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Muitas
instituições de ensino ainda não têm muito claro em que se constitui
um planejamento estratégico em termos de negócios.
A
grande maioria, com certeza, sabe e pratica a elaboração de plano
político pedagógico, ou projeto político pedagógico ou até pedagogia
de projetos.
Porém,
elaborar um plano de negócios, perceber-se como produtoras de
serviços num mercado de consumidores, ainda é praticado de forma
pouco profissional, principalmente em instituições de médio e
pequeno porte.
A
maioria das escolas não se visualiza como um negócio, que como todos
os outros, necessita de inovação e aprendizado permanente.
Planejar é construir uma ponte entre o lugar em que estamos e aquele
em que queremos estar, considerando o impacto que terão no futuro as
decisões que tomamos hoje.
Planejar é o processo que nos permite reduzir os níveis de
incerteza, conhecer o sentido e a direção das ações cotidianas.
Tranqüiliza e nos dá segurança.
Planejar de forma estratégica, faz a junção entre três momentos:
longo, médio e curto prazo. Liga a reflexão e a ação.
Planejar estrategicamente vai além de habilidades intelectuais,
requer uma atitude, uma disposição empresarial.
Planejar de forma estratégica necessita da seleção e análise de
informações: tanto próprias como externas. É essencial analisar o
ambiente, enxergar as variáveis que acabam muitas vezes por gerar
uma crise, entendendo todo o contexto em que elas se apresentam.
Devemos ser capazes de determinar nossas capacidades: o nosso
alicerce, nossos pontos fortes e nossas fraquezas.
Uma
atitude estratégica é aquela em que se aprende a utilizar os pontos
fracos como uma fortaleza e as ameaças como oportunidades.
Planejar estrategicamente significa tomar decisões, isto é,
selecionar alternativas aproveitando as oportunidades que o contexto
nos oferece e elaborar posições defensivas mais fortes, frente às
ameaças ou pontos fracos. Para tanto, devemos utilizar nossos pontos
fortes sem fazer esforços estéreis tentando usar como recurso nossas
fraquezas atuais.
Podemos afirmar que um processo mais abrangente de gestão não deve
estar pautado apenas em metas e ações táticas operacionais. As
variáveis internas e externas são muitas e o planejamento
estratégico afirma-se como forma de prevenção e também de reação
contra as adversidades com que a instituição educativa se defronta.
Todo processo de planejamento estratégico requer que se pergunte: qual
é nosso propósito, nossos objetivos e metas?
Pensando um pouco, percebemos que os consumidores, os clientes, os
pacientes, os pais, os alunos e nós mesmos, não compramos roupa,
comida, colégio, utilidades.
Quem
compra produtos ou serviços, compra a satisfação que espera deles.
Ao
deixarmos claro o Negócio em que estamos, conseguimos definir melhor
o propósito ou missão da instituição.
Bem, e
uma instituição educativa...Como determina a idéia de negócio?
Qual é o nosso negócio?
O negócio de um colégio é educar?
Talvez isso seja o seu “fazer”, mas não seu negócio.
Lendo
a publicidade que as instituições educativas fazem, encontramos
mensagens como estas: “200 anos de tradição nos avaliam”, “Qualidade
total em educação, “Professores com especialização e dedicação”,
“Profissionais altamente especializados”, em que se fala da própria
escola, e não daquilo que o cliente necessita.
As pessoas
desejam ouvir como nós, enquanto instituições educativas, nos
encarregaremos de suas necessidades.
Quando
entendemos de fato de que nosso negócio se nutre, podemos emitir
mensagens mais eficazes, escolher os meios mais adequados,
estruturar serviços para alunos e pais, planejar como se produzirão,
estabelecer seu custo, de forma potencializada.
Assim,
em nosso planejamento estratégico, devemos lembrar que existe um
conjunto de variáveis controláveis que abarcam desde o
desenvolvimento das propostas pedagógicas curriculares e serviços
extracurriculares, ao preço justo, à formação do pessoal docente e
não docente, a avaliação dos processos de ensino-aprendizagem e a
gestão das instalações e equipamentos.
O
planejamento estratégico só é uma ferramenta eficaz quando se
consegue uma verdadeira radiografia da instituição, detectando as
variáveis existentes e seus impactos. Somente a partir daí é que
podemos ter um plano estratégico com metas e ações para curto, médio
e longo prazos.
A instituição, envolvida na complexidade de seu
cotidiano, com todas as variáveis existentes, consegue fazer essa
radiografia de forma verdadeira e real? |