Métodos Tradicionais

O método sintético consiste, fundamentalmente, na correspondência entre o oral e o escrito, entre o som e a grafia. Estabelece a correspondência a partir dos elementos mínimos (que são as letras), em um processo que consiste em ir das partes ao todo. Durante muito tempo se ensinou a pronunciar as letras, estabelecendo-se as regras de sonorização de escrita no seu idioma correspondente. Os métodos alfabéticos mais tradicionais, aceitam essa postura.
Posteriormente, sob a influência da lingüística, desenvolve-se o método fonético, propondo que se comece do oral. A unidade mínima do som da fala é o fonema. Assim, neste processo iniciar-se-ia pelo fonema, associando-o à sua representação gráfica. É preciso que o sujeito seja capaz de isolar e reconhecer os diferentes fonemas de seu idioma, para poder, a seguir, relacioná-los aos sinais gráficos.
A ênfase está na análise auditiva para que os sons sejam separados e estabelecidas as correspondências grafema-fonema (letra-som).

Alguns princípios do método:

  • pronúncia correta para evitar confusões entre os fonemas

  • grafias de formas semelhantes devem ser  apresentadas separadamente para evitar confusões visuais entre as elas.

  • ensinar um par de grafema-fonema de cada vez, sem passar para outro enquanto a associação não estiver bem memorizada.

  • iniciar com os casos de ortografia regular, isto é, palavras nas quais a grafia coincida com a pronúncia.

Na aprendizagem em primeiro lugar, está a mecânica da leitura (decifração do texto), sendo que posteriormente se teria a leitura com compreensão, culminando com uma leitura expressiva com entonação.
Sejam quais forem as divergências entre os defensores do método sintético, todas as correntes concordam com o seguinte: inicialmente a aprendizagem da leitura e escrita é uma questão mecânica; trata-se de adquirir uma técnica para decifrar o texto, porque se concebe a escrita como a transcrição gráfica da linguagem oral e ler equivale a decodificar o escrito em som.


As cartilhas:

São a tentativa de coordenar todos esses princípios e pressupostos : evitar confusões auditivas e/ou visuais; apresentar um fonema e seu grafema correspondente por vez; trabalhar com os casos de ortografia regular. Por isso, a utilização das sílabas sem sentido, o que acaba acarretando a dissociação do som em relação ao significado, e portanto, a leitura da fala.
Encontramos na aplicação desse método a proposição da aprendizagem em dois momentos descontínuos : quando não se sabe, é necessário passar por uma etapa mecânica; quando já se sabe, chega-se à compreensão( leitura mecânica, compreensiva).

O método analítico 

para os defensores do método analítico, ao contrário, a leitura é um ato global e ideovisual. Decroly contesta os postulados do método sintético, acusando-o de mecanicista, e postula que " no espírito infantil as visões de conjunto precedem a análise". O prévio, segundo o método analítico, é o reconhecimento global de palavras ou orações; a análise dos componentes é uma tarefa posterior. Não importa a dificuldade auditiva daquilo que se aprende, já que a leitura é uma tarefa predominantemente visual.
Propõe-se ainda a necessidade de começar com unidades significativas para a criança, daí a denominação ideovisual.
Apesar de encontrarmos grandes diferenças entre os dois métodos, e de apoiarem-se em diferentes concepções tanto do funcionamento psicológico do sujeito, quanto em diferentes teorias de aprendizagem,  essas,  referem-se principalmente ao tipo de estratégia perceptiva em jogo, auditiva para uns, visual para outros. Não se distinguem claras diferenças entre métodos de ensino e processos de aprendizagem do sujeito.
A confusão entre métodos e processos leva à seguinte conclusão: os sucessos na aprendizagem são atribuídos ao método, ou a quem os transmite,  e não ao sujeito que aprende.
A ênfase dada à habilidades perceptivas descuida-se de aspectos fundamentais tais como: a competência lingüística das crianças e suas capacidades cognoscitivas.

 Vera Lúcia Camara Zacharias é mestre em Educação, Pedagoga, consultora educacional, assessora diversas instituições, profere palestras e cursos, criou e é diretora do CRE.


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atualizado/setembro/2007