A validade da educação especial se justifica na certeza da
importância da educação para todos. Assim, para alguns, ela deve se
desenvolver de forma especial, para atender às diferenças individuais dos alunos,
através da diversificação dos serviços educacionais.
A educação consiste em um trabalho que visa desenvolver as
oportunidades para que cada um venha a ser uma pessoa em toda a sua plenitude, apoiando-se
nos recursos da pessoa, mediante a consideração de suas necessidades e fraquezas, suas
forças e esperanças.
O princípio está na capacidade de crescimento do ser humano, que é ilimitada.
Crianças com necessidades especiais
são aquelas que, por alguma espécie de limitação requerem certas modificações ou
adaptações no programa educacional, a fim de que possam atingir seu potencial máximo.
Essas limitações podem decorrer de problemas visuais, auditivos, mentais ou motores, bem
como de condições ambientais desfavoráveis.
Principalmente a partir da década de 60, tem-se uma clara
compreensão da
importância e significação dos anos pré-escolares no desenvolvimento de um padrão de
comportamento para toda a vida. Para as crianças com deficiências, a
educação pré-escolar torna-se ainda mais necessária, pois oportuniza que
desfrutem ao máximo todas as possibilidades de um ambiente educacional organizado,
aproveitando ainda os benefícios do convívio com outras crianças.
É a presença de necessidades educacionais especiais
que irá indicar se um aluno deve receber educação especial, e não apenas a presença
de uma deficiência ou superdotação, pois, a existência de uma deficiência, não torna
obrigatório que seu portador não possa ser bem atendido mediante os processos comuns de
educação.
Após a realização de um diagnóstico educacional por uma equipe interdisciplinar,
pode-se recomendar, de acordo com cada caso, a educação especial.
As situações de ensino são especiais,
quando utilizam recursos físicos e materiais especiais, profissionais com preparo
específico e alguns aspectos curriculares que não são encontrados nas situações
comuns.
Diagnóstico e Classificação
Os termos: diagnósticos, classificação, avaliação,
testagem, são utilizados e definidos de diferentes maneiras nas
várias áreas: médica, psicológica, educacional etc.
O diagnóstico educacional consiste na utilização de recursos, meios e técnicas para
analisar e avaliar as situações educacionais, os problemas e as dificuldades dos alunos,
bem como, tomar conhecimento de suas causas para prevení-las e corrigí-las, quando
possível.
Todo diagnóstico tem duas funções básicas:
1- Localizar e analisar as causas das dificuldades dos alunos em todas as áreas das
suas atividades.
2- Identificar e avaliar as áreas de aprendizagem e ajustamento, tanto as positivas,
quanto as negativas.
Classificação e Caracterização dos Alunos
Excepcionais ou Portadores de Necessidades Especiais
São inúmeras as desvantagens e desvios existentes na classificação de pessoas em
categorias, mas, elas acabam tornando-se necessárias, principalmente do ponto de vista da
administração do Sistema Educacional.
- A classificação abaixo, decorre do modelo clínico,
combinado sempre que possível ao modelo educacional.
- Excepcionais Intelectuais
1.1- Superdotados
1.2- Deficientes mentais
a) educáveis
b) treináveis
c) dependentes
2. Excepcionais por desvios físicos
2.1- Deficientes físicos não sensoriais
2.2- Deficientes físicos sensoriais
a) deficientes auditivos
b) deficientes visuais
3. Excepcionais psicossociais
3.1- alunos com distúrbios emocionais
3.2- alunos com desajustes sociais
4. Excepcionalidade múltipla
4.1- alunos com mais de um tipo de desvio
Recursos Educacionais Especiais
É de extrema importância que sejam consideradas primeiramente todas as possibilidades
de utilização da escola comum, como um recurso integrado com outras formas de
atendimento que o aluno tenha necessidade.
Nos estados e municípios do Brasil, com suas extremas diferenças de estrutura e
distribuição de renda, encontramos locais com boas situações de atendimento a esses
alunos, até aqueles locais, que quase não dispõem de condições de atendimento
adequado à faixa de sua população escolarizável, quanto mais à alunos portadores de
alguma necessidade especial.
Os recursos mais freqüentemente encontrados são:
1.- Ensino Itinerante
Prestação de serviços, por um professor especializado, que visita várias escolas
comuns que recebem alunos excepcionais. Esse professor especializado atende tanto aos
professores, para orientá-los, quanto aos próprios alunos.
2. - Sala de Recursos
É uma sala que conta com materiais e equipamentos especiais, na qual o professor
especializado, fixo na escola, auxilia os alunos nos aspectos específicos em que precisam
de ajuda para manterem-se na classe comum. Na maioria dos locais esse profissional também
presta atendimento aos professores das classes comuns, aos demais profissionais da escola
e à família dos alunos.
3. - Classe Especial
Instalada em escola comum, caracteriza-se pelo agrupamento de alunos classificados como da
mesma categoria de excepcionalidade, que estão sob a responsabilidade de um professor
especializado. Tem sido mais utilizada para alunos deficientes mentais educáveis.
4. - Escola Especial ou Educação Especial
É aquela que foi organizada para atender específica e exclusivamente a alunos
excepcionais. Algumas atendem apenas a um tipo de excepcionalidade, outras já atendem a
diferentes tipos. Tem sido bastante criticadas por reduzir o convívio do aluno
excepcional com outras crianças não portadoras de desvios, bem como pelo estigma de que
são objetos tanto a escola, como seus alunos. É importante que nos lembremos que sempre
existirão alunos que necessitam desse tipo de atendimento.
Educação Especial no Estado de São Paulo
O atendimento a alunos excepcionais no Estado de São Paulo, é feito por
serviços estaduais, municipais e particulares. A grande maioria dos
serviços existentes destina-se ao atendimento de portadores de deficiências mentais,
auditivas, visual e físicas não sensoriais.
O atendimento realizado por particulares, em grande parte, é realizado por meio de
instituições assistenciais sem fins lucrativos, que mantém convênios com órgãos
públicos. Normalmente atendem crianças que apresentam comprometimentos que requerem
serviços complementares aos educacionais.
Destacam-se as Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais- APAE; a Sociedade
Pestalozzi de São Paulo, a Fundação para o Livro do Cego, a Associação de
Assistência à Criança Defeituosa - AACD, o Lar Escola São Francisco, etc.
A educação especial no Estado de São Paulo, atende às normas fixadas pelo
Conselho Estadual de Educação.
E o que diz a principal Lei da nação quanto à
Educação Especial ?
A Educação Especial na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional -
Lei 9394 de 20 de dezembro de 1996
Capítulo V- Da Educação Especial- (Artigos 58 ao 60)
A lei entende como educação especial a modalidade de educação escolar,
oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de
necessidades especiais. Haverá, quando necessário, serviços de apoio
especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de
educação especial. O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou
serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas do aluno,
não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular.
A oferta de educação especial é dever constitucional do Estado e tem
início na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil, devendo os
sistemas de ensino assegurarem aos educandos com necessidades especiais, currículos,
professores e outras condições de organização escolar adequadas às necessidades,
inclusive dos superdotados.
- Em todo o mundo se iniciou um processo de reintegração da criança portadora de
deficiências ou distúrbios de aprendizagem na Escola e classes comuns.
O nome desse movimento mundial é Educação
Inclusiva,
que propõe o atendimento da criança em classes comuns, garantindo-se as especificidades
necessárias, com um atendimento de um professor especialista ao professor da classe
comum.
O mais importante documento que norteia a Educação Inclusiva é a
Declaração
de Salamanca.
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Esta, é ao mesmo tempo, uma Declaração de Direitos e uma proposta de ação. Surgiu
na Conferência Mundial, patrocinada pela UNESCO em junho de 1994, em Salamanca, na
Espanha.
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Tem como objetivo maior garantir o direito a todos os alunos, com qualquer grau de
deficiência ou distúrbio de aprendizagem, ao que comumente chamamos e Educação Comum.
Vera Lúcia Camara Zacharias é mestre em Educação,
Pedagoga, consultora educacional, assessora diversas
instituições, profere palestras e cursos, criou e é
diretora do CRE.
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