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Introdução
Capítulo
1
O cenário da indisciplina
Capítulo 2
2.1- Escola como um lugar privilegiado
2.2 - A criança e a família
CONCLUSÃO
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Em seu livro “Infância e Ilusão (Psico)Pedagógica”, Leandro de Lajonquière
diz que “as formas escolares passadas não retornam. Porém, isso não
significa que não devamos manter vigente, de uma outra forma, o espírito
que viu nascer a escola moderna. Nesse sentido, todas as iniciativas que
visam recolocar, de fato e de direito no imaginário social, a escola como
lugar de trabalho, cultura, e prosperidade social, tornam-na novamente
imune à violência. Em particular cabe lembrar que todas as escolas
paulistanas que, durante algum tempo funcionaram também como centros de
recreação social e cultural para jovens deixaram de ser objeto de
depredações, bem como palco de atos violentos.” ( 2002, pág. 85)
Lembramos que a escola é o único lugar que garante efetivamente a relação
de cidadania; nela a criança pode estabelecer pactos, contratos, reações
sociais, não se limitando à sua singularidade de ensinar a ler, escrever,
fazer contas, raciocinar...
Da mesma forma que Mannoni (Educação Impossível, 1988) não via que somente
a criança e sua problemática deveriam ser atendidos, mas que é preciso dar
um lugar ao discurso coletivo onde essa criança está inserida, também no
caso da indisciplina, não basta atender e procurar entender os casos mais
sérios. É preciso dar lugar ao discurso coletivo da instituição na qual o
aluno está inserido; à dinâmica escolar. E a escola é um cenário propício
a equívocos: quer homogeneidade, mas as diferenças se revelam e saltam aos
olhos dos professores. Há uma espécie de contradição do próprio sistema,
que fomenta a competição e quer homogeneidade.
Na
escola, os alunos estão dentro do circuito das trocas sociais e a própria
lógica de funcionamento social tende a excluir os que têm problema. Agindo
por dever o professor vai educar e mostrar o que é certo, que, em última
instância, significa colocar para fora o aluno que está atrapalhando e
reprovar o que não aprendeu os conteúdos necessários à série seguinte.
Nesse contexto, em seu livro “Infância e Ilusão (Psico)Pedagógica”, o
professor Lajonquière destaca “que o espírito pedagógico hegemônico
responde à violência que invade as escolas na contramão dos valores não
imediatistas que inspiraram a tradição educativa. (...) cifra suas
esperanças em grades, alarmes, policiamentos e psicólogos, relegando,
assim, para um segundo plano - mesmo aquele das expectativas!-ações
rimadas com cultura e trabalho. Isto é, um lugar de manter-se o fio da
meada da tradição, que outrora, fez a escola impermeável à violência
urbana, hoje, responde-se com a mesma lógica que impera nas ruas.
Responder dessa forma não só não equaciona a violência como também
infertiliza a própria educação escolar.” (2002, p.84)
E o aluno precisa saber que aprender custa esforço e nem sempre é algo
agradável. Por isso, a escola é obrigatória e não faz parte da escolha dos
pais.
Na prática educativa diária, podemos perceber claramente que os alunos que
hoje freqüentam os bancos escolares apontam, embora de forma inconsciente,
que não aceitam o ensino da forma que está. Com essa recusa, ao mesmo
tempo estão provocando uma transformação da nossa prática educativa, pois
nos estimulam/impulsionam a refletir sobre o nosso papel enquanto
educadores, bem como na urgência que temos em nos reciclar e adotar
posturas seguras, condizentes com os desafios que se nos apresentam.
No fato da indisciplina vir-se repetindo constantemente, pode-se pensar
que o adulto/professor não tenha percebido que em seu papel está previsto
ser desafiado pelo jovem. É preciso saber que essa oposição do aluno pode
ter um papel constitutivo e que, para se diferenciarem, os jovens precisam
disso como um jogo necessário.
Nesse momento, é preciso que o professor se distancie um pouco para
perceber as várias interfaces da questão. Perceber, inclusive, as
oposições e conflitos que ocorrem porque ele mesmo dá munição, uma vez
que, enquanto ele estiver muito misturado na situação, sua capacidade de
discernimento fica limitada. E, como o adulto da relação, precisa estar
minimamente distanciado, a fim de enxergar o que é inerente ao seu papel
docente e exercer/assumir sua função por dever.
Para a formação que se deseja, os alunos precisam, não apenas aprender a
obter informações, mas, necessariamente, saber selecioná-las, dotando-as
de valores que lhes permitam se posicionar na vida. Para tanto, precisam
olhar o professor e acreditar que aquilo que ele lhes ensina serve para
interpretarem seus problemas e assumirem uma posição.
As funções da criança precisam ser recrutadas e mobilizadas por alguém,
que na escola é o professor. A criança precisa de uma baliza dada pelo
educador; um não ou um sim Ou seja, o professor tem que colocar um limite
e dizer: isso pode, isso não pode.
Recorrendo, ainda, às palavras de Leandro de Lajonquière, em seu livro
“Infância e Ilusão (Psico)Pedagógica: “O estofo simbólico do clássico
folclore escolar possibilitava às crianças e jovens um lugar no mundo –
eram alunos candidatos `a condição de adultos. Esse lugar autorizava a
criança a se empenhar na carreira para, assim, chegar à outra ponta. De
fato, o prêmio parece pouco mas não é, pois trata-se do usufruto de um
lugar para viver no mundo. Ao contrário, quando a espessura simbólica das
práticas cotidianas diminui, fica mais difícil para as crianças e jovens
ganharem uma condição existencial. Perante a impossibilidade humana de não
ser alguém, passam a esperar ganhar através dos próprios atos o lugar
simbólico que os laços não garantem(...). Assim, a não sustentação por
parte dos adultos do espírito escolar condena as crianças e jovens a
tentar dar-se a si mesmos no real, graças à violência dos atos, o lugar
recusado no simbólico e, dessa forma, enquista a violência no dia-a-dia
escolar. Mais ainda, esse gesto de renúncia, acaba minando também a
mesmíssima educação escolar na sua dupla dimensão de gestação do
sentimento de cidadania, bem como de transmissão dos conhecimentos mínimos
que possibilitam de fato a circulação do sujeito como um `mais um`na
cidade.” (2002, p. 85)
continua: A criança e a
família |