|
A atividade
física constitui um dos principais fatores de prevenção de doenças,
principalmente as ortopédicas e cardíacas, mas também previne da
depressão e stress, uma vez que não envolve somente o coração,
pulmões e músculos, mas, também a mente, exigindo certo grau de
prontidão mental e de estabilidade emocional, estimulando a
movimentação, agilidade e interação.
Felizmente, o
Brasil vem se destacando como um dos principais países do mundo a
promover a atividade física, o que é bastante benéfico para a
população e, também, para os profissionais que se dedicam a tal
mister.
Destaco, neste
breve artigo, a importância da fisioterapia,
cujos profissionais atuam nas áreas de prevenção e tratamento de
doenças, melhorando a qualidade de vida das pessoas e sua locomoção,
possibilitando-lhes interagir com mais segurança em relação ao
ambiente, visando, também, manter as atividades da vida diária (AVDS)
e o bem estar daqueles que se encontram com maior comprometimento,
oferecendo-lhes oportunidades de se manifestar através da expressão
corporal, interagindo com o fisioterapeuta e, sempre que possível,
com demais participantes, inclusive de equipe multidisciplinar,
dedicada, também, a atividades de socialização e lazer, com a
finalidade de preservar a integridade do paciente.
Os estudos
sobre o ser humano, seu corpo e mente, aperfeiçoam-se a cada dia, a
ponto de indicar que a doença de uma pessoa revela, de maneira
bastante significativa, o modo como ela vive, seus hábitos e
costumes, as condições de vida a que foi submetida. Podemos dizer
que a história de sua vida fica marcada pela forma com que ela lida
com as dificuldades, bem como os recursos que consegue mobilizar
para enfrentar situações de risco, como as doenças, e superá-las.
Neste sentido, pode-se perceber se o sujeito está em busca de corpo
e mente saudáveis.
No caso de
paciente que apresenta lesão muscular ou doença neurológica e inicia
o tratamento de fisioterapia, mas o interrompe antes de receber
alta; de estar totalmente liberado para os afazeres normais diários,
seu corpo, após algum tempo, começa a manifestar as conseqüências da
não efetivação do tratamento total, sentindo efeitos como: dor,
atrofia muscular, perda de massas, diminuição da amplitude de
movimento (ADM) e, até mesmo, nos casos mais sérios, como os de
acidente vascular encefálico (AVE), deformidades ósseas graves.
No que diz
respeito a paciente com AVE que faz tratamento fisioterapêutico por
algum tempo, mas não dá continuidade, as conseqüências são
praticamente imediatas, uma vez que, enquanto ele permaneceu em
tratamento, o fisioterapeuta mantinha o seu condicionamento físico;
mantinha as suas vias aéreas (pulmão) bem ventiladas. Também evitava
a atrofia do(s) membro(s) afetado(s) pelo acidente vascular
encefálico através de exercícios cinesioterápicos específicos. Ao
interromper o tratamento, volta a apresentar os graves sintomas
iniciais. Por isso, fazer fisioterapia é muito mais que fazer um
tratamento; é investir em melhores condições de ação e reação.
Hoje em dia, a
fisioterapia avançou muito, dispondo de inúmeros novos recursos,
como próteses, órteses, eletroanalgesia, cirurgias botox etc.
Conseqüentemente, um paciente que procure um serviço de fisioterapia
sério, comprometido em oferecer a cada pessoa o melhor e mais
adequado atendimento possível para o seu caso, conseguirá uma boa
recuperação, de acordo com sua patologia, sobretudo se ele for
perseverante, dando continuidade ao tratamento até finalizá-lo.
Crianças que
tiveram sofrimento fetal, como diminuição de aporte sanguíneo na
região cerebral, podem apresentar sintomas neurológicos, que
acarretam problema de psicomotricidade. Nestas crianças, alguns
padrões neurológicos primitivos da própria idade, como o Reflexo de
Moro, o Reflexo de Galant e o Reflexo de Esgrimista, permanecem por
mais tempo, prejudicando seu desenvolvimento. A fisioterapia vai
atuar no tratamento desses casos através da estimulação motora,
procurando diminuir ou eliminar a assimetria, colaborando para que
essa criança alcance a sua independência. Com tal estimulação, a
criança consegue eliminar alguns padrões e, na medida do possível,
conquistar melhor qualidade de vida. Ao contrário, quando tais
crianças não são adequadamente estimuladas, esses padrões
neurológicos persistem, prejudicando seu desenvolvimento
neuropsicomotor.
O profissional
fisioterapeuta terá que conquistar a confiança da criança,
interagindo amistosamente com ela, que, dessa forma, passará a
colaborar com o tratamento. Através de movimentos e manobras
adequadas, corretas, o paciente começará a perder esses reflexos
primitivos, e pode atingir o seu desenvolvimento motor normal,
conforme o caso. Porém, há uma idade certa para que tais ganhos
ocorram, pois a criança com distúrbio de psicomotricidade tem seu
tempo ideal para agir, reagir, buscar novos pontos cerebrais para
substituir os lesados, no caso da paralisia cerebral, uma vez que a
doença primária (paralisia cerebral) não progride, mas os sintomas,
como atrofia muscular, sialorréia, espasticidade e outras
deformidades progridem, motivo pelo qual, quanto mais precocemente
forem mobilizados seus recursos motores, mais sucesso terão os
procedimentos e melhor será sua coordenação motora global, seu
equilíbrio, a qualidade de vida do sujeito, cuja presença corporal
no mundo tem grande repercussão em sua imagem corporal.
Desta forma,
fica claro que há necessidade de conscientização da população em
geral e, sobretudo, daqueles que apresentem alguma disfunção, sobre
o valor do movimento na vida. O corpo precisa estar em movimento; a
mente precisa estar em ação. A fisioterapia vai ajudar nesse
sentido, respeitando toda forma de ser do indivíduo e levando-o à
melhoria, possibilitando melhor expressão corporal; melhor imagem
corporal.
Referências
Bibliográficas:
1- BOBATH,
Karel. Uma Base Neurofisiológica para o Tratamento da Paralisia
Cerebral. 2ª edição de CDM 23 A Deficiência Motora em Pacientes
com Paralisia Cerebral; tradução de Ana Fátima Rodrigues Alves. São
Paulo: Editora Manole Ltda
2- FLEMING,
Inge. Texto e Atlas do desenvolvimento normal e seus desvios no
lactente: diagnóstico e tratamento precoce do nascimento até o 18º
mês; tradução de Samuel Arão Reis. – São Paulo: Editora Atheneu,
2000.
3- KISNER, Carolyn e COLBY, Lynn Allen.
Exercícios
Fisioterapêuticos – Fundamentos e Técnicas.
Tradução de Lilia Breternitz Ribeiro. São Paulo: Editora Manole Ltda,
3ª edição
4- STOKES,
Maria. Neurologia para Fisioterapeutas. Tradução de Terezinha
Oppido. Supervisão Científica da Tradução: Prof. Danilo Vicente
Define. São Paulo: Editorial Premier, 2000.
Guiuliano Tadeu Di Santo é fisioterapeuta, pós-graduado pela AACD,
realiza consulta e atendimento em empresas, domicílios e
consultório, localizado na rua Sebastião de Freitas, 280, Tucuruvi,
São Paulo - SP, tel: (11) 3487-5682. Ministra palestras junto a
grupos de interessados. |