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A
educação brasileira está baseada em princípios lineares e os currículos e
seus conteúdos assentam-se nos processos intelectuais e cognitivos,
deixando de lado os fatores emocionais. Mas, existem atualmente concepções
que valorizam os aspectos emocionais da inteligência.
O
psicólogo Daniel Goleman, PhD, com seu livro "Inteligência Emocional", por
exemplo, retoma uma nova discussão sobre o assunto. Ele traz o conceito da
inteligência emocional como maior responsável pelo sucesso ou insucesso
das pessoas. A maioria das situações de trabalho é envolvida por
relacionamentos entre as pessoas. Desta forma pessoas com qualidades de
relacionamento humano, como afabilidade, compreensão e gentileza têm mais
chances de obter o sucesso.
Goleman
procura demonstrar que não só a razão influencia nos nossos atos, mas, a
emoção também é responsável por nossas respostas e tem grande poder sobre
as pessoas.
Algumas
habilidades emocionais são consideradas importantes para que uma pessoa
alcance seus objetivos seja feliz e alcance sucesso na vida. Dentre elas
são citadas o controle do temperamento, adaptabilidade, persistência,
amizade, respeito, amabilidade e empatia. Goleman apresenta os seguintes
níveis de Inteligência Emocional:
-
Auto-conhecimento emocional - Autoconsciência:
conhecimento que o ser humano tem de si próprio, de seus sentimentos ou
intuição. Esta competência é fundamental para que o homem tenha
confiança em si (autoconfiança) e conheça seus pontos fortes e fracos;
-
Controle
emocional - Capacidade de gerenciar os sentimentos:
é importante saber lidar com os sentimentos. A pessoa que sabe controlar
seus próprios sentimentos se dá bem em qualquer lugar que esteja ou em
qualquer ato que realize.
-
Auto-
motivação - Ter vontade de realizar, otimismo:
Pôr as emoções a serviço de uma meta. A pessoa otimista consegue
realizar tudo que planeja pois tem consciência que todos os problemas
são contornáveis e resolvíveis.
-
Reconhecer
emoções nos outros - Empatia:
saber se colocar no lugar do outro. Perceber o outro. Captar o
sentimento do outro. A calma é fundamental para que isso aconteça. Os
problemas devem ser resolvidos através de conversas claras. As explosões
devem ser evitadas para que não prejudique o relacionamento com os
outros.
-
Habilidade em
relacionamentos inter-pessoais - Aptidão social:
a capacidade que a pessoa deve ter para lidar com emoções do grupo. A
arte dos relacionamentos deve-se, em grande parte a saber lidar com as
emoções do outro. Saber trabalhar em equipe é fundamental no mundo
atual.
Os
sentimentos mais fortes do homem são a tristeza, a alegria e a raiva. E
fundamental saber lidar com eles. As pessoas que sabem controlar suas
emoções são aquelas que obtém mais sucesso na vida, em qualquer tipo de
medição: provas de vestibular, etc.
Em
relação à educação, Goleman, e autores influenciados por ele, fala da
importância de "educar" as emoções e fazer com que os alunos também se
tornem aptos a lidar com frustrações, negociar com outros, reconhecer as
próprias angústias e medos, etc.
Para que
os alunos desenvolvam sua inteligência emocional, uma das premissas
básicas é a necessidade de que o professor também desenvolva sua própria
inteligência emocional, pois, pode-se dizer que aquilo que o professor
ensina em sua prática docente está embebido por sua própria personalidade.
Desse modo, a inteligência emocional do professor é uma das variáveis que
melhor explica a criação de uma aula emocionalmente inteligente.
Gerenciando a
inteligência emocional em sala de aula
Segundo
Goleman:
"emoções
são sentimentos a se expressarem em impulsos e numa vasta gama de
intensidade, gerando idéias, condutas, ações e reações. Quando burilados,
equilibrados e bem-conduzidos transformam-se em sentimentos elevados,
sublimados, tornando-se, aí sim – virtudes."
Um
princípio básico para o desenvolvimento da inteligência emocional na sala
de aula é o respeito mútuo pelos sentimentos dos outros, e para tanto é
necessário que o professor saiba como se sente e seja capaz de comunicar
abertamente suas sensações e sentimentos. O professor não deveria negar
suas emoções negativas e sim, ser capaz de expressá-las de modo saudável
na comunidade que constrói com seus alunos.
Ensinar
os alunos a reconhecer suas emoções, saber categorizá-las e comunicá-las,
fazendo-se entender, ajuda-os a serem os responsáveis por suas próprias
necessidades emocionais.
Conhecer
os alunos é um processo que se inicia desde os primeiros dias de aula.
Quanto maior for esse conhecimento, maior será a eficácia da nossa ação
pedagógica, pois podemos mobilizar interesses, curiosidades, conhecimentos
prévios, aspectos das histórias de vida, articulando com os conhecimentos
que integram o currículo a ser desenvolvido.
Também
conhecê-los em seus aspectos sociais, cognitivos, afetivos e emocionais
implica uma atitude de permanente investigação, por meio de observações,
diálogos com as crianças e suas famílias, avaliação contínua dos
conhecimentos adquiridos, sondagem dos interesses delas e atenção as
necessidades que elas expressam.
Perceber
o que o aluno sente, sem que ele o diga, constitui
a essência da empatia, uma das características fundamentais
da inteligência emocional. A criança e o adolescente, dificilmente, nos
dizem em palavras aquilo que sentem, mas revelam seus sentimentos por seu
tom de voz, pela expressão facial ou por outras maneiras não verbais.
A partir
do momento em que o professor reconhece as emoções do aluno (medo, raiva,
ciúme, alegria, tristeza, vergonha), cria uma enorme chance de aumentar a
intimidade, transmitir experiência e compartilhar dificuldades.
O aluno
passa a se sentir valorizado, legitimado em seus sentimentos (mesmo que
negativos) e, conseqüentemente, fortalece sua auto-estima. Ele descobre
novas estratégias para lidar com os conflitos, diminui a agressividade em
suas relações com o outro, aprende a conviver de uma maneira confortável
com os sentimentos negativos, enfim, ele transforma um sentimento que o
assusta em algo que faz parte da vida, não censurando a si mesmo por seus
sentimentos, mas sim, julgando a decisão do que fazer com estes mesmos
sentimentos.
A escola
deveria reservar tempo e espaço em seus programas para iniciar as crianças
em projetos de cooperação. A participação de professores e alunos em
projetos comuns pode dar origem à aprendizagem de métodos de resolução de
conflitos e construir uma referência para a vida futura dos alunos,
enriquecendo a relação professor – aluno.
A
influência dessa teoria sobre a educação é altamente positiva, pois chama
a atenção para o fato de que as escolas não devem preocupar-se apenas com
a inteligência de cada aluno, mas também com o desenvolvimento de sua
capacidade de se relacionar bem com os outros e consigo mesmo.
Referências Bibliográficas:
GOLEMAN, Daniel - Inteligência emocional. Rio de Janeiro, Ed.
Objetiva, 1996
Vera Lúcia Camara Zacharias é mestre em Educação,
Pedagoga, consultora educacional, assessora diversas
instituições, profere palestras e cursos, criou e é
diretora do CRE. |