O que é planejar, o que é planejar estrategicamente?

Prof. Vera Lúcia Zacharias

Muitas instituições de ensino ainda não têm muito claro em que se constitui um planejamento estratégico em termos de negócios.

A grande maioria, com certeza, sabe e pratica a elaboração de plano político pedagógico, ou projeto político pedagógico ou até pedagogia de projetos.

Porém, elaborar um plano de negócios, perceber-se como produtoras de serviços num mercado de consumidores, ainda é praticado de forma pouco profissional, principalmente em instituições de médio e pequeno porte.

A maioria das escolas não se visualiza como um negócio, que como todos os outros, necessita de inovação e aprendizado permanente.

Planejar é construir uma ponte entre o lugar em que estamos e aquele em que queremos estar, considerando o impacto que terão no futuro as decisões que tomamos hoje.

Planejar é o processo que nos permite reduzir os níveis de incerteza, conhecer o sentido e a direção das ações cotidianas.

Tranqüiliza e nos dá segurança.

Planejar de forma estratégica, faz a junção entre três momentos: longo, médio e curto prazo. Liga a reflexão e a ação.

Planejar estrategicamente vai além de habilidades intelectuais, requer uma atitude, uma disposição empresarial.

Planejar de forma estratégica necessita da seleção e análise de informações: tanto próprias como externas. É essencial analisar o ambiente, enxergar as variáveis que acabam muitas vezes por gerar uma crise, entendendo todo o contexto em que elas se apresentam.

Devemos ser capazes de determinar nossas capacidades: o nosso alicerce, nossos pontos fortes e nossas fraquezas.

Uma atitude estratégica é aquela em que se aprende a utilizar os pontos fracos como uma fortaleza e as ameaças como oportunidades.

Planejar estrategicamente significa tomar decisões, isto é, selecionar alternativas aproveitando as oportunidades que o contexto nos oferece e elaborar posições defensivas mais fortes, frente às ameaças ou pontos fracos. Para tanto, devemos utilizar nossos pontos fortes sem fazer esforços estéreis tentando usar como recurso nossas fraquezas atuais.

Podemos afirmar que um processo mais abrangente de gestão não deve estar pautado apenas em metas e ações táticas operacionais. As variáveis internas e externas são muitas e o planejamento estratégico afirma-se como forma de prevenção e também de reação contra as adversidades com que a instituição educativa se defronta.

Todo processo de planejamento estratégico requer que se pergunte: qual é nosso propósito, nossos objetivos e metas?

Pensando um pouco, percebemos que os consumidores, os clientes, os pacientes, os pais, os alunos e nós mesmos, não compramos roupa, comida, colégio, utilidades.

Quem compra produtos ou serviços, compra a satisfação que espera deles.

Ao deixarmos claro o Negócio em que estamos, conseguimos definir melhor o propósito ou missão da instituição.

Bem, e uma instituição educativa...Como determina a idéia de negócio? Qual é o nosso negócio?

O negócio de um colégio é educar?

Talvez isso seja o seu “fazer”, mas não seu negócio.

Lendo a publicidade que as instituições educativas fazem, encontramos mensagens como estas: “200 anos de tradição nos avaliam”, “Qualidade total em educação, “Professores com especialização e dedicação”, “Profissionais altamente especializados”, em que se fala da própria escola, e não daquilo que o cliente necessita.

As pessoas desejam ouvir como nós, enquanto instituições educativas, nos encarregaremos de suas necessidades.

Quando entendemos de fato de que nosso negócio se nutre, podemos emitir mensagens mais eficazes, escolher os meios mais adequados, estruturar serviços para alunos e pais, planejar como se produzirão, estabelecer seu custo, de forma potencializada.

Assim, em nosso planejamento estratégico, devemos lembrar que existe um conjunto de variáveis controláveis que abarcam desde o desenvolvimento das propostas pedagógicas curriculares e serviços extracurriculares, ao preço justo, à formação do pessoal docente e não docente, a avaliação dos processos de ensino-aprendizagem e a gestão das instalações e equipamentos.

O planejamento estratégico só é uma ferramenta eficaz quando se consegue uma verdadeira radiografia da instituição, detectando as variáveis existentes e seus impactos. Somente a partir daí é que podemos ter um plano estratégico com metas e ações para curto, médio e longo prazos.

A instituição, envolvida na complexidade de seu cotidiano, com todas as variáveis existentes, consegue fazer essa radiografia de forma verdadeira e real?

Vera Lúcia Camara Zacharias é consultora em educação,
pedagoga, mestre em educação, palestrante e diretora do CRE.

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atualizado/setembro/2007