Por trás da Progressão Continuada

O que há por trás da bandeira da Progressão Continuada?

 

Giselle Cristina Avellar
Professora do Ensino Fundamental e Pedagoga

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Somente agora a sociedade pode avaliar o resultado da nova política educacional instituída pela LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação). A Progressão Continuada é, na teoria, uma excelente saída para resolver em um só golpe dois problemas diferentes: O primeiro problema é o pedagógico.

     O novo sistema de progressão continuada eleva a auto-estima do aluno que não passará mais pelo trauma anual da repetência (cabe aqui salientar que a reprova do ciclo de 4 anos pode ser bem mais traumática do que a reprova de apenas um ano letivo).

    O segundo problema é estatístico. O Brasil precisava cumprir as metas propostas pelo governo no plano decenal da educação onde, o governo brasileiro deveria reduzir o número de crianças fora da escola e repetentes ( cabe aqui também lembrar que reduzir o número de crianças repetentes significa reduzir custos para o Estado).

    Os frutos desta nova política todos já conhecem. Hoje muitas crianças chegam a 8ª série sem saber ler e escrever adequadamente, aumentando assim a exclusão social da população que, não conta com nenhum tipo de qualidade de ensino. Dizer que a culpa é dos professores, coordenadores e diretores é cômodo pois assim, salva-se as boas intenções do governo.

     A pergunta que todos deveriam fazer aos nossos representantes da área da educação é:

Como foi aplicada essa nova política?
Como os professores assimilaram esta proposta?
Essa proposta foi discutida democraticamente ou foi simplesmente planejada em um gabinete e instituída como uma medida autoritária?
Qual apoio tem recebido os professores no que diz respeito a reflexão, entendimento e discussão desta proposta?
 

O que se viveu dentro das escolas foi a vinda de uma nova proposta renovadora, sem dúvida nenhuma, teoricamente perfeita mas, uma proposta que não deu as professores a oportunidade de refletir sobre sua prática, sobre o que fazer a partir daquele momento.

      Foi exatamente aí que a progressão continuada virou progressão automática, foi exatamente aí que muitos alunos foram perdidos e hoje são encontrados nas oitavas séries do Ensino Fundamental sem saber ler e escrever.

Nossos agradecimentos ao autor por sua colaboração e esperamos mais!

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atualizado/setembro/2007