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A atuação do Psicopedagogo na instituição visa a fortalecer-lhe
a identidade, bem como buscar o resgate das raízes dessa instituição, ao
mesmo tempo em que procura sintonizá-la com a realidade que está sendo
vivenciada no momento histórico atual, buscando adequar essa escola às
reais demandas da sociedade.
Durante todo o processo educativo,
procura investir numa concepção de ensino-aprendizagem que:
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Fomente interações
interpessoais;
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Incentive
os sujeitos da ação educativa a atuarem considerando integradamente as
bagagens intelectual e moral;
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Estimule a postura
transformadora de toda a comunidade educativa para, de fato, inovar a
prática escolar; contextualizando-a;
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Enfatize o essencial:
conceitos e conteúdos estruturantes, com significado relevante, de
acordo com a demanda em questão;
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Oriente e interaja com o
corpo docente no sentido de desenvolver mais o raciocínio do aluno,
ajudando-o a aprender a pensar e a estabelecer relações entre os
diversos conteúdos trabalhados;
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Reforce a parceria entre
escola e família;
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Lance as bases para a
orientação do aluno na construção de seu projeto de vida, com clareza de
raciocínio e equilíbrio;
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Incentive a implementação de
projetos que estimulem a autonomia de professores e alunos;
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Atue junto ao corpo docente
para que se conscientize de sua posição de “eterno aprendiz”, de sua
importância e envolvimento no processo de aprendizagem, com ênfase na
avaliação do aluno, evitando mecanismos menores de seleção, que dirigem
apenas ao vestibular e não à vida.
Nesse sentido, o material didático adotado, após criteriosa análise, deve
ser utilizado como orientador do trabalho do professor e nunca como o
único recurso de sua atuação docente.
Com certeza, se almejamos contribuir
para a evolução de um mundo que melhore as condições de vida da maioria da
humanidade, nossos alunos precisam ser capazes de olhar esse mundo real em
que vivemos, interpretá-lo, decifrá-lo e nele ter condições de interferir
com segurança e competência.
Para
tanto, juntamente com toda a Equipe Escolar, o
Psicopedagogo estará mobilizado na construção de um espaço
concreto de ensino- aprendizagem, espaço este orientado pela visão de
processo, através do qual todos os participantes se articulam e mobilizam
na identificação dos pontos principais a serem intensificados e
hierarquizados, para que não haja ruptura da ação, e sim continuidade
crítica que impulsione a todos em direção ao saber que definem e lutam por
alcançar.
Considerando a
escola responsável por parcela significativa da formação do ser humano,
o trabalho psicopedagógico na instituição escolar,
que podemos chamar de psicopedagogia preventiva, cumpre a
importante função de socializar os conhecimentos disponíveis, promover o
desenvolvimento cognitivo e a construção de normas de conduta inseridas
num mais amplo projeto social, procurando afastar, contrabalançar a
necessidade de repressão. Assim, a escola, como mediadora no processo de
socialização, vem a ser produto da sociedade em que o indivíduo vive e
participa. Nela, o professor não apenas ensina, mas também aprende.
Aprende conteúdos, aprende a ensinar, a dialogar e liderar; aprende a ser
cada vez mais um cidadão do mundo, coerente com sua época e seu papel de
ensinante, que é também aprendente. Agindo assim, a maioria das questões
poderão ser tratadas de forma preventiva, antes que se tornem verdadeiros
problemas.
Em sua obra “A Psicopedagogia no Brasil- Contribuições a Partir da
Prática”, Nádia Bossa registra o termo
prevenção como referente à atitude do profissional no sentido
de adequar as condições de aprendizagem de forma a evitar comprometimentos
nesse processo, Partindo da criteriosa análise dos fatores que podem
promover, como dos que têm possibilidade de comprometer o processo de
aprendizagem, a Psicopedagogia Institucional elege a metodologia e/ou a
forma de intervenção com o objetivo de facilitar e/ou desobstruir tal
processo, o que vem a ser sua função precípua, colaborando, assim, na
preparação das gerações para viver plenamente a complexidade
característica da época. Sabemos que o aluno de hoje deseja que sua
escola reflita a sua realidade e o prepare para enfrentar os desafios que
a vida social apresenta, portanto não aceita ser educado com padrões já
obsoletos e ultrapassados.
“A psicopedagogia trabalha e estuda a
aprendizagem, o sujeito que aprende, aquilo que ele está apontando como a
escola em seu conteúdo sociocultural. É uma área das Ciências Humanas que
se dedica ao estudo dos processos de aprendizagem. Podemos hoje afirmar
que a Psicopedagogia é um espaço transdisciplinar, pois se constitui a
partir de uma nova compreensão acerca da complexidade dos processos de
aprendizagem e, dentro desta perspectiva, das suas deficiências.”(Nívea
M. C. Fabrício).
Surgiu
da necessidade de melhor compreensão do processo de aprendizagem,
comprometida com a transformação da realidade escolar, na medida em que
possibilita, mediante exercício, análise e ação reflexivas, superar os
obstáculos que se interpõem ao pleno domínio das ferramentas necessárias à
leitura do mundo e atuação coerente com a evolução e progresso da
humanidade, colaborando, assim, para transformar a escola extemporânea,
que não está conseguindo acompanhar o aluno que chega a ela, em escola
contemporânea, capaz de lidar com os padrões que os alunos trazem e de se
contrapor à cultura de massas predominante, dialogando com essa cultura.
Educação e
Psicologia, como também Psicanálise, Lingüística e Filosofia,
dentre outras, se unem para participar na solução de problemas que possam
surgir no contexto educativo; todas passam a levar em conta esse contexto,
os fins da educação e a problemática dos meios para realizá-la, elevando
o aluno à categoria de sujeito do conhecimento, envolvendo na solução as
estratégias pedagógicas adequadas, considerando liderança, diálogo,
visão, pensamento e ação como pilares de sustentação de uma organização
dinâmica, situada, responsável e humana ( Isabel Alarcão).
Há necessidade de, não apenas
conhecer a ação, mas orientá-la, integrando o trabalho de acompanhamento
de procedimentos didáticos à resolução de problemas de adaptação escolar,
que podem ser caracterizados como aqueles que emergem da relação, da
interação entre as pessoas e entre elas e o meio, surgindo em função de
desarmonias entre o sujeito e as circunstâncias do ambiente. Essas
desarmonias podem até adotar modalidades patogênicas ou patológicas, que
requerem encaminhamentos específicos que podem extrapolar o espaço
escolar.
REFLETINDO
SOBRE A PRÁXIS
Visando favorecer a apropriação do conhecimento pelo ser humano, ao longo
de sua evolução, a ação psicopedagógica consiste
numa leitura e releitura do processo de aprendizagem, bem como da
aplicabilidade de conceitos teóricos que lhe dêem novos contornos e
significados, gerando práticas mais consistentes, que respeitem a
singularidade de cada um e consigam lidar com resistências. A ação desse
profissional jamais pode ser isolada, mas integrada à ação da equipe
escolar, buscando, em conjunto, vivenciar a escola, não só como espaço de
aprendizagem de conteúdos educacionais, mas de convívio, de cultura, de
valores, de pesquisa e experimentação, que possibilitem a flexibilização
de atividades docentes e discentes.
Utilizando a situação específica de
incorporação de novas dinâmicas em sala de aula, contemplando a
interdisciplinaridade, juntamente com outros profissionais da escola,
o psicopedagogo estimula o
desenvolvimento de relações interpessoais, o estabelecimento de vínculos,
a utilização de métodos de ensino compatíveis com as mais recentes
concepções a respeito desse processo. Procura envolver a equipe escolar,
ajudando-a a ampliar o olhar em torno do aluno e das circunstâncias de
produção do conhecimento.
A prática
psicopedagógica tem contribuído para a flexibilização da
atuação docente na medida em que coloca questões que estimulam a reflexão
e a confrontação com temáticas ainda insuficientemente discutidas, de
manejo delicado, que, na maioria das vezes, podem produzir conflito. Isto
se deve, em geral, ao quadro de comprometimento do aluno/instituição, que
apresenta dificuldades múltiplas, envolvendo as competências cognitivas,
emocionais, atitudinais, relacionais e comunicativas almejadas e
necessárias à sociedade. Em decorrência, ações específicas, integradas e
complementares de diferentes profissionais devem compor um projeto de
escola coerente e impulsionador de valores e relações humanas vividos no
ambiente escolar. Projeto que envolva o recurso humano: professores,
alunos, comunidade para, através dele, transformar não só a cultura que se
vive na escola, mas na sociedade. |