Somente agora a sociedade pode avaliar o resultado da nova política educacional instituída pela LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação). A Progressão Continuada é, na teoria, uma excelente saída para resolver em um só golpe dois problemas diferentes: O primeiro problema é o pedagógico.
O novo sistema de progressão continuada eleva a auto-estima do aluno que não passará mais pelo trauma anual da repetência (cabe aqui salientar que a reprova do ciclo de 4 anos pode ser bem mais traumática do que a reprova de apenas um ano letivo).
O segundo problema é estatístico. O Brasil precisava cumprir as metas propostas pelo governo no plano decenal da educação onde, o governo brasileiro deveria reduzir o número de crianças fora da escola e repetentes ( cabe aqui também lembrar que reduzir o número de crianças repetentes significa reduzir custos para o Estado).
Os frutos desta nova política todos já conhecem. Hoje muitas crianças chegam a 8ª série sem saber ler e escrever adequadamente, aumentando assim a exclusão social da população que, não conta com nenhum tipo de qualidade de ensino. Dizer que a culpa é dos professores, coordenadores e diretores é cômodo pois assim, salva-se as boas intenções do governo.
A pergunta que todos deveriam fazer aos nossos representantes da área da educação é: Como foi aplicada essa nova política? Como os professores assimilaram esta proposta? Essa proposta foi discutida democraticamente ou foi simplesmente planejada em um gabinete e instituída como uma medida autoritária? Qual apoio tem recebido os professores no que diz respeito a reflexão, entendimento e discussão desta proposta? O que se viveu dentro das escolas foi a vinda de uma nova proposta renovadora, sem dúvida nenhuma, teoricamente perfeita mas, uma proposta que não deu as professores a oportunidade de refletir sobre sua prática, sobre o que fazer a partir daquele momento.
Foi exatamente aí que a progressão continuada virou progressão automática, foi exatamente aí que muitos alunos foram perdidos e hoje são encontrados nas oitavas séries do Ensino Fundamental sem saber ler e escrever. |