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Para Piaget os estágios e períodos do desenvolvimento caracterizam as
diferentes maneiras do indivíduo interagir com a realidade, ou seja, de organizar seus
conhecimentos visando sua adaptação, constituindo-se na modificação progressiva dos
esquemas de assimilação. Os estágios evoluem como uma espiral, de modo que cada
estágio engloba o anterior e o amplia. Piaget não define idades rígidas para os
estágios, mas sim que estes se apresentam em uma seqüência constante.
Ângela M. Brasil Biaggio, em
Psicologia do Desenvolvimento, Petrópolis, Vozes, 1976,
traça um esquema muito claro do desenvolvimento intelectual, segundo Piaget, discorrendo
sobre os estágios propostos por ele:
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Estágio sensorio-motor, mais ou
menos de 0 a 2 anos: a atividade intelectual da criança é de natureza sensorial e
motora. A principal característica desse período é a ausência da função semiótica,
isto é, a criança não representa mentalmente os objetos. Sua ação é direta sobre
eles. Essas atividades serão o fundamento da atividade intelectual futura. A
estimulação ambiental interferirá na passagem de um estágio para o outro.
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Estágio pré-operacional, mais
ou menos de 2 a 6 anos: (Biaggio destaca que em algumas obras Piaget engloba o estágio
pré-operacional como um subestágio do estágio de operações concretas): a criança
desenvolve a capacidade simbólica; "já não depende unicamente de suas sensações,
de seus movimentos, mas já distingue um significador(imagem, palavra ou
símbolo) daquilo que ele significa(o objeto ausente), o significado". Para
a educação é importante ressaltar o caráter
lúdico do pensamento simbólico.
Este período caracteriza-se: pelo egocentrismo: isto é, a criança
ainda não se mostra capaz de colocar-se na perspectiva do outro, o pensamento
pré-operacional é estático e rígido, a criança capta estados momentâneos, sem
juntá-los em um todo; pelo desequilíbrio: há uma
predominância de
acomodações e não das assimilações; pela irreversibilidade: a
criança parece incapaz de compreender a existência de fenômenos reversíveis, isto é,
que se fizermos certas transformações, somos capazes de restaurá-las, fazendo voltar ao
estágio original, como por exemplo, a água que se transforma em gelo e aquecendo-se
volta à forma original.
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Estágio das operações concretas,
mais ou menos dos 7 aos 11 anos: a criança já possui uma organização mental integrada,
os sistemas de ação reúnem-se em todos integrados. Piaget fala em operações de
pensamento ao invés de ações. É capaz de ver a totalidade de diferentes
ângulos. Conclui e consolida as conservações do número, da substância e do peso.
Apesar de ainda trabalhar com objetos, agora representados, sua
flexibilidade de pensamento permite um sem número de aprendizagens.
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Estágio das operações formais,
mais ou menos dos 12 anos em diante: ocorre o desenvolvimento das operações de
raciocínio abstrato. A criança se liberta inteiramente do objeto, inclusive o
representado, operando agora com a forma (em contraposição a conteúdo), situando o real
em um conjunto de transformações. A grande novidade do nível das operações formais é
que o sujeito torna-se capaz de raciocinar corretamente sobre proposições em que não
acredita, ou que ainda não acredita, que ainda considera puras hipóteses. É capaz de
inferir as conseqüências.
Tem início os processos de pensamento hipotético-dedutivos.
Vera Lúcia Camara F. Zacharias é mestre em
educação, pedagoga, , com vasta experiência
na área educacional em geral, e na assessoria e capacitação de
profissionais das mais diversas áreas.
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