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Introdução
Capítulo
1
O cenário da indisciplina
Capítulo 2
2.1- Escola como um lugar privilegiado
2.2 - A criança e a família
CONCLUSÃO
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Para o sujeito se constituir é preciso que esteja num contexto de
palavras. Para se estabelecer a estruturação psíquica, para que se
construa a subjetividade, é imprescindível o laço social, uma vez que o
psiquismo humano transcende o mero corpo real e dá alicerce para o
desenvolvimento do corpo biológico. Ou o outro nos insere no campo da
linguagem ou não há condição de continuar existindo. Até onde as palavras
alcancem é o campo do outro e é necessário que um indivíduo coloque a
pessoa no campo social; em geral isso é feito pelos pais.
Destaca-se o estádio do espelho, no qual se vive uma presença psíquica
estruturante, fundamental da subjetividade; a antesala do Édipo, que
insere um terceiro elemento: a figura paterna. Para que haja aprendizagem
também é necessário que se insira um terceiro elemento: o conhecimento. A
criança só vai investir em gostar de alguma coisa se alguém investiu na
possibilidade dela poder querer alguma coisa. Só será sujeito quando
conseguir se diferenciar daquilo que o outro quer que ela seja e fizer sua
opção. Então, há um momento em que a criança equivale ao que os pais e
professores querem dela. Depois ela se distingue; esse momento chega
quando ela se estrutura como sujeito. Sujeito que está sempre assujeitado
ao desejo que, em última instância, é do outro.
Se a criança depende de que nela alguém (a mãe ou quem exerce a maternagem)
projete um ideal, faça uma idealização, na escola o aluno depende de que o
professor nele projete um ideal, aposte algo sobre a sua aprendizagem. É
salutar quando os professores acabam investindo na capacidade de uma
criança ir além do que eles próprios puderam ir.
O professor consegue direcionar vários alunos para o campo do
conhecimento por causa da sua relação com esse conhecimento. O aluno fica
implicado do ponto de vista do seu desejo, da sua história.
Devemos considerar, também, que há estruturas que ensinam, que melhor
propiciam a emergência de situações de aprendizagem. E, nessas estruturas,
há sempre o conhecimento agindo como um terceiro elemento na relação
professor-aluno. É para o saber que o professor alça o seu olhar. Ao aluno
cabe adquirir o conhecimento para poder possuí-lo, interpretá-lo,
reformulá-lo em função de um novo saber e se libertar do mestre, dando
outro rumo à sua vida.
Nesse sentido, o bom professor é aquele que sabe se disciplinar, estudar,
ter foco no conteúdo, posicionando-se em sala de aula como alguém que é
castrado e não vai ficar pedindo amor, impotente. O educador tem que
substituir a posição da impotência pela da impossibilidade, ou seja, a
educação é impossível por questões estruturais, porque o professor só pode
chegar até determinado ponto; depois é o aluno que tem que aprender. E
Freud diz que impossível é o universal, uma vez que não existe a certeza
educativa, psicanalítica e política. Há uma Política, Educação e
Psicanálise que se revelam possíveis após a ocorrência.
O professor tem que supor no aluno a capacidade do saber, e este tem que
respeitar a norma do jogo; a forma de se relacionar com os outros no
sistema, tem que aprender a controlar-se, porque terrível é o efeito da
falta de controle.
A escola é o local que garante efetivamente a relação de trocas sociais e
preparação para a cidadania; nela a criança pode estabelecer pactos,
contratos, relações sociais, pois não basta que a criança se limite à sua
singularidade; ela precisa do outro.
O próprio desenvolvimento orgânico do ser humano depende e é vinculado à
questão social. Mesmo antes da possibilidade da linguagem, a criança tem
recursos de interação que muitas vezes passam desapercebidos. Na escola
se criam laços sociais e a criança pode de fato participar de um tipo de
enlaçamento social que é a condição sine qua non do ser humano.
A relação pedagógica tem que ser construída cotidianamente. Sozinha a
criança não faz a leitura do mundo. Nisso o professor pode ampará-la,
conduzi-la, encaminhá-la. Ao aprender a ler e a escrever, a relação da
criança com o mundo muda, como mudou também quando ela aprendeu a falar e
pôde verbalizar, explicar o que sentia. Aí podemos citar a educação como
uma prática social ligada à formação de valores e práticas do sujeito para
a vida social, com possibilidade de ir em direção a uma maior autonomia,
liberdade e diferenciação. Começa fazendo a leitura do cotidiano, e é
função da escola, também, fazer com que esse cotidiano se amplie.
Então o professor tem que fazer a sua função de conduzir a classe, apesar
da resistência de muitos alunos, que o estão testando. Tem que se
reconhecer destinado a transmitir e ter um caráter incansável de sempre
querer obter do aluno um pouco mais de atenção, desempenho, criatividade.
Na escola, o foco se deslocou do professor para o aluno. Esse deslocamento
foi causado pela mudança das idéias pedagógicas atuais, que estão
valorizando/priorizando o educar por amor, na linha da sedução, e não por
dever. E isso está causando dificuldade. Pergunta-se por que o professor
está aí; o que ele veio ensinar... e o professor fica marcado por uma
exigência social muito além do que a escola pode proporcionar. Esse
professor negocia com os alunos, que percebem que, façam o que fizerem,
sempre haverá um espaço para negociar e não perder o amor do educador.
Dessa forma, deixam de cumprir seus compromissos.
Sabemos que a possibilidade educativa por excelência de perder o amor faz
com que a criança aprenda. E isto deve ser mantido. O aluno precisa saber
que, se não cumpre a lei, é colocado para fora; sofrendo as conseqüências
da sua opção. E o professor, por dever, enuncia e faz cumprir a lei. Se
isso não ocorre, se o professor age por amor e não por dever, o aluno não
respeita, se iguala e não aprende, nem deixa a aula ocorrer como deve ser;
atrapalha.
Em sua dissertação de mestrado, Elisabete Aparecida Monteiro diz que “ao
professor atual cabe a formação do que poderíamos chamar de“indivíduos
emocionalmente equilibrados, indivíduos `cognitivo-afetivamente ideais`,
isto é, alunos que se conformem às previsões e expectativas educacionais,
que sejam disciplinados, que não desviem do caminho que lhes foi traçado
no planejamento de ensino, que correspondam ao que a ciência psicológica
prevê em suas teorias. Enfim, uma obsessão pelo ajuste psicopedagógico.(...)
Pensando a partir da
psicologia infantil, o professor deixa de pensar em aluno e, mesmo que
fale conscientemente de aluno, pensa(se), na verdade, na criança em
desenvolvimento.(...). Nesse processo serão compartilhados saberes
diferenciados, de professores e alunos, de adultos e crianças,
adolescentes e jovens, ou seja, de indivíduos com histórias diversas o que
propicia a construção de conhecimentos diferenciados.(...)
Para que os objetivos educacionais correspondam a seu caráter
compartilhado, todos os saberes de dentro e de fora da escola devem ser
tomados num mesmo nível.(...) Assim se compreende por que, atualmente, a
família se sente apta para dizer ao professor como e o que deve ser feito
com sua criança, já que é ela quem vai à escola, não mais o aluno.” (2000,
p.19-20)
Continua dizendo que, ao equiparar o professor ao aluno e aos demais
elementos da família, retira-se da relação a diferença, que é a razão de
ser do encontro professor-aluno. Diferença que consiste em ter alguém que
sabe, o professor, e alguém que não sabe e precisa aprender, o aluno.
Dessa forma, o professor fica destituído da autoridade que está suposta na
idéia de professor-aluno e passa a se relacionar com a criança. Então, se
não há mais a diferença, alguém deixou o seu papel. Dessa forma,
pretendendo retirar o autoritarismo , o sadismo pedagógico, do contexto
escolar, extraiu-se junto a autoridade derivada da diferença entre
professor e aluno. E não se pode esquecer que autoridade é algo da
estrutura mesma do encontro entre um adulto e uma criança.
Conseqüentemente, a ausência do adulto mantém a criança isolada em seu
próprio mundo. Ressalta, também, que atualmente a ilusão que alimenta o
discurso pedagógico resume-se em pretender recusar a diferença e que, em
lugar do conhecimento, hoje, a Pedagogia discursa teorias
psicopedagógicas.
O fantasma do autoritarismo na Educação foi combatido à custa do
desaparecimento da autoridade do professor. Este último não só deve saber
o que está latente no aluno como deve ajustar suas atitudes e o próprio
conhecimento a ser transmitido à realidade de cada um na sala de aula.
Procurando agir conforme uma certeza científica, o professor hesita antes
de qualquer atitude, procura os manuais ou as palavras do especialista
que, por sua vez, não hesitou em invadir a escola. Diz Lajonquière: `Essa
espera - que não deve ser confundida com a atitude de cautela inerente à
douta ignorância - implica a renúncia ao ato educativo. Enquanto espera
uma autorização para agir renuncia ao ato. (2000, p.22-23-24-25)
E o professor que renuncia ao ato de educar, renuncia à diferença, à
autoridade, não consegue manter a disciplina da classe.
Leia 2.1- A escola como local
privilegiado
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