Relações Familiares/Tecnologias

 Por que você não se junta a seu filho enquanto ele está no computador e conversa com ele, ouvindo-o, questionando, argumentando?

Por que você não se senta ao lado dele durante um programa de  televisão  e analisam juntos o conteúdo, finalidades e intenções do programa?

Por que você não aprende a jogar videogame com seu filho e aproveita a oportunidade para se aproximar ainda mais dele?

 

         Nestes dias de globalização, em que a televisão, a internet, os videogames são realidades presentes no cotidiano de uma parcela bastante significativa da população, a influência de tais recursos tecnológicos de comunicação abre espaço para a interatividade, pela qual os sujeitos participam, podendo interferir no sistema com suas ações, provocando reformulações no projeto original.

         Neste cenário, não há justificativa para se deixar crianças e jovens expostos à influência absoluta dos meios de comunicação, com o que correm o risco, entre outros,  de se tornar espectadores passivos, egoístas, com atenção dispersa, sem concentração, presas fáceis da obesidade, do consumismo e da violência,  que trazem como resultado um baixo desempenho escolar, diminuição da comunicação familiar, aumento da atividade sexual precoce... 

         Aspectos negativos como estes podem ser evitados ou combatidos mediante postura crítica e criativa dos pais, familiares e educadores que, numa posição realista, assumem que o ideal não é proibir totalmente a garotada de assistir televisão, jogar videogame e/ou conectar-se com a internet, e sim cultivar com este público uma relação de confiança, proximidade e cumplicidade, que possibilite, além da diminuição do tempo de exposição a tais recursos tecnológicos, um estreitamento de relações emocionais, com troca de experiências e possibilidade de diálogo sobre assuntos diversos, inclusive sobre o conteúdo de programas de TV, sites da internet, motivações e objetivos de diferentes jogos de videogames, etc, favorecendo a aprendizagem.

Dessa forma, os adultos estarão mais próximos de suas crianças e jovens, podendo apresentar-lhes outras possibilidades lúdicas e de lazer, com jogos, brinquedos e passeios que envolvam, também, atividade física e de interação com colegas de sua idade e com o meio ambiente, o que é fundamental para a construção de conceitos, de valores e o desenvolvimento adequado da personalidade.

Na medida em que se posicionam frente às instituições/emissoras/indústrias, enviando e-mails, telefonando, boicotando programas considerados inadequados, enfim, interagindo e exigindo a adequação dos programas/produtos a horários e faixas etárias atendidas, os adultos assumem a função de cidadãos conscientes, responsáveis, críticos e ativos, fazendo valer seu poder de público consumidor frente aos desafios da atualidade e, sobretudo, transformando recursos tecnológicos em aliados na formação e no desenvolvimento das novas gerações.

 Lembre-se: a presença dos pais na vida dos filhos é a melhor prevenção contra a violência, o consumismo, a desumanização.

Joana Maria Rodrigues Di Santo, Psicopedagoga, Mestre em Educação, diretora do CRE, consultora em educação.

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atualizado/setembro/2007