O professor, sua formação...

e sua prática

Você é o Autor

* Lisandra Olinda Roberto Neves

 

RESUMO:

            Este  artigo trará a respeito da formação do professor. Apesar das várias propostas existentes no âmbito da Educação, percebe-se que os resultados continuam insatisfatórios, o que demonstra a necessidade de mudanças.

         Nesse aspecto, o professor torna-se um dos principais protagonistas dessa mudança, portanto, sua formação e sua prática têm sido motivo de estudos.

PALAVRAS-CHAVES: Formação, prática reflexiva, trabalho interdisciplinar, valorização.

 

1. INTRODUÇÃO:

            Impossível falar em qualidade de ensino, sem falar da formação do professor, questões que estão intimamente ligadas.

         A formação teórica e prática do professor, poderá contribuir para melhorar a qualidade do ensino, visto que, são as transformações sociais é que irão gerar transformações no ensino.

         Sendo assim, este artigo se ocupará de explanar sobre a relação existente entre a formação e a prática do professor.

2. A Formação e a Prática

Há algumas décadas, acreditava-se que, quando terminada a graduação, o profissional estaria apto para atuar na sua área o resto da vida. Hoje a realidade é diferente, principalmente para o profissional docente. Este deve estar consciente de que sua formação é permanente, e é integrada no seu dia-a-dia nas escolas

O professor não deve se abster de estudar, o prazer pelo estudo e a leitura deve ser evidente, senão não irá conseguir passar esse gosto para seus alunos“O professor que não aprende com prazer não ensinará com prazer. “ Snyders. (1990)

São grandes os desafios que o profissional docente enfrenta, mas manter-se atualizado e desenvolver práticas pedagógicas eficientes, são os principais.

Nóvoa (2002, p. 23) diz que: “O aprender contínuo é essencial se concentra em dois pilares: a própria pessoa, como agente, e a escola, como lugar de crescimento profissional permanente.” Para esse estudioso português, a formação continuada se dá de maneira coletiva e depende da experiência e da reflexão como instrumentos contínuos de análise.

3. A relação sócio-interacionista

A teoria do desenvolvimento intelectual de Vygotsky, sustenta que todo conhecimento é construído socialmente, no âmbito das relações humanas. Essa teoria, tem por base o desenvolvimento do indivíduo como resultado de um processo sócio-histórico, enfatizando o papel da linguagem e da aprendizagem nesse desenvolvimento, sendo essa teoria considerada, histórico-social.

         O conhecimento que permite o desenvolvimento mental se dá na relação com os outros. Nessa perspectiva o professor constrói sua formação, fortalece e enriquece seu aprendizado. Por isso é importante ver a pessoa do professor e valorizar o saber de sua experiência.

         Para Nóvoa (1997, p.26): “A troca de experiências e a partilha de saberes consolidam espaços de formação mútua, nos quais cada professor é chamado a desempenhar, simultaneamente, o papel de formador e de formando.”

         O trabalho em equipe e o trabalho interdisciplinar se revelam importantes. Quando as decisões são tomadas em conjunto, desfavorece, de certa forma, a resistência às mudanças e todos passam a ser responsáveis para o sucesso da aprendizagem na escola.

         O trabalho interdisciplinar evita que os professores conduzam seus trabalhos isoladamente, em diferentes direções, pois a produção de práticas educativas eficazes, surge de uma reflexão da experiência pessoal partilhada entre os colegas.

         O sucesso profissional do professor, o espaço ideal para seu crescimento, sua formação continuada, pode ser também seu local de trabalho.

4.  O Professor como Prático-Reflexivo

            Estudos apontam que existe a necessidade de que o professor seja capaz de refletir sobre sua prática e direcioná-la segundo a realidade em que atua, voltada aos interesses e às necessidades dos alunos.

Nesse sentido, Freire, (1996, p.43) afirma que: “É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem é que se pode melhorar a próxima prática.”

         Para entendermos melhor esse aspecto, devemos recorrer a Schön.

         Donald Schön, foi idealizador do conceito de Professor Prático-Reflexivo, percebeu que em várias profissões, não apenas na prática docente, existem situações conflitantes, desafiantes, que a aplicação de técnicas convencionais, simplesmente não resolvem problemas.

         Não se trata aqui de abandonar a utilização da técnica na prática docente, mas haverá momentos em que o professor estará em situações conflitantes e ele não terá como guiar-se somente por critérios técnicos pré-estabelecidos.

         Para Nóvoa (1997, p.27):

“ As situações conflitantes que os professores são obrigados a enfrentar (e resolver) apresentam características únicas, exigindo portanto características únicas: o profissional competente possui capacidades de autodesenvolvimento reflexivo (...) A lógica da racionalidade técnica opõe-se sempre ao desenvolvimento de uma práxis reflexiva.”

            Os bons profissionais lançam mão de uma série de estratégias não planejadas, cheias de criatividade, para resolver problemas no dia-a-dia.

         Schön identifica nos bons profissionais uma combinação de ciência, técnica e arte. É esta dinâmica que possibilita o professor agir em contextos instáveis como o da sala de aula. O processo é essencialmente meta cognitivo, onde o professor dialoga com a realidade que lhe fala, em reflexão permanente.

         Ora, para maior mobilização do conceito de reflexão na formação de professores é necessário criar condições de trabalho em equipe entre os professores. Sendo assim, isso sugere que a escola deve criar espaço para esse crescimento.

         Nesse sentido, Schön (1997, p. 87) nos diz que:

(...) Nessa perspectiva o desenvolvimento de uma prática reflexiva eficaz tem que integrar o contexto institucional. O professor tem de se tornar um navegador atendo à burocracia. E os responsáveis escolares que queiram encorajar os professores a tornarem-se profissionais reflexivos devem criar espaços de liberdade tranqüila onde a reflexão seja possível. Estes são os dois lados da questão – aprender a ouvir os alunos e aprender a fazer da escola um lugar no qual seja possível ouvir os alunos – devem ser olhados como inseparáveis.”

A proposta prático-reflexiva, propõe-se a levar em conta esta série de variáveis do processo didático, seja aproveitando, seja buscando um processo de metacognição, onde o professor perceba os efeitos de sua atuação na aprendizagem de seus alunos.

 

5.  Formação e Valorização

            A real valorização do magistério precisa ter três alicerces sólidos: boa formação inicial, boa formação continuada e boas condições de trabalho, salário e carreira.

         A Universidade ocupa um papel essencial, mas não o único, para a formação do professor. Ás universidades cabe o papel de oferecer o potencial físico, humano e pedagógico para a formação acontecer no melhor nível de qualidade.

         Não é raro encontrarmos profissionais que responsabilizam a instituição pelo desajuste entre as informações recebidas e sua aplicabilidade. A formação só será completa quando esses profissionais se auto produzirem. Nóvoa (S/D) diz: “Os professores têm de se assumir como produtores da sua profissão.”

         O desenvolvimento profissional corresponde ao curso superior somado ao conhecimento acumulado ao longo da vida. Uma boa graduação é necessária, mas não basta, é essencial atualizar-se sempre, isso remete a necessidade da formação continuada no processo da atuação profissional, ou seja, há a necessidade da construção do saber, no processo de atuação profissional.

         A valorização e melhor remuneração que o profissional docente almeja, depende em boa parte de formação e atuação profissional.

6. CONCLUSÃO:

A formação oportuniza o professor não só  o saber em sala de aula. Ele precisa conhecer as questões educação, as diversas práticas analisadas na perspectiva histórico, sócio-cultural. E ainda, precisa conhecer os desenvolvimento do seu aluno nos seus múltiplos aspectos: afetivo, cognitivo, e social, bem como  refletir criticamente sobre seu papel diante de seus alunos  e da sociedade.

Munido desses saberes elementares, os frutos serão colhidos no ambiente de sala de aula ou fora dele.

7. REFERÊNCIAS:

Freire, Paulo. Pedagogia da Autonomia. 20ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

Nóvoa, Antonio. (coord). Os professores e sua formação. Lisboa-Portugal, Dom Quixote, 1997.

_______. Revista Nova Escola. Agosto/2002,p.23.

Schön, Donald. Os professores e sua formação. Coord. De Nóvoa; Lisboa, Portugal, Dom Quixote, 1997.

Snyders.Entrevista dada à Lourdes Stamato de Camilles, PUC/SP,1990.

[1]Licenciada em Pedagogia pela UNIR; pós graduanda do curso Latu Senso em Metodologia do Ensino Superior pela Universidade Federal de Rondônia.

Contate

Insira seus comentários: por favor não esqueça de mencionar o artigo lido!

Nome:
E-mail:
Artigo Lido:
Telefone:
Comentários:
 

Home Educação s/limites Valores Internos Uso de Ferramentas Telemáticas... Supervisor e Novas Tecnologias Relação Estado-Educação Tempos Globalizados Por trás da Progressão Continuada O Direito de Aprender Ensino/Pesquisa/Compr.Social Liberdade de Ensinar Dislexia e mau leitor: as diferenças Educação "total": superando... O Autor deve respeitar o leitor Você lê um palavrão de 46 letras? A dislexia em sala de aula O analfabetismo do meu bisa Import. da Ginástica Rítmica Desportiva Motivação infantil:sua importância ... Socorro! Está impossível... A Educação Transformadora A Prática Pedagógica à luz... A Cola como direito de Importância do convívio familiar Desenvolvendo Competências Educ. Ambiental: A experiência O papel educador do Estado O lúdico nas Interfaces das... Deficiência Visual: Avaliação Inclusão:Novo Paradigma Gestão Democrática e: O professor, sua formação... Expectativa de Qualidade Supervisão Escolar: semeando neste lugar Como entender crianças que... A formiga Efigência O desafio da mudança na educação Inglês na escola pública: uma discussão quanto à avaliação Meu Desempenho como Prof. Universitário... Gestão Democrática X Autoritarismo Como ensinar Ortografia sem palmatória Reminiscências de uma Educação que Transforma Os Pilares da Violência Considerações sobre o tratamento Fisioterápico da Dor As Tecnologias da Inteligência no Processo O Ciberespaço e a Cibereducação: Cooperatividade Inclusiva através de: Quem já não ouviu falar em Internet? Emoções e Sentimentos no processo de aprendizagem: A Educação Infantil e suas possibilidades Uma escola para o que vai nascer! Novos Currículos: ensino e pesquisa Matemática Lúdica: o uso do Tangram Educação também vem de berço Sugestões a uma professora... Corrida contra o Tempo Crianças e Adolescentes na Internet Conselho de Classe do Bloco: de quando ficamos atentos ... Fisioterapia e Qualidade de Vida

atualizado/setembro/2007