Os Pilares da Violência

uma reflexão -crítica necessária

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Neilton Silva*

A temática da violência nesses últimos tempos tem sido um dos problemas mais discutidos pela mídia. No entanto, precisamos atentar para as características de ordem social, política, econômica e cultural que a sedimentam enquanto mal que atinge a modernidade e desemboca na sociedade que é o espaço mais evidente à participação dos seus atores.

Para falarmos do contexto precisamos fazer uma varredura geral a fim de nos determos nos fatores, aqui intitulados de “Pilares da Violência” que, uma vez desencadeados a tornam efetiva, a saber: déficit educacional, desestruturação da instituição familiar e estratificação social equivocada.

Evidencias comprovam que quanto maior os níveis de educação, maiores são as chances do enaltecimento do sujeito nos seus aspectos múltiplos, bem como na sua tri-dimensão personalógica – o seu ser pessoa, o seu ser profissional e o seu ser cidadão. A educação tem sido considerada o principal veículo de transformação social, pois na medida em que o sujeito se desenvolve, conseqüentemente ele evolui e estende tal ensejo à sociedade na qual se encontra inserido.

A incompatibilidade educacional da sociedade tem colocado em “xeque” e ferido as premissas rezadas na Constituição do Brasil em 1988, quando menciona que “a educação é direito de todos e dever do estado”. 

Nesse enfoque, nos colocamos a refletir qual o tipo de educação tem sido fornecida ao cidadão? Será que o Estado tem ciência do plural de analfabetos funcionais do país? Estes que só sabem assinar os seus nomes em documentos, pegar o ônibus corriqueiro, ver o preço de uma mercadoria no supermercado, então, novamente nos perguntamos, que país é esse?

Precisamos esclarecer também, que ao focar a questão da violência, a fazemos em seu sentido genérico. Todavia, merece ser ressaltado que a violência não existe apenas no plano do físico; outros subtítulos estão aí a acometer os vários gêneros: crianças, adultos, adolescentes, mulher, idoso, pobre, negro, homossexual etc.

Desse modo, transpor essa problemática não é papel do individual, faz-se necessário um compromisso de agenda comum na qual tenha a participação do ser humano como um todo, o que vislumbra e ratifica a luta do homem para  solucionar os seus próprios entraves.

Há de se entender que numa época cujo fenômeno deixa de ser o da globalização, um conceito atualmente economicizado, a economia do conhecimento e o advento tecnológico expressivo ganham novo corpo e, essencialmente, uma nova nomenclatura: o fenômeno da mundialização.

No entanto, é com pesar que contemplamos grandes descobertas na ciência e tecnologia, mas ao mesmo tempo temos que olhar envergonhados e reconhecer o quão insuficiente evoluímos em termos humanos.

Cientes dessa realidade precisamos valorizar ideais perdidos, virtudes conhecidas, mas não compreendidas, ideais repetidos porém não assimilados.  É preciso conhecer o que é conhecer, aprender a ser, a fazer e, sobretudo a conviver harmoniosamente com outros de igual espécie.

Numa época de exacerbados conflitos familiares, colocando-as em dissolução, temos observado o seu valor quando o contrário não se efetiva, haja vista ser na família que ocorrem as primeiras nuanças de construção de caráter e personalidade, não obstante é a primeira instituição educacional, anterior à escola, espaço considerado formal e onde a educação acontece por excelência.

A família é entendida como a base formativa do indivíduo, na qual os princípios de ordem ética, moral e estética, valores, crenças, cultura, tradições são engendradas. Desta forma, se ocorre uma desestruturação na família, os reflexos serão emanados no sujeito que sofrerá as conseqüências de desencontros do próprio eu em detrimento do seu desconhecimento ao outro e do aprendizado social.

Outra questão que se revela numa característica marcante da violência é a estratificação social, a qual aponta para a desigualdade sem medida, produto da ideologia dominante que produz um “abismo” entre as classes da pirâmide social. Uma sociedade cujos ricos são extremamente ricos e os pobres são muito pobres isenta a presença da classe média, entendida como a classe trabalhadora que possui o padrão de vida suficiente para a subsistência e condição de dignidade.

O desfecho dessa discussão aponta para a emergência da ressignificação humana, em favor do resgate e promoção de equidade enquanto ideário de respeito às diferenças de qualquer ordem.

Esse empenho traduz-se em uma chamada à participação para o provimento da paz e, conseqüentemente da não violência. Ratificamos que embora seja uma tarefa árdua, a missão está lançada e o fazer pela construção de uma humanidade mais cidadã, justa e atenta para os entraves sociais que nos envolvem está dentro da nossa própria governabilidade, onde nessa empreitada, a educação tem papel imprescindível e um grande desafio a desvelar.

* Neilton da Silva é Consultor e Palestrante na área pedagógica e de RH, Graduado em Pedagogia Empresarial e Gestão Educacional, Pós-graduado em Gestão de Recursos Humanos e em Psicopedagogia Institucional e Mestrando em Educação pela UNESA/RJ.

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atualizado/setembro/2007