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Muito se espera do professor que trabalha nas escolas da atualidade, onde
convivem simultaneamente demandas de modernidade, com uso de novas
tecnologias e recursos pertencentes ao arsenal científico e cultural
disponível para a humanidade, e demandas de valores éticos e posturas
solidárias, sem as quais o equilíbrio entre as pessoas, os povos, as
nações, fragiliza-se ainda mais, a ponto de colocar em risco o processo de
paz planetária e, em última instância, a sobrevivência na Terra.
Interagir com essa clientela que está conectada aos
acontecimentos mundiais em tempo real, mas não dispõe ainda da maturidade
suficiente para interpretá-los com a devida profundidade, posicionando- se
imparcialmente com vistas ao bem comum, é um desafio tão intenso que
exige do educador uma visão de futuro, aliada a uma postura crítica que
pressupõe capacitação constante, estudo continuado, curiosidade, interesse
em estar atualizado não apenas nos conteúdos que leciona, mas também nos
demais conteúdos afins de sua área, como também no que se refere aos
acontecimentos que marcam a nossa civilização.

Ensinar e aprender com os alunos, agir ao mesmo tempo
como mestre e aprendiz, estar preparado para ouvir o que os jovens têm a
dizer, valorizar sua contribuição, fazer as devidas intervenções, colocar
os limites, definir responsabilidades, manifestar e cobrar coerência, são
requisitos fundamentais aos que se dedicam à Educação. Devem estar atentos
ao local de sua inserção na instituição, procurando perceber as bases em
que a Educação está arraigada, para transformá-la, não através de mera
alteração na metodologia adotada, mas, principalmente, procurando
modificar o vínculo docente- aluno, a fim de promover a transformação do
espaço educativo em espaço de confiança e aprendizagem.
Há que se considerar a peculiaridade desse espaço
educativo dos dias de hoje, onde o saber que o professor deve transmitir
não é mais o centro de gravidade do ato pedagógico, como já o foi. Quando
o professor detinha a verdade do conhecimento, o aluno ficava quieto,
passivo. Atualmente, o modelo e o princípio da aprendizagem estão no
educando, a tal ponto que o ato de aprender se tornou mais importante que
a ação de ensinar. Pode-se dizer que o saber docente fica diretamente
ligado a uma relação pedagógica centrada nas necessidades e interesses do
aluno. Ele orienta esse aluno na busca de conhecimentos e informações. Sua
função, para os menos atentos, até pode ser confundida com um
saber-estar, saber lidar/negociar com as crianças e os jovens. Esta, no
entanto, é apenas uma mínima parcela do trabalho do professor. Há que se
lembrar, também, que a relação com as famílias exige preparo e
discernimento de todos os que se dedicam à Educação.
Nesse contexto, a especificidade do saber docente
ultrapassa a formação acadêmica, abarcando a prática cotidiana e a
experiência vivida. Podemos dizer que é um saber heterogêneo e plural.
Como a pertinência dos saberes escolares não é mais tida como óbvia nessa
nova realidade globalizada e informatizada, a função docente passa a
dirigir um olhar especial à preparação dos sujeitos, equipando-os em
consonância com a concorrência impiedosa que rege o mercado de trabalho.
Mas, nesse processo, a escola não pode abrir mão da formação do aluno em
termos de valores, ética, cidadania.
Com certeza, o papel do professor é decisivo na
formação pessoal e profissional das novas gerações. Da sua maneira de
conhecer o aluno vai depender o relacionamento de ambos, que está sempre
fundamentado em valores morais, éticos, em que se baseiam as condutas
individuais, embasando o posicionamento do sujeito no mundo. Qualquer que
seja a disciplina que lecione, o professor transmite simultaneamente uma
filosofia viva que ele é. Ele passa aos alunos sua visão de mundo, e isso
fica entranhado no estudante, muito mais que os conteúdos. O professor tem
oportunidade de propor discussões, despertar questionamentos, formatar
opiniões. Ele educa mais pelo que ele é, pelos princípios que norteiam sua
conduta, pelo exemplo, do que pelo conteúdo que ensina.
Assim, na atividade docente, realizada concretamente
numa rede de interações com outros sujeitos, o professor passa a ser um “bricoleur”,
um profissional que faz um pouco de tudo, evidenciando conhecimentos,
valores, símbolos, sentimentos e atitudes. Com seu trabalho, vai
contribuir para formar pessoas que tenham condições de desenvolver suas
habilidades intelectuais, morais, físicas, sociais. Para tanto, precisa
ser valorizado e valorizar-se, acreditando no seu trabalho e nas pessoas
com as quais interage. Precisa ser respeitado, participar das decisões e
propostas que envolvem a especificidade da sua função, envolvendo-se
ativamente na sua execução, com competência e satisfação. |