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Algumas
considerações sobre o desafio da mudança na Educação
A mudança de forma geral é algo que inquieta e exige novas posturas
e adaptações para que realmente aconteça. Quando se fala em mudança
na educação é preciso reunir vários elementos que a caracterizem
como necessária e benéfica para seu meio social, uma vez que a
mudança pode ser tanto para melhor como para pior.
A idéia de mudança na educação implica aspectos históricos,
culturais, sócio-econômicos, tecnológicos, biológicos, enfim,
implica uma série de setores, por isso é difícil caracterizar a
mudança como algo instantâneo, já que ela só acontece como processo
e atrelada a vários elementos.
A necessidade e vontade de mudança estão relacionadas à constatação
das lacunas ocasionadas entre o que a sociedade está pedindo da
formação dos indivíduos e o que o espaço escolar está oferecendo
para dar conta disso, ou seja, ao perceber-se ineficaz, despreparada
e desatualizada a instituição entende esse vão e busca recuperar-se
e criar novos meios de interagir e aprender para então desempenhar
sua função social de fato.
E é nessa sociedade que exige a cada dia novas habilidades e
formações que origina a necessidade da mudança, pois é uma sociedade
diferenciada dos outros momentos históricos. Por exemplo, o evento
da Internet, que traz consigo a mudança do paradigma de
conhecimento, de tempo e ainda, a possibilidade de apropriar-se de
uma ferramenta que leva a um mundo novo, virtual e real ao mesmo
tempo. Isto vem colaborar para a tomada de consciência quanto à
necessidade da mudança dentro de uma nova sociedade.
Conforme Moran
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Estamos em uma etapa de grandes mudanças na
transição para a Sociedade da Informação, que afetam
também à Educação. Temos que repensar seriamente os
modelos aprendidos até agora. Ensinar e aprender com
tecnologias telemáticas é um desafio que até agora
não foi enfrentado com profundidade. Temos feito
adaptações do que já conhecíamos. A educação
presencial e a distância começa a ser fortemente
modificada e todos nós, organizações, professores e
alunos somos desafiados a encontrar novos modelos em
todas as situações. As tecnologias telemáticas de
banda larga, que permitirão ver-nos e ouvir-nos
facilmente, colocam em xeque o conceito tradicional
de sala de aula, de ensino e de organização dos
procedimentos educacionais.
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É possível então pensar a educação como uma roupa que precisa sofrer
alguns ajustes para servir novamente em alguém? Como se o tempo
tivesse passado e a pessoa emagrecido ou engordado, a moda fosse
outra e se fizesse necessário retirar os antigos acessórios e
trocá-los por algo mais apropriado, jogar fora os pedaços de tecidos
velhos e rasgados por tecidos mais resistentes ao clima e região que
a pessoa está no momento. Pode-se dizer que fica difícil pensar a
mudança necessária na educação como um conserto de roupa, já que
tantos são os componentes desse processo que é feito por pessoas que
possuem vontade própria, idéias, necessidades diferentes para uma
sociedade também tão mudada. Parece então que não existe um só
componente que desestrutura a educação dos moldes atuais e que não é
uma única atitude que vai dar conta de aquietar o processo. Segundo
Moraes “é preciso educar para uma cidadania global que ensine a
viver na mudança e que não queira controlá-la. Compreendendo assim
que é impossível desacelerar o mundo, e assim, procurar adaptar a
nossa forma de educar às mudanças rápidas e aceleradas presentes no
mundo”.
Então a mudança na educação que estamos buscando e ansiando para que
chegue pronta devolvendo-nos a sensação de segurança está longe de
acontecer. Deixemos então que a sensação de insegurança venha e nos
faça pelo menos curiosos pelo desconhecido e a longo prazo então
mais confortáveis nele.
Em Toralles – Pereira, lemos:
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Neste
momento de transição e construção de outros modelos de
racionalidade, em que uma nova relação com os antigos
lugares epistemológicos nos permitirá um novo caminhar e uma
outra relação com o mundo, Santos aconselha prudência e diz:
como Descartes, no limiar da ciência moderna exerceu a
dúvida em vez de a sofrer, nós, no limiar da ciência
pós-moderna, devemos exercer a insegurança em vez de a
sofrer. Afinal, a prudência é a insegurança assumida e
controlada.
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O que não podemos é nos cercar de falsa segurança que
não satisfaz mais o momento atual e nem nos conformarmos
com a barreira dessa nova situação que parece muito
difícil, quase impossível de ser ultrapassada, porém
segundo Corrêa (2005), apesar de difícil de ser
ultrapassada é passível de ultrapassagem.
Referências bibliográficas
CORRÊA,
Ronald C. Os desafios do
professor diante da
perspectiva de formação de
cidadãos na nova ordem
mundial. Disponível em:
http://www.conteudoescola.com.br/site/content/view/157/31/.
Acesso em: jul.2005.
MORAES, Maria
Cândida. O Paradigma
Educacional Emergente.
10ª.ed. Campinas, SP:Papirus,2004.
(Coleção Práxis).
MORAN, José
Manuel. Educação
Inovadora na Sociedade da
Informação. Disponível
em:
URL:http://www.educacaoonline.pro.br/art_educacao_inovadora.asp.
Acesso em: jul.2005.
TORALLES-PEREIRA,
M. L. Notes on Education:
the transition toward a new
paradigm.
Interface —
Comunicação, Saúde, Educação,
v. 1, n.1, 1997. Disponível
em:
http://www.interface.org.br/revista1/ensaio3.pdf.
Acesso em: jul.2005.
Carina
Merkle Lingnau é
professora da rede pública
de ensino em Joinville-SC.
Email:
donut1br@yahoo.com.br
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