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No Brasil, falar em informática, sobretudo
informática aplicada à educação, pode parecer uma utopia para
maioria da população, que sobrevive com dificuldades e, também
parece ser a situação das escolas públicas, que não recebem
investimentos do governo para modernização e melhoria da qualidade
de ensino. Será que temos que esperar a chegada primeiro das
carteiras?
Porém, as novas
tecnologias já fazem parte da vida dos alunos, seja na TV, no
cinema, nos jogos eletrônicos, no trabalho, no banco, enfim, em
todos os lugares e de alguma forma e, portanto, a Educação não deve
e nem pode desprezar esse dado de realidade, nem "fazer de conta"
que ela não existe na vida dos alunos. E, se levarmos em
consideração que esses mesmos alunos hoje, serão profissionais no
futuro, em uma sociedade ainda muito mais informatizada, se faz
imprescindível que a escola não a ignore.
A instituição
escolar tem como função formar os indivíduos de maneira a
tornarem-se cada vez mais agentes sociais criativos e dinâmicos,
participantes das transformações do seu tempo.
A rapidez da evolução
científica e tecnológica do mundo é apreendida pelas crianças e
adolescentes, direta ou indiretamente, através dos meios de
comunicação, independente de sua classe social ou situação
sócio-cultural.
Tal fato faz com que algumas vezes a escola pareça parada no tempo
ou voltada para o passado, enquanto seus alunos vivem intensamente o
presente e vislumbram no futuro novas exigências, possibilidades e
necessidades às quais a Escola parece não ter condições de atender.
A tecnologia
computacional, por natureza, não é nem emancipatória nem opressiva.
Ela esta incorporada no contexto econômico e social que determina
suas aplicações. Estes, por sua vez, devem ser cuidadosamente
estudados para assegurar que as aplicações de computadores preservem
e desenvolvam valores humanos em lugar de deteriorá-los.
A escola não pode ignorar o volume de informação
proporcionado pelos meios audiovisuais, já que praticamente, os
saberes cotidianos socialmente significativos formam parte do
contexto sociocultural do aluno na compreensão de sua realidade.
As mudanças culturais e de
pensamento estão presentes e modificam a ação cotidiana em sala de
aula, pois, a nova geração do final do milênio e do atual,
desenvolveu capacidades perceptivas e é capaz de processar muito
mais informações do que as gerações precedentes, ainda que de forma
diferente, de uma forma que privilegia uma grande variedade de
estímulos informativos, enquanto que na sala de aula o que é
privilegiado é ainda a linguagem verbal e a escrita.
O problema não está no
fato de existir um laboratório de informática, e sim na forma e na
finalidade com que ele está sendo utilizado. A idéia de que bastava
colocar o aluno em contato com o computador e todos os problemas de
aprendizagem desse aluno desapareceriam não se concretizou. Em
alguns casos percebe-se uma certa insatisfação e frustração, tanto
da direção e dos professores quanto dos próprios alunos. As escolas
não estão encontrando formas de reverter essa situação. Como na
maioria das vezes acontece em educação, frente à frustração
procura-se recorrer à substituição dessa tecnologia por outra mais
recente, na qual novamente irão ser depositadas todas as esperanças.
De nada adianta o
saudosismo. Mudaram os tempos e as necessidades. É imperioso mudar a
escola e todos nós somos sujeitos dessa mudança. Como dizia Paulo
Freire, temos de ser homens e mulheres de nosso tempo e empregar
todos os recursos disponíveis para promover a grande mudança que
nossa escola está a exigir. Não podemos ser omissos. A neutralidade
representa a aceitação da situação atual, a conivência com o que já
está posto.
O processo de integração de
computadores e outros instrumentos tecnológicos na escola, pode e
deve ser compreendido como um processo de inovação, e como tal, tem
que atender a um grande número de fatores e componentes para o
desenvolvimento da mudança e melhora que a educação persegue.
Isto precisa necessariamente ser feito pela
integração curricular que afeta fundamentalmente a três campos
mutuamente implicados: o desenvolvimento profissional do professor;
o desenvolvimento organizacional da escola e a reorganização do
próprio currículo. E, um dos fatores fundamentais para as
necessidades apontadas é que essas tecnologias pressupõem um saber
apoiado não em conhecimentos teóricos adquiridos mecanicamente, mas
em modelos mentais flexíveis da realidade, capazes de evoluir em
sucessivas e crescentes formalizações.
Em meio ao cenário tecnológico em que se
encontra o profissional docente, as atuais discussões e políticas
públicas na área de informática na educação têm considerado o
professor como um componente fundamental para o processo de
introdução do computador no cotidiano do ensinar e aprender.
Espera-se que ele, na sala de aula,
promova a interação entre a informática e a sua disciplina e, por
meio dessa interação, proporcione aos alunos o acesso às novas
informações, experiências e aprendizagens de modo que aprendam
efetivamente, sejam críticos diante das informações e do
conhecimento promovido por meio da tecnologia.
Diante dessas demandas surgidas como fica o professor? Como ele se
sente diante da necessidade de aprender a trabalhar com um elemento
que não fez parte de sua formação acadêmica e nem tão pouco de sua
geração? Quais os seus sentimentos? Quais são suas preocupações?
Assim sendo, é importante
que em um processo de formação em informática na educação o
professor seja concebido não apenas como um profissional, mas como
uma pessoa que tem sentimentos e reações diversas diante do
computador.
Pouco se faz, na prática, com os professores para mostrar quais
seriam os caminhos mais produtivos para o uso da tecnologia no
processo educativo.
Com isso, vem à tona uma questão que deve ser criteriosamente
refletida por todos nós educadores e que diz respeito à forma como
esses recursos têm sido utilizados.
Livros, computadores, internet, laboratórios, quadras, aulas de
arte, visitas a exposições, contato freqüente com filmes e tantos
outros recursos disponíveis nas boas escolas particulares realizam
um verdadeiro "upgrade" em seus alunos.
Em contrapartida, a
rede pública, apesar de todos os esforços, continua tendo enormes
dificuldades para promover uma aprendizagem plena e uma total
inserção de um enorme contingente de estudantes à cidadania e ao
mercado de trabalho.
O uso pedagógico da
informática na educação requer muito mais que bons projetos. A
finalidade real é a de propiciar um ensino inovador. E pode
contribuir para esse fim se não for convertida em uma finalidade por
si mesma, atendendo meramente a expectativas de mercado e sim, como
conseqüência de decisões tomadas a partir de uma determinada maneira
de conceber e levar a termo uma prática de ensino.
Mesmo em meio às inúmeras
dificuldades das quais todos nós temos plena consciência, esse
cenário, por vezes pouco animador, acaba abrindo espaços para
iniciativas criativas e bem sucedidas.
Reiterando: A questão básica para os professores da
atualidade é: com que finalidade deve ser utilizada a tecnologia?
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Finalidades pedagógicas: meios de ensino, ações
educativas.
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Finalidades educacionais: enriquecimento dos
indivíduos, orientação de costumes sociais.
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Finalidades culturais: implementar o conhecimento
global dos seres humanos.
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Finalidades científicas: meio de conhecimento dos
avanços alcançados.
Profª. MS. Vera Lúcia Camara
Zacharias

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