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O que significa ser
aluno da escola média neste início de século XXI?

Vejamos:
Preparar para a vida
Uma das primeiras respostas à pergunta acima, frente às
profundas desigualdades da sociedade em que vivemos, poder-se-ia responder
que antes de tudo se trata de uma oportunidade. Em tempos de exclusão, os
jovens que possuem escolarização contam com uma oportunidade que deveria
ser aproveitada por todos os atores institucionais.
"Preparar para a vida" é um lema que faz parte da tradição
pedagógica tanto quanto as críticas que a escola recebe por deixar de
cumprí-lo, por deixar a realidade fora de seu espaço, fora de seus muros.
Deste modo, ser aluno deste século assume também o significado de aprender
em um contexto no qual a realidade invade os espaços escolares de um modo
ou de outro. Para muitos alunos essa invasão se mostra sob formas tais
como a falta de esperança, a desmotivação, a tentativa de romper com as
normas da instituição, enfim, o questionamento dos valores e modelos
escolares.
Como então dar conta da tarefa de preparar estes jovens?
Podemos colocar que inicialmente, a escola deveria procurar
tomar consciência acerca da realidade social em que vivemos, ou seja,
procurar compreender profundamente a realidade como via fundamental para
nela, a realidade, realizar suas funções.
É claro que não estamos dizendo que preparar para as
diversas exigências destes tempos seja preparar para o mercado de
trabalho, ou para a universidade ou para qualquer tipo de atividades com
que os jovens poderão se deparar no futuro.
O que estamos querendo dizer é que se trata de transformar
a escola em uma instituição que desenvolva atividades de tal modo que
permita aos alunos desenvolverem as competências necessárias para
enfrentar o porvir, porém, de um modo adequado à etapa de vida que os
adolescentes atravessam. Em essência, trata-se de criar condições para que
eles possam desenvolver competências e apreender valores que lhes permitam
viver sua adolescência em melhores condições e adquirirem as ferramentas
necessárias para que possam apropriarem-se do conhecimento socialmente
construído, recriando-os frente as mais diversas situações. Uma
aprendizagem ligada a aspectos significativos da realidade, desenvolvendo
as habilidades intelectuais de observação, análise, compreensão,
avaliação, extrapolação e cooperação na busca de soluções para problemas
comuns.
Que competências desenvolver?
Entre as competências que a escola deveria ajudar os jovens
a desenvolver estão principalmente aquelas ligadas ao conhecimento
científico e às competências de comunicação.
A compreensão do caráter provisório do conhecimento, o
saber diferenciar entre opiniões e evidências, a análise e a organização
de informações, entre tantas outras, contribuem de forma significativa
para a modificação de sua visão de mundo. Atividades que refinem a
capacidade de observação e de formular perguntas, que orientem o trabalho
com os dados, a compreensão de representações gráficas, a interpretação
precedida pela análise da informação, a leitura crítica das mensagens do
mundo, são algumas das tantas alternativas disponíveis.
O que chamamos de competências comunicativas permitem fazer
dos alunos leitores habituais de todos os tipos de textos, preparando-os
para interagir com as novas tecnologias da comunicação, desenvolvendo a
capacidade de análise de uma realidade que é cada vez mais complexa,
privilegiando ainda a capacidade de comunicar-se no grupo, capacidade, que
entre outras, é uma exigência do mundo do trabalho atual. Na escola, a
prática do verdadeiro trabalho grupal oferece a possibilidade de exercitar
a interação com os outros e ao mesmo tempo internalizar valores sociais.
Questões como a necessidade de negociar critérios e tempos
de trabalho, de distribuição de tarefas entres os membros do grupo, de
explicar uma idéia aos colegas, de discutir sobre a tomada de decisões
colocam em jogo competências relacionadas às comunicações e também a
internalização de determinados valores, tais como: o respeito aos colegas
e às idéias diferentes, o reconhecimento de capacidades diversas, a
possibilidade de reconhecer os próprios erros, entre muitas outras.
Constitui-se numa importante tarefa do professor orientar a
reflexão acerca destes valores, procurar que a participação dos alunos no
grupo seja eqüitativa, avaliar e também propor a auto-avaliação não
somente dos conteúdos e competências adquiridas como também dos valores
colocados nas diferentes situações experenciadas.
A escola deve contribuir para gerar a aquisição de valores
democráticos e critérios de autonomia, solidariedade e compromisso com a
sociedade. Os alunos necessitam que a escola , como instituição, defina
normas claras de funcionamento e as explicite para que saibam como se
espera que se comportem, e por outro lado, necessitam vivenciar estas
normas como imprescindíveis para a vida em sociedade.
Formar jovens com sentido de responsabilidade é prepará-los
para serem adultos autônomos, e isto é importante, principalmente para
aqueles que necessitarão lutar por um "lugar" na sociedade.
Profª. Ms. Vera Lúcia Camara Zacharias
Vera Lúcia Camara Zacharias é mestre em Educação,
Pedagoga, consultora educacional, assessora diversas
instituições, profere palestras e cursos, criou e é
diretora do CRE.
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