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A temática da violência nesses últimos tempos tem sido um dos
problemas mais discutidos pela mídia. No entanto, precisamos atentar
para as características de ordem social, política, econômica e
cultural que a sedimentam enquanto mal que atinge a modernidade e
desemboca na sociedade que é o espaço mais evidente à participação
dos seus atores.
Para falarmos do contexto precisamos fazer uma varredura geral a fim
de nos determos nos fatores, aqui intitulados de “Pilares da
Violência” que, uma vez desencadeados a tornam efetiva, a saber:
déficit educacional, desestruturação da instituição familiar e
estratificação social equivocada.
Evidencias comprovam que quanto maior os níveis de educação, maiores
são as chances do enaltecimento do sujeito nos seus aspectos
múltiplos, bem como na sua tri-dimensão personalógica –
o seu ser pessoa, o seu ser profissional e o seu ser cidadão.
A educação tem sido considerada o principal veículo de transformação
social, pois na medida em que o sujeito se desenvolve,
conseqüentemente ele evolui e estende tal ensejo à sociedade na qual
se encontra inserido.
A incompatibilidade educacional da sociedade tem colocado em “xeque”
e ferido as premissas rezadas na Constituição do Brasil em 1988,
quando menciona que “a educação é direito de todos e dever do
estado”.
Nesse enfoque, nos colocamos a refletir qual o tipo de educação tem
sido fornecida ao cidadão? Será que o Estado tem ciência do plural
de analfabetos funcionais do país? Estes que só sabem assinar os
seus nomes em documentos, pegar o ônibus corriqueiro, ver o preço de
uma mercadoria no supermercado, então, novamente nos perguntamos,
que país é esse?
Precisamos esclarecer também, que ao focar a questão da violência, a
fazemos em seu sentido genérico. Todavia, merece ser ressaltado que
a violência não existe apenas no plano do físico; outros subtítulos
estão aí a acometer os vários gêneros: crianças, adultos,
adolescentes, mulher, idoso, pobre, negro, homossexual etc.
Desse modo, transpor essa problemática não é papel do individual,
faz-se necessário um compromisso de agenda comum na qual tenha a
participação do ser humano como um todo, o que vislumbra e ratifica
a luta do homem para solucionar os seus próprios entraves.
Há de se entender que numa época cujo fenômeno deixa de ser o da
globalização, um conceito atualmente economicizado, a economia do
conhecimento e o advento tecnológico expressivo ganham novo corpo e,
essencialmente, uma nova nomenclatura: o fenômeno da mundialização.
No entanto, é com pesar que contemplamos grandes descobertas na
ciência e tecnologia, mas ao mesmo tempo temos que olhar
envergonhados e reconhecer o quão insuficiente evoluímos em termos
humanos.
Cientes dessa realidade precisamos valorizar ideais perdidos,
virtudes conhecidas, mas não compreendidas, ideais repetidos porém
não assimilados. É preciso conhecer o que é conhecer, aprender a
ser, a fazer e, sobretudo a conviver harmoniosamente com outros de
igual espécie.
Numa época de exacerbados conflitos familiares, colocando-as em
dissolução, temos observado o seu valor quando o contrário não se
efetiva, haja vista ser na família que ocorrem as primeiras nuanças
de construção de caráter e personalidade, não obstante é a primeira
instituição educacional, anterior à escola, espaço considerado
formal e onde a educação acontece por excelência.
A família é entendida como a base formativa do indivíduo, na qual os
princípios de ordem ética, moral e estética, valores, crenças,
cultura, tradições são engendradas. Desta forma, se ocorre uma
desestruturação na família, os reflexos serão emanados no sujeito
que sofrerá as conseqüências de desencontros do próprio eu em
detrimento do seu desconhecimento ao outro e do aprendizado social.
Outra questão que se revela numa característica marcante da
violência é a estratificação social, a qual aponta para a
desigualdade sem medida, produto da ideologia dominante que produz
um “abismo” entre as classes da pirâmide social. Uma sociedade cujos
ricos são extremamente ricos e os pobres são muito pobres isenta a
presença da classe média, entendida como a classe trabalhadora que
possui o padrão de vida suficiente para a subsistência e condição de
dignidade.
O desfecho dessa discussão aponta para a emergência da
ressignificação humana, em favor do resgate e promoção de
equidade enquanto ideário de respeito às diferenças de qualquer
ordem.
Esse empenho traduz-se em uma chamada à participação para o
provimento da paz e, conseqüentemente da não violência.
Ratificamos que embora seja uma tarefa árdua, a missão está
lançada e o fazer pela construção de uma humanidade mais cidadã,
justa e atenta para os entraves sociais que nos envolvem está
dentro da nossa própria governabilidade, onde nessa empreitada,
a educação tem papel imprescindível e um grande desafio a
desvelar.
* Neilton da Silva é Consultor e Palestrante na área pedagógica e de
RH, Graduado em Pedagogia Empresarial e Gestão Educacional,
Pós-graduado em Gestão de Recursos Humanos e em Psicopedagogia
Institucional e Mestrando em Educação pela UNESA/RJ. |