Fisioterapia e Qualidade de Vida

Giuliano Tadeu Di Santo

 

A atividade física constitui um dos principais fatores de prevenção de doenças, principalmente as ortopédicas e cardíacas, mas também previne da depressão e stress, uma vez que não envolve somente o coração, pulmões e músculos, mas, também a mente, exigindo certo grau de prontidão mental e de estabilidade emocional, estimulando a movimentação, agilidade e interação.

Felizmente, o Brasil vem se destacando como um dos principais países do mundo a promover a atividade física, o que é bastante benéfico para a população e, também, para os profissionais que se dedicam a tal mister.

Destaco, neste breve artigo, a importância da fisioterapia, cujos profissionais atuam nas áreas de prevenção e tratamento de doenças, melhorando a qualidade de vida das pessoas e sua locomoção, possibilitando-lhes interagir com mais segurança em relação ao ambiente, visando, também, manter as atividades da vida diária (AVDS) e o bem estar daqueles que se encontram com maior comprometimento, oferecendo-lhes oportunidades de se manifestar através da expressão corporal, interagindo com o fisioterapeuta e, sempre que possível, com demais participantes, inclusive de equipe multidisciplinar, dedicada, também, a atividades de socialização e lazer, com a finalidade de  preservar a integridade do paciente.

Os estudos sobre o ser humano, seu corpo e mente, aperfeiçoam-se a cada dia, a ponto de indicar que a doença de uma pessoa revela, de maneira bastante significativa, o modo como ela vive, seus hábitos e costumes, as condições de vida a que foi submetida. Podemos dizer que a história de sua vida fica marcada pela forma com que ela lida com as dificuldades, bem como os recursos que consegue mobilizar para enfrentar situações de risco, como as doenças, e superá-las. Neste sentido, pode-se perceber se o sujeito está em busca de corpo e mente saudáveis.

No caso de paciente que apresenta lesão muscular ou doença neurológica e inicia o tratamento de fisioterapia, mas o interrompe antes de receber alta; de estar totalmente liberado para os afazeres normais diários, seu corpo, após algum tempo, começa a manifestar as conseqüências da não efetivação do tratamento total, sentindo efeitos como: dor, atrofia muscular, perda de massas, diminuição da amplitude de movimento (ADM) e, até mesmo, nos casos mais sérios, como os de acidente vascular encefálico (AVE), deformidades ósseas graves.

No que diz respeito a paciente com AVE que faz tratamento fisioterapêutico por algum tempo, mas não dá continuidade, as conseqüências são praticamente imediatas, uma vez que, enquanto ele permaneceu em tratamento, o fisioterapeuta mantinha o seu condicionamento físico; mantinha as suas vias aéreas (pulmão) bem ventiladas. Também evitava a atrofia do(s) membro(s) afetado(s) pelo acidente vascular encefálico através de exercícios cinesioterápicos específicos. Ao interromper o tratamento, volta a apresentar os graves sintomas iniciais. Por isso, fazer fisioterapia é muito mais que fazer um tratamento; é investir em melhores condições de ação e reação.

Hoje em dia, a fisioterapia avançou muito, dispondo de inúmeros novos recursos, como próteses, órteses, eletroanalgesia, cirurgias botox etc. Conseqüentemente, um paciente que procure um serviço de fisioterapia sério, comprometido em oferecer a cada pessoa o melhor e mais adequado atendimento possível para o seu caso, conseguirá uma boa recuperação, de acordo com sua patologia, sobretudo se ele for perseverante, dando continuidade ao tratamento até finalizá-lo.

Crianças que tiveram sofrimento fetal, como diminuição de aporte sanguíneo na região cerebral, podem apresentar sintomas neurológicos, que acarretam problema de psicomotricidade. Nestas crianças, alguns padrões neurológicos primitivos da própria idade, como o Reflexo de Moro, o Reflexo de Galant e o Reflexo de Esgrimista, permanecem por mais tempo, prejudicando seu desenvolvimento. A fisioterapia vai atuar no tratamento desses casos através da estimulação motora, procurando diminuir ou eliminar a assimetria, colaborando para que essa criança alcance a sua independência. Com tal estimulação, a criança consegue eliminar alguns padrões e, na medida do possível, conquistar melhor qualidade de vida. Ao contrário, quando tais crianças não são adequadamente estimuladas, esses padrões neurológicos persistem, prejudicando seu desenvolvimento neuropsicomotor.

O profissional fisioterapeuta terá que conquistar a confiança da criança, interagindo amistosamente com ela, que, dessa forma, passará a colaborar com o tratamento. Através de movimentos e manobras adequadas, corretas, o paciente começará a perder esses reflexos primitivos, e pode atingir o seu desenvolvimento motor normal, conforme o caso. Porém, há uma idade certa para que tais ganhos ocorram, pois a criança com distúrbio de psicomotricidade tem seu tempo ideal para agir, reagir, buscar novos pontos cerebrais para substituir os lesados, no caso da paralisia cerebral, uma vez que a doença primária (paralisia cerebral) não progride, mas os sintomas, como atrofia muscular, sialorréia, espasticidade e outras deformidades progridem, motivo pelo qual, quanto mais precocemente forem mobilizados seus recursos motores, mais sucesso terão os procedimentos e melhor será sua coordenação motora global, seu equilíbrio, a qualidade de vida do sujeito, cuja presença corporal no mundo tem grande repercussão em sua imagem corporal.

Desta forma, fica claro que há necessidade de conscientização da população em geral e, sobretudo, daqueles que apresentem alguma disfunção, sobre o valor do movimento na vida. O corpo precisa estar em movimento; a mente precisa estar em ação. A fisioterapia vai ajudar nesse sentido, respeitando toda forma de ser do indivíduo e levando-o à melhoria, possibilitando melhor expressão corporal; melhor imagem corporal.

Referências Bibliográficas:

1- BOBATH, Karel. Uma Base Neurofisiológica para o Tratamento da Paralisia Cerebral.  2ª edição de CDM 23 A Deficiência Motora em Pacientes com Paralisia Cerebral; tradução de Ana Fátima Rodrigues Alves. São Paulo: Editora Manole Ltda

2- FLEMING, Inge. Texto e Atlas do desenvolvimento normal e seus desvios no lactente: diagnóstico e tratamento precoce do nascimento até o 18º mês; tradução de Samuel Arão Reis. – São Paulo: Editora Atheneu, 2000.

3- KISNER,  Carolyn e COLBY, Lynn Allen. Exercícios Fisioterapêuticos – Fundamentos e Técnicas. Tradução de Lilia Breternitz Ribeiro. São Paulo: Editora Manole Ltda, 3ª edição

4- STOKES, Maria. Neurologia para Fisioterapeutas. Tradução de Terezinha Oppido. Supervisão Científica da Tradução: Prof. Danilo Vicente Define. São Paulo: Editorial Premier, 2000.

Guiuliano Tadeu Di Santo é fisioterapeuta, pós-graduado pela AACD, realiza consulta e atendimento em empresas, domicílios e consultório, localizado na rua Sebastião de Freitas, 280, Tucuruvi, São Paulo - SP, tel: (11) 3487-5682. Ministra palestras junto a grupos de interessados.

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atualizado/setembro/2007