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RESUMO:
Este artigo trará a respeito da formação do professor. Apesar das
várias propostas existentes no âmbito da Educação, percebe-se que os
resultados continuam insatisfatórios, o que demonstra a necessidade
de mudanças.
Nesse aspecto, o professor torna-se um dos principais
protagonistas dessa mudança, portanto, sua formação e sua prática
têm sido motivo de estudos.
PALAVRAS-CHAVES:
Formação, prática reflexiva, trabalho interdisciplinar, valorização.
1.
INTRODUÇÃO:
Impossível falar em qualidade de
ensino, sem falar da formação do professor, questões que estão
intimamente ligadas.
A formação teórica e prática do professor, poderá
contribuir para melhorar a qualidade do ensino, visto que, são as
transformações sociais é que irão gerar transformações no ensino.
Sendo assim, este artigo se ocupará de explanar sobre a
relação existente entre a formação e a prática do professor.
2. A
Formação e a Prática
Há algumas
décadas, acreditava-se que, quando terminada a graduação, o
profissional estaria apto para atuar na sua área o resto da vida.
Hoje a realidade é diferente, principalmente para o profissional
docente. Este deve estar consciente de que sua formação é
permanente, e é integrada no seu dia-a-dia nas escolas.
O
professor não deve se abster de estudar, o prazer pelo estudo e a
leitura deve ser evidente, senão não irá conseguir passar esse gosto
para seus alunos“O professor que não aprende com prazer não
ensinará com prazer. “ Snyders. (1990)
São grandes os desafios que o profissional docente
enfrenta, mas manter-se atualizado e desenvolver práticas
pedagógicas eficientes, são os principais.
Nóvoa (2002, p. 23) diz que: “O aprender contínuo é essencial se
concentra em dois pilares: a própria pessoa, como agente, e a
escola, como lugar de crescimento profissional permanente.” Para
esse estudioso português, a formação continuada se dá de maneira
coletiva e depende da experiência e da reflexão como instrumentos
contínuos de análise.
3. A
relação sócio-interacionista
A
teoria do desenvolvimento intelectual de Vygotsky, sustenta que todo
conhecimento é construído socialmente, no âmbito das relações
humanas. Essa teoria, tem por base o desenvolvimento do indivíduo
como resultado de um processo sócio-histórico, enfatizando o papel
da linguagem e da aprendizagem nesse desenvolvimento, sendo essa
teoria considerada, histórico-social.
O conhecimento que permite o desenvolvimento mental se dá
na relação com os outros. Nessa perspectiva o professor constrói sua
formação, fortalece e enriquece seu aprendizado. Por isso é
importante ver a pessoa do professor e valorizar o saber de sua
experiência.
Para Nóvoa (1997, p.26): “A troca de experiências e a
partilha de saberes consolidam espaços de formação mútua, nos quais
cada professor é chamado a desempenhar, simultaneamente, o papel de
formador e de formando.”
O trabalho em equipe e o trabalho interdisciplinar se
revelam importantes. Quando as decisões são tomadas em conjunto,
desfavorece, de certa forma, a resistência às mudanças e todos
passam a ser responsáveis para o sucesso da aprendizagem na escola.
O trabalho interdisciplinar evita que os professores
conduzam seus trabalhos isoladamente, em diferentes direções, pois a
produção de práticas educativas eficazes, surge de uma reflexão da
experiência pessoal partilhada entre os colegas.
O sucesso profissional do professor, o espaço ideal para
seu crescimento, sua formação continuada, pode ser também seu local
de trabalho.
4. O
Professor como Prático-Reflexivo
Estudos apontam que existe a necessidade
de que o professor seja capaz de refletir sobre sua prática e
direcioná-la segundo a realidade em que atua, voltada aos interesses
e às necessidades dos alunos.
Nesse
sentido, Freire, (1996, p.43) afirma que: “É pensando
criticamente a prática de hoje ou de ontem é que se pode melhorar a
próxima prática.”
Para entendermos melhor esse aspecto, devemos recorrer a
Schön.
Donald Schön, foi idealizador do conceito de Professor
Prático-Reflexivo, percebeu que em várias profissões, não apenas na
prática docente, existem situações conflitantes, desafiantes, que a
aplicação de técnicas convencionais, simplesmente não resolvem
problemas.
Não se trata aqui de abandonar a utilização da técnica na
prática docente, mas haverá momentos em que o professor estará em
situações conflitantes e ele não terá como guiar-se somente por
critérios técnicos pré-estabelecidos.
Para Nóvoa (1997, p.27):
“ As situações
conflitantes que os professores são obrigados a enfrentar (e
resolver) apresentam características únicas, exigindo portanto
características únicas: o profissional competente possui capacidades
de autodesenvolvimento reflexivo (...) A lógica da racionalidade
técnica opõe-se sempre ao desenvolvimento de uma práxis reflexiva.”
Os bons profissionais lançam mão de uma série de estratégias não
planejadas, cheias de criatividade, para resolver problemas no
dia-a-dia.
Schön identifica nos bons profissionais uma combinação de
ciência, técnica e arte. É esta dinâmica que possibilita o professor
agir em contextos instáveis como o da sala de aula. O processo é
essencialmente meta cognitivo, onde o professor dialoga com a
realidade que lhe fala, em reflexão permanente.
Ora, para maior mobilização do conceito de reflexão na
formação de professores é necessário criar condições de trabalho em
equipe entre os professores. Sendo assim, isso sugere que a escola
deve criar espaço para esse crescimento.
Nesse sentido, Schön (1997, p. 87) nos diz que:
(...) Nessa
perspectiva o desenvolvimento de uma prática reflexiva eficaz tem
que integrar o contexto institucional. O professor tem de se tornar
um navegador atendo à burocracia. E os responsáveis escolares que
queiram encorajar os professores a tornarem-se profissionais
reflexivos devem criar espaços de liberdade tranqüila onde a
reflexão seja possível. Estes são os dois lados da questão –
aprender a ouvir os alunos e aprender a fazer da escola um lugar no
qual seja possível ouvir os alunos – devem ser olhados como
inseparáveis.”
A
proposta prático-reflexiva, propõe-se a levar em conta esta série de
variáveis do processo didático, seja aproveitando, seja buscando um
processo de metacognição, onde o professor perceba os efeitos de sua
atuação na aprendizagem de seus alunos.
5.
Formação e Valorização
A real valorização do magistério precisa
ter três alicerces sólidos: boa formação inicial, boa formação
continuada e boas condições de trabalho, salário e carreira.
A Universidade ocupa um papel essencial, mas não o único,
para a formação do professor. Ás universidades cabe o papel de
oferecer o potencial físico, humano e pedagógico para a formação
acontecer no melhor nível de qualidade.
Não é raro encontrarmos profissionais que responsabilizam a
instituição pelo desajuste entre as informações recebidas e sua
aplicabilidade. A formação só será completa quando esses
profissionais se auto produzirem. Nóvoa (S/D) diz: “Os
professores têm de se assumir como produtores da sua profissão.”
O desenvolvimento profissional corresponde ao curso
superior somado ao conhecimento acumulado ao longo da vida. Uma boa
graduação é necessária, mas não basta, é essencial atualizar-se
sempre, isso remete a necessidade da formação continuada no processo
da atuação profissional, ou seja, há a necessidade da construção do
saber, no processo de atuação profissional.
A valorização e melhor remuneração que o profissional
docente almeja, depende em boa parte de formação e atuação
profissional.
6.
CONCLUSÃO:
A formação oportuniza o professor não só o saber em sala
de aula. Ele precisa conhecer as questões educação, as diversas
práticas analisadas na perspectiva histórico, sócio-cultural. E
ainda, precisa conhecer os desenvolvimento do seu aluno nos seus
múltiplos aspectos: afetivo, cognitivo, e social, bem como refletir
criticamente sobre seu papel diante de seus alunos e da sociedade.
Munido desses saberes elementares, os frutos serão colhidos
no ambiente de sala de aula ou fora dele.
7. REFERÊNCIAS:
Freire, Paulo. Pedagogia da Autonomia.
20ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
Nóvoa, Antonio. (coord). Os professores
e sua formação. Lisboa-Portugal, Dom Quixote, 1997.
_______. Revista Nova Escola.
Agosto/2002,p.23.
Schön, Donald. Os professores e sua
formação. Coord. De Nóvoa; Lisboa, Portugal, Dom Quixote, 1997.
Snyders.Entrevista dada à Lourdes Stamato
de Camilles, PUC/SP,1990.
Licenciada
em Pedagogia pela UNIR; pós graduanda do curso Latu Senso em
Metodologia do Ensino Superior pela Universidade Federal de
Rondônia. |