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Sabemos que a resposta do ser humano ao desafio da
existência está ligada à sua formação individual, ao conhecimento que tem
de si mesmo; de suas possibilidades e limitações e à consciência da vida
em comunidade, considerando aqui os relacionamentos interpessoais e o
resultado de seus pensamentos e emoções, atitudes e abstenções.
A cultura vem a
designar o conjunto dos modos de vida criados e transmitidos de uma para
outra geração, entre os componentes de determinada sociedade, abrangendo
conhecimentos, normas, costumes, crenças, artes e vários outros elementos
adquiridos socialmente pelos homens. Dessa forma, abarca o que pensamos,
fazemos e temos como membros de um grupo social que oferece uma resposta
ao desafio da existência, resposta que traduz seus conceitos, valores,
símbolos e atitudes e que se manifesta em termos de conhecimento, paixão e
comportamento, razão, sentimento e ação.
A geração dos nascidos
nos anos de 1950, principalmente, vivenciou uma infância ao mesmo tempo em
que ingênua, muito mais rígida, uma vez que os adultos concentravam o
poder e destinavam principalmente a si próprios os benefícios de seu
trabalho, os melhores lugares à mesa, os melhores pedaços de carne e
sobremesa. Davam as ordens, escolhiam os passeios, as roupas dos filhos e
daí por diante.
De lá para cá muita
coisa mudou; hoje temos novas condições urbanas oriundas da globalização,
condições que modificaram por completo nossos parâmetros da experiência e
da percepção do tempo e do espaço, sufocados pelo desenvolvimento da
técnica e dos meios de comunicações e transportes, que provocaram
reavaliações nos modos de vivenciar e representar o mundo. E nós, dos
anos 50, e também dos anos 60, filhos do autoritarismo e contemporâneos
dos hippies e sua paz e amor, que havíamos decidido ser condescendentes
com nossos filhos e dar-lhes aquilo que não tivemos e que achávamos ser
fundamental para um desenvolvimento saudável, feliz, sem traumas
...despertamos de nosso sono ou sonho e constatamos que os criamos não
tão fortes nem tão felizes como gostaríamos. Que, muitas vezes, não fomos
rígidos e coerentes o suficiente para impor-lhes limites e, com isso,
favorecer-lhes a capacidade de adaptação a situações de risco, com as
quais convivemos diuturnamente.
Não adianta, agora,
lamentar, mas enfrentar a situação com lucidez, tendo claro que a
violência é uma constante na nossa sociedade e que o impulso de aumentar
ainda mais a proteção em volta de nossos filhos, intensificar a vigilância
e a tutela sobre suas vidas não vai amenizar o problema para eles, e
muito menos para nós, pois todos atravessamos este período violento, de
desrespeito à integridade física e emocional dos sujeitos, o que exige
respostas conjuntas advindas de reflexões a respeito de percursos
educativos a serem compartilhados.
Que percursos são
esses? Perguntamos constantemente.
Temos consciência de
que não existem regras preestabelecidas ou detalhadas instruções
infalíveis para todo e qualquer problema. Importante é avaliar cada
situação à medida que ela ocorra, em conjunto com os envolvidos,
valorizando o bom relacionamento com nossos filhos, dedicando-lhes e
exigindo em contrapartida atenção, respeito, afeto. É fundamental ouvir
seus questionamentos e argumentar com eles, instando-os a refletir sobre
diferentes saídas para situações cotidianas, alertando-os contra
preconceitos, consumismo, indolência e, o que é mais importante, dando o
exemplo de cidadania, ética e coerência, uma vez que a vida diária
proporciona um aprofundamento das relações e oportuniza interações.
Há que se lhes oferecer
as ferramentas necessárias à apropriação crítica de conhecimentos, visando
a uma relação competente com tecnologias da informação, bem como a
consolidação de valores e atitudes básicas.
Adultos que somos,
conhecedores das inconstâncias e ansiedades características da infância e
adolescência; das necessidades que têm de se afirmarem, de confrontarem a
autoridade, de lutarem pela própria autonomia e procurarem realizar seus
anseios, precisamos ter nossa atenção multiplicada na educação, desde a
mais tenra idade, possibilitando-lhes que aprendam a se defender dos
riscos, a se proteger sempre que preciso e a solicitar ajuda a fim de
superar obstáculos .
Não é fácil, mas se
assim fizermos, estaremos dando nossa contribuição para que as próximas
gerações contem, cada vez mais, com sujeitos decididos, prudentes,
equilibrados, solidários o suficiente para superar o caos atual.
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