. |
| LIBERTADORA |
No final dos anos 70 e início dos 80, a abertura
política decorrente do final do regime militar coincidiu com a intensa mobilização dos
educadores para buscar uma educação crítica a serviço das transformações sociais,
econômicas e políticas, tendo em vista a superação das desigualdades existentes no
interior da sociedade. Ao lado das denominadas teorias crítico-reprodutivistas, firma-se
no meio educacional a presença da "pedagogia libertadora" e da
"pedagogia crítico-social dos conteúdos", assumida por educadores de
orientação marxista.
A "pedagogia libertadora" tem suas origens nos movimentos de educação popular
que ocorreram no final dos anos 50 e início dos anos 60, quando foram interrompidos pelo
golpe militar de 1964; teve seu desenvolvimento retomado no final dos anos 70 e início
dos anos 80. Nessa proposta, a atividade escolar centra-se em discussões de
temas sociais e políticos e em ações sobre a realidade social imediata;
analisam-se os problemas, seus fatores determinantes e organiza-se uma forma de atuação
para que se possa transformar a realidade social e política. O professor é
um coordenador de atividades que organiza e atua conjuntamente com os alunos.
Esse movimento esteve muito mais presente em escolas públicas de vários níveis e em
universidades, do que em escolas privadas. |
CRÍTICO-
SOCIAL DOS
CONTEÚDOS |
A "pedagogia
crítico-social dos conteúdos" que surge no final dos anos 70 e início dos
80 se põe como uma reação de alguns educadores que não aceitam a pouca relevância que
a "pedagogia libertadora" dá ao aprendizado do chamado "saber
elaborado", historicamente acumulado, e que constitui parte do acervo cultural da
humanidade.
A "pedagogia crítico-social dos conteúdos" assegura a função social e
política da escola através do trabalho com conhecimentos sistematizados, a fim de
colocar as classes populares em condições de uma efetiva participação nas lutas
sociais. Entende que não basta ter como conteúdo escolar as questões sociais atuais, mas
que é necessário que se tenha domínio de conhecimentos, habilidades e capacidades mais
amplas para que os alunos possam interpretar suas experiências de vida e defender seus
interesses de classe. |
PIAGETIANA
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A partir dos anos 80 surge com maior evidência um
movimento que pretende a integração entre tendências que tinham um viés mais
psicológico e outras cujo viés era mais sociológico e político.Se há necessidade de
ter preocupações com o domínio de conhecimentos formais para a
participação crítica na sociedade, considera-se também necessária uma adequação
pedagógica às características de um aluno que pensa, de um professor que sabe e aos
conteúdos de valor social e formativo.
Esse momento se caracteriza pelo enfoque centrado no caráter social do
processo de ensino e aprendizagem e é marcado pela influência da psicologia
genética.
Esse enfoque trouxe para a questão pedagógica aspectos relevantes, principalmente no que
diz respeito à maneira como entender as relações entre desenvolvimento e aprendizagem,
à importância da relação interpessoal nesse processo, à relação entre cultura e
educação e ao papel da ação educativa ajustada às situações de aprendizagem e às
características da atividade mental construtiva do aluno em cada momento de sua
escolaridade.
A psicologia genética propiciou aprofundar a compreensão sobre o processo de desenvolvimento
na
construção do conhecimento. Compreender os mecanismos pelos quais as crianças constroem
representações internas de conhecimentos construídos socialmente, em uma perspectiva
psicogenética, traz uma contribuição para além das descrições dos grandes estágios
de desenvolvimento.
A teoria epistemológica de Piaget e seus seguidores, e as suas significativas
descobertas, acarretou desvios por parte de pedagogos que passaram a "criar"
teorias piagetianas para a educação, como se o próprio Piaget as tivesse elaborado, o
que não ocorreu. A pedagogia, neste sentido, não fazia parte dos objetivos de suas
pesquisas.
Assim encontramos inúmeras escolas que se autopromovem dizendo-se piagetianas, sem que
apliquem em suas abordagens metodológicas os princípios decorrentes das pesquisas de
Piaget sobre a teoria do conhecimento, a evolução do pensamento até a adolescência. |
| CONSTRUTIVISTA |
A pesquisa sobre
a psicogênese da
língua escrita chegou ao Brasil em meados dos anos 80 e causou grande
impacto, revolucionando o ensino da língua nas séries iniciais e, ao mesmo tempo,
provocando uma revisão do tratamento dado ao ensino e à aprendizagem em outras áreas do
conhecimento. Essa investigação evidencia a atividade construtiva do aluno
sobre a língua escrita, objeto de conhecimento reconhecidamente escolar, mostrando a
presença importante dos conhecimentos específicos sobre a escrita que a criança já tem
e que embora não coincidam com o dos adultos, têm sentido para ela.
Segundo Schnitman: "O construtivismo é uma teoria post- objetiva do conhecimento que
defende que o observador participa de suas observações e que constrói e não descobre
uma realidade, questionando assim os conceitos de verdade, objetividade e
realidade".( Texto não publicado).
A metodologia utilizada nessas pesquisas foi muitas vezes interpretada como uma proposta
de pedagogia construtivista para alfabetização, o que expressa um duplo equívoco:
redução do construtivismo à uma teoria psicogenética de aquisição de língua escrita
e transformação de uma investigação acadêmica em método de ensino. Com esses
equívocos, difundiram-se, sob o rótulo de pedagogia construtivista, as idéias de que
não se devem corrigir os erros e de que as crianças aprendem fazendo "do seu
jeito". Essa pedagogia, dita construtivista, trouxe sérios problemas ao processo de
ensino e aprendizagem, pois desconsidera a função primordial da escola que é ensinar,
intervindo para que os alunos aprendam o que, sozinhos, não têm condições de aprender.
Em relação estritamente a alfabetização podemos, nesse caso, dizer segundo Terezinha
Nunes, "talvez a contribuição mais significativa que o construtivismo já ofereceu
à alfabetização (foi) auxiliar as alfabetizadoras na tarefa de compreender as
produções da criança e saber respeitá-las como construções genuínas, indicadoras de
progresso, e não como erros absurdos. Nesse sentido, podem-se destacar dois momentos em
alfabetização: antes e depois dos trabalhos de Emilia Ferreiro". Não existe um
método construtivista para a educação, no sentido em que é propalado pelas escolas.
No construtivismo a maneira de construir o saber é muito ampla, incluindo
realmente as idéias de descobrir, inventar, redescobrir,
criar; sendo que aquilo que se faz é tão importante quanto
o como e porque fazer.o como e porque
fazer.
Não devemos nos esquecer que a ação se dará no sentido de
compreender, atribuir um sentido, que está na dependência das estruturas mentais que se
têm.
Saiba mais sobre Construtivismo
Como se conhece no construtivismo ?
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MÉTODO
SINTÉTICO |
Utilizado para se referir a maneira com que se
alfabetiza uma criança. É mais usado pura e rigidamente em escolas que adotam
metodologias e posturas tradicionais.
Parte de elementos mais simples (Letra, fonema ou sílaba) que serão combinados, formando
palavras e sentenças.
Pode ser: Alfabético, Fônico ou Silábico. Saiba mais! |
| GLOBAL |
Tem como ponto de partida elementos significativos,
unidades de sentido (palavras, sentenças ou contos) que, analisados em suas diferenças e
semelhanças, levarão ao conhecimento dos elementos fonéticos. Este conhecimento
habilitará o aluno a formar e identificar novas palavras.
Pode ser: Palavração, Sentenciação, Contos, Unidades de
experiências. Ainda encontramos o chamado Analítico-sintético
que
faz uma mescla, partindo da palavra para a sílaba e depois a letra, num movimento de
análise e síntese. |
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Os problemas e impasses do cotidiano de nossos professores não são resolvidos com
postulados teóricos. Sabemos que há necessidade de uma ação-reflexão grupal
para a compreensão desses problemas e a busca de soluções.
As teorias estudadas desarticuladamente nos cursos de formação de professores, parecem
que não são incorporadas, discutidas e refletidas para que a ação docente seja
exercida com consciência do posicionamento que perpassa essa ação, em que ela está
fundamentada, o porquê de "ensinar-se" desta ou daquela maneira.
Um curso de formação de professores, ou de educação permanente, deveria possibilitar
o confronto entre as diversas abordagens do processo ensino-aprendizagem, repensando-as em
seus pontos de intersecção.
Ao mesmo tempo oportunizar ao
professor uma análise de seu fazer pedagógico, a fim de que ele se
conscientizasse de sua ação e pudesse, não só interpretá-la e contextualizá-la, mas
também buscar superá-la constantemente.
No artigo que apresentaremos a seguir fizemos uma breve síntese dessas diferentes
abordagens do processo, enfocando as características gerais, o modelo de homem, sociedade
e cultura, educação, escola, metodologia, avaliação, etc., tentando ajudar, ao
possibilitar um ponto de partida a reflexão de nossos estudantes e professores, ao
qual chamamos de "Pedagogias:
Abordagem Comparativa".
Vera Lúcia Camara Zacharias é mestre em Educação,
Pedagoga, consultora educacional, assessora diversas
instituições, profere palestras e cursos, criou e é
diretora do CRE.
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