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A palavra construtivismo entrou na moda. Dificilmente encontraremos projetos ou pessoas envolvidas com educação que não utilizem pelo menos algumas vezes em seu discurso expressões como "construir conhecimento", "proposta construtivista", ou "busca de autonomia". No entanto, as ações dessas mesmas pessoas indicam transferência, reprodução, ou automatismo. Por isso, gostaríamos de discutir a sala de aula, virtual ou presencial, construtivista. Vamos usar exemplos sobre a informática como um meio de ensinar matemática sob esta ótica. Antes de discutir a utilização da informática, vamos tratar da questão mais ampla, que é como fazer para que os conhecimentos matemáticos ensinados tenham sentido, significado para o aprendiz. Repare que aqui quem está falando é o educador, e portanto fala sobre ser significativo, veremos adiante que quando quem fala é o sujeito da ação ele produz significado. Segundo Brousseau (1983) o sentido de um conhecimento matemático se define não apenas por uma coleção de situações em que o aprendiz encontra e/ou utiliza este conhecimento como meio de solução, mas principalmente pelo conjunto de concepções que rejeita, de erros que evita, de economia que procura e reformulações que faz. O professor, consciente ou inconscientemente, escolhe uma estratégia para sua aula. Antes, esta estratégia podia ser investigada e analisada pelas relações no triângulo: Professor, Aluno e Saber.
Hoje, seria mais interessante considerarmos o quadrilátero: aluno (individual), aluno (grupo), professor e saber. Vamos entender Aluno, como englobando as categorias individual e grupo para discutir os modelos propostos por Charnay (1996). Analisando os papéis de cada objeto do tripé original, Charnay descreve brevemente três modelos: O modelo normativo, o modelo ativo e o modelo aproximativo ou construtivista:
- O professor mostra as noções, as introduz e fornece exemplos. 2. O modelo ativo, centrado no aluno, lida com os interesses, as motivações e o meio que rodeia o aluno. - O professor
escuta o aluno, suscita sua curiosidade, ajuda a utilizar fontes de
informação, responde a suas demandas, o encaminha a ferramentas de
aprendizagem, procura uma melhor motivação. 3. O modelo aproximativo ou construtivista, centrado na produção do saber pelo aluno, parte de modelos e concepções existentes no aluno e coloca-as à prova para modificá-las ou construir novas. - O professor
propõe e organiza uma série de situações com diferentes obstáculos,
organiza as diferentes fases de investigação, formulação, validação, e
institucionalização. Organiza a comunicação da aula, propõe no momento
adequado os elementos convencionais do saber (notações e terminologia). Vejamos o caso do trabalho com os números racionais: Situação 1.
Vai para o quadro e escreve o primeiro exercício.
Pede, mais uma vez, a
participação dos alunos nas respostas.
E assim a aula prossegue e uma lista de exercícios é enviada para ser feita em casa.
Comentando
É fácil perceber que este
professor não tem nada de perverso, gosta de "dar" aula, espera que os
alunos participem, etc... mas certamente está enquadrado no modelo 1.
Quando começamos a pensar em aprendizagem como um processo distinto do processo de ensinar, podemos pensar nos dois outros modelos.
Para não alongar muito nossa conversa, vamos fazer apenas alguns
comentários sobre a situação 2.
A professora pediu aos alunos que
trouxessem calculadoras, das mais baratinhas, para a aula. Por precaução,
ela levou umas 4 sobressalentes. Dividiu a turma em duplas ou trios e
entregou a folha de atividade.
- Pegue a
calculadora. O que acontece quando dividimos um número natural, pode
escolher qualquer um, por nove? Experimentem vários números.
Voltando ao modelo 3, a professora neste caso: - Propôs e organizou uma série
de situações com diferentes obstáculos, organizando as diferentes fases de
investigação, formulação, validação, e institucionalização - preparação da
atividade. Comentários Finais
Esta resposta não é encontrada em livro didático algum. O
grupo apresentou, os outros grupos testaram com vários outros números e
resolveram adotar a regra.
Para pensar em EAD e na prática construtivista
Podemos utilizar as ferramentas disponíveis para EAD de
acordo com o modelo de aula. -
O professor coloca as definições na homepage.
O aluno vai clicando e as lê.
- O aluno acessa a lista de exercícios via qualquer programa de aula virtual, esta lista é mecanicamente (no sentido literal) corrigida. - O professor marca um chat para falar sobre os exercícios -
O professor organiza um fórum para dar mais definições que
não fizeram parte das aulas.
Fica a pergunta: Será que as interações, neste
caso, são muito diferentes? Adotando o modelo 3:
- O grupo pequeno pode funcionar via e-mails ou chats.
Para finalizar, chamamos a atenção para o fato de que em nenhum momento dissemos que é uma tarefa simples planejar aulas sob a ótica construtivista. É necessário uma mudança de paradigma, olhar os processos de ensino e aprendizagem como processos que se entrelaçam mas que são distintos.
Sobretudo, menos discurso e mais ação! Bibliografia Charney,R. 1996. Aprendendo com a resolução de problemas. In Celia Parra e Irma Saiz (eds) Didática da Matemática: Reflexões Psicopedagógicas. Artes Médicas-Porto Alegre. Frant, J. e Rabello, M. 2000. Doze menos Nove! Boletim Gepem 34. Lins, R e Gimenez, J. 1997. Perspectivas para a aritmética e a álgebra no século XXI. Editora Papyrus SP. Fonte: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/educacao/educ03.htm, em novembro/2003 |
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atualizado/setembro/2007
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