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Aprender a ler e escrever é um grande desafio. Para nós, parece tão fácil não é? Muitas vezes os envolvidos no processo de alfabetizar, e ainda a família, precisam parar e refletir um pouco sobre tudo o que está envolvido no processo de alfabetização. |
| As dificuldades
das crianças no início do processo de aprendizagem da linguagem
escrita podem ser bastante grandes, ainda que apresente um perfil normal
de desenvolvimento. A escrita não reflete uma exata correspondência com a fala. Ela representa por meio de letras, os fonemas, mas nem sempre a um fonema corresponde uma letra, como por exemplo a palavra chave, assim, muitas vezes a palavra escrita tem mais letras do que os sons que pronunciamos (grafemas). Raramente usamos os fonemas isoladamente, sendo, que de início, a unidade mais facilmente apreendida pela criança é a sílaba, um dos motivos pelos quais, aliás, a criança antes de chegar a fase alfabética se utiliza da representação silábica. |
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Sistema atual de alfabetização - OPINIÃO
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A Favor: Questão de método. Iara Glória Prado, secretária de Ensino Fundamental do Ministério da Educação "Por muito tempo, acreditou-se que, para os alunos aprenderem a ler e escrever, era necessário o treino da coordenação motora, discriminação visual e auditiva, da noção de lateralidade, além da memorização de letras e sílabas. Sabemos que os métodos propõem uma seqüência de passos pré-determinados pelo adulto, e muitas vezes os alunos não compreendem o sentido do que fazem.
A alfabetização é um processo de construção de hipóteses sobre o funcionamento do sistema alfabético de escrita. Para aprender a ler e escrever, o aluno precisa participar de situações que colocam a necessidade de refletir, transformando informações em conhecimento próprio e enfrentando desafios. E é utilizando textos reais, tais como listas, poemas, bilhetes, receitas, contos, piadas etc, que os alunos podem aprender muito sobre a escrita. Assim, os professores descobrem que ler é muito mais do que decodificar, e por isso tratam seus alunos como leitores plenos antes de estarem alfabetizados. O Ministério da Educação, por meio do Programa de Formação de Professores Alfabetizadores, pretende difundir para os professores esses saberes, para que possam entender, cada vez mais, como os alunos aprendem e como - de fato - eles podem ensiná-los, na perspectiva de formá-los como verdadeiros cidadãos da cultura letrada. |
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Contra: Tendência mundial. Silo Meireles, editor de livros para alfabetização No Brasil, ao falar sobre alfabetização, referem-se à teoria da psicogênese da linguagem escrita como "cientificamente comprovada". Pretendem estar à frente de preocupações com eficácia e de querelas sobre métodos. Sabendo "como se aprende", não se detêm no "como se ensina". Descartam o uso de métodos. Propõem que o aluno trabalhe com textos e "construa o seu próprio conhecimento lingüístico, seja sujeito cognoscente e ativo do seu aprendizado e adquira o uso social da leitura e da escrita". Redefinem de forma excêntrica o que seja ler e escrever e institucionalizam entre nós a triste figura do analfabeto escolarizado. A imprensa tem mostrado alunos da rede pública nos grandes centros urbanos, analfabetos, recebendo diplomas. O programa Alfabetização Solidária, que se norteia pelas mesmas teorias psicogenéticas e se dirige a jovens e adultos de todo o País, tem 25,1% de eficiência. Um fracasso colossal! O que se faz em outros países? Educadores, pedagogos e pesquisadores da Inglaterra, dos Estados Unidos, da Alemanha, da Itália, do Canadá, de Cuba, de Israel e da Espanha estão preocupados em ensinar - da forma mais eficaz - a ler e a escrever. Apontam todos na mesma direção: o ensino do som das letras. Mantêm índices de analfabetismo aceitáveis e criam sucessivas gerações de leitores de sucesso. É oportuno meditar sobre isso. Educadores, pedagogos e pesquisadores ingleses, americanos, alemães, italianos canadenses, cubanos, israelenses e espanhóis, alguns reforçados por seus governos, encaram a alfabetização de forma radicalmente diferente de tudo que fazemos aqui. Estão todos preocupados em ensinar a ler e a escrever com eficácia e recomendam o uso de abordagens que contem o pleno ensino do som das letras. Fonte: (Jornal O Dia - 26/11/2000) |