3. CONCLUSÃO DA RESENHISTA:
De um modo
geral, os autores apóiam-se em diversos estudiosos para emitir suas
conclusões. Numa das poucas oportunidades em que declara suas próprias
idéias, GEWANDSZNAJDER nos lembra que a decisão de adotar uma postura
crítica, de procurar a verdade e valorizar a objetividade é uma decisão
livre. Alerta-nos que determinadas escolhas geram conseqüências que
poderão ser consideradas indesejáveis pelo sujeito ou pela comunidade.
Supondo, num exemplo extremo, que se decida “afrouxar” os padrões da
crítica a ponto de abandonar o uso de argumentos e a possibilidade de
corrigir-se os próprios erros com a experiência, não mais distinguiríamos
uma opinião racional, conseqüência de ponderações, críticas e discussões
que consideram diferentes posições, de um simples preconceito, que se
utiliza de conceitos falsos para julgar pessoas pelo grupo a que
pertencem, levando a discriminações.
Também
aqui sua conclusão apóia-se em um autor: “Finalmente como diz Popper, se
admitimos não ser possível chegar a um consenso através de argumentos, só
resta o convencimento pela autoridade. Portanto, a falta de discussão
crítica seria substituída por decisões autoritárias, soluções arbitrárias
e dogmáticas – e até violentas – para se decidir uma disputa” (pág 64).
Com este discurso,
incentiva-nos a reagir à acomodação e falsa neutralidade, mostrando nossa
responsabilidade em tudo que fazemos e criamos, pois a decisão final será
sempre um ato de valor e pode ser esclarecida pelo pensamento, através da
análise das conseqüências posições de determinada decisão.
Respaldando, ainda, suas
opiniões em autores de peso, destaca que a história da ciência mostra que
nas revoluções científicas não há mudanças radicais no significado de
todos os conceitos, sendo utilizada uma linguagem capaz de ser
compreendida por ambos os lados.
Enfatiza que a maioria
dos problemas estudados pelos cientistas surge a partir de um conjunto de
teorias científicas que funciona como um conhecimento de base. E é este
conhecimento de base que procura nos fornecer, deixando claro que a
formulação e resolução de problemas só podem ser feitas por quem tem um
bom conhecimento das teorias científicas de sua área. Completa dizendo
que um bom cientista não se limita a resolver problemas, mas também
formula questões originais e descobre problemas onde outros viam apenas
fatos banais, pois “os ventos só ajudam aos navegadores que têm um
objetivo definido”.(pág. 66)
Alves – Mazzotti,
esclarece que os teórico-críticos enfatizam o papel da ciência na
transformação da sociedade, apesar da forma de envolvimento do cientista
nesse processo de transformação como objeto de debate. Complementa com a
posição de diferentes autores sobre cientistas sociais, parceiros na
formação de agendas sociais através de sua prática científica, sendo esse
envolvimento e a militância política questões distintas. Enfatiza que a
diferença básica entre a teoria crítica e as demais abordagens
qualitativas está na motivação política dos pesquisadores e nas questões
sobre desigualdade e dominação que, em conseqüência, permeiam seus
trabalhos.
Coerente com essas
preocupações, a abordagem crítica é essencialmente relacional: busca
investigar o que ocorre nos grupos e instituições relacionando as ações
humanas com a cultura e as estruturas sociais e políticas, procurando
entender de que forma as redes de poder são produzidas, mediadas e
transformadas. Parte do pressuposto de que nenhum processo social pode ser
compreendido de forma isolada, como instância neutra, acima dos conflitos
ideológicos da sociedade. Ao contrário, estão sempre profundamente
ligados, vinculados, às desigualdades culturais, econômicas e políticas
que dominam nossa sociedade.
Os autores concluem que
coexistem atualmente diferentes linhas filosóficas acerca da natureza do
método cientifico, o que também é válido em relação aos critérios para
avaliação das teorias cientificas. Concordam, também, que a pesquisa nas
ciências sociais se caracteriza por uma multiplicidade de abordagens, com
pressupostos, metodologias e estilos diversos.
Finalmente, deixam claro
que o uso do método científico não pode ser considerado de maneira
independente dos conceitos ou das bases teóricas, implícita ou
explicitamente, envolvidos na pesquisa.
4. CRÍTICA DA RESENHISTA:
A obra
fornece subsídios à nossa pesquisa científica, à medida que trata dos
principais autores/protagonistas da discussão/construção do método
cientifico na história mais recente, reportando-se a esclarecimentos mais
distantes sempre que necessário.
Com sólidos conhecimentos
acerca do desenrolar histórico, os autores empenham-se em apresentar clara
e detalhadamente as circunstâncias e características da pesquisa
cientifica, levando-nos a compreender as idéias básicas das várias linhas
filosóficas contemporâneas, bem como a descobrir uma nova maneira de ver o
que já havia sido visto, estudado.
É uma leitura que exige
conhecimentos prévios para ser entendida, além de diversas releituras e
pesquisas quanto a conceitos, autores e contextos apresentados, uma vez
que as conclusões emergem a partir de esclarecimentos e posições de
diversos estudiosos da ciência e suas aplicações e posturas quanto ao
método científico.
Com estilo claro o
objetivo, os autores dão esclarecimentos sobre o método cientifico nas
ciências naturais e sociais, exemplificando, impulsionando reflexão
crítica e discussão teórica sobre fundamentos filosóficos. Com isso
auxiliam sobremaneira a elaboração do nosso plano de pesquisa.
Os exemplos citados amplamente nos
auxiliam na compreensão da atividade científica e nos possibilitam
analisar e confrontar várias posições, a fim de chegarmos à nossa própria
fundamentação teórica, decidindo-nos por uma linha de pesquisa.
Mostram-nos a imensa possibilidade de trabalhos que existe no campo da
ciência, além de nos encaminhar para exposições mais detalhadas a respeito
de determinados tópicos abordados, relacionando autores e bibliografia
específicas.
Finalmente, com o estudo dessa obra, podemos amadurecer mais, inclusive
para aceitar e até solicitar crítica rigorosa, que em muito pode
enriquecer nosso trabalho.
5. INDICAÇOES
DA RESENHISTA:
A obra
tem por objetivo discutir alternativas e oferecer sugestões para
estudantes universitários e pesquisadores, a fim de que possam realizar,
planejar e desenvolver as próprias pesquisas, na graduação e
pós-graduação, utilizando-se do rigor necessário à produção de
conhecimentos confiáveis. É de grande auxilio, principalmente, àqueles que
desenvolvem trabalhos acadêmicos no campo da ciência social.
Não se trata de
um simples manual, com passos a serem seguidos, mas um livro que apresenta
os fundamentos necessários à compreensão da natureza do método científico,
nas ciências naturais e sociais, bem como diretrizes operacionais que
contribuem para o desenvolvimento da atitude crítica necessária ao
progresso do conhecimento.
Joana
Maria Rodrigues Di Santo é Psicopedagoga experiente, com atuação
significativa em Psicopedagogia Institucional, Coordenadora de Ensino
Médio e Fundamental, Supervisora aposentada do Município de São Paulo,
Mestre em Educação, profere palestras e assessora diversas escolas.


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