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Ao iniciar a introdução o autor coloca uma questão fundamental: por que
sentimos falta de Ética?
Aponta então que
estamos em uma sociedade em mudança, o que provoca abalos e crises nos
fundamentos do convívio social e a carência de ética passa a ser
acentuadamente notada, ao contrário de sociedades estáveis nas quais a
ética passa desapercebida.
A
CARÊNCIA ÉTICA, COMO ENFRENTÁ-LA?
É o que preocupa.
Existe uma queixa freqüente quanto a falta de ética em nossa sociedade.
Essa ausência de critérios éticos se reflete não só filosofia de vida que
norteia a prática cotidiana, mas de modo geral na sociedade como um todo
em variadas esferas: política, industrial, comercial, assim como naquilo
que é veiculado pelas diferentes mídias. Impera a busca de vantagens e da
impunidade gozada pelos poderosos.
O autor aponta caminhos para reagir diante da situação
em que vivemos, caminhos que perpassam desde a mudança de postura de
governantes, legisladores, poder judiciário, bem como um que de modo
algum pode ser negligenciado quando se busca a construção de uma sociedade
ética: a educação.
A falta de educação ética constitui-se para o autor talvez na principal
causa da carência de ética com que estamos nos deparando nos últimos
tempos.
Família e escola não são vistas como
simples reflexos passivos da sociedade em geral, mas são detentoras da
condição de articulação para reagir à situação vigente, desde que
motivadas para tal, o que poderia acontecer se dotadas de mecanismos
específicos de educação ética. Entende, que a população de certo modo já
começa a tomar consciência dessa ausência de critérios éticos na vida
cotidiana, iniciando reações no sentido de cobrar dos governantes medidas
éticas para acabar com a impunidade.
Formular uma educação ética não é fácil. O Estado autoritário, o
proselitismo das religiões e democracia laica com sua visão puramente
temporal do ser humano, constituem-se em fatores que dificultam essa
formulação, mas o educador não pode desistir de buscar um caminho para
formar a consciência da juventude, pois é a partir dela que se pode
construir uma sociedade de justiça e liberdade.
EDUCAÇÃO ÉTICA
E RELIGIÃO
O caminho para
a educação ética perpassa por todas as atividades humanas, mas a uma
compete especialmente zelar por ela:
a religião,
e o objetivo do autor neste ensaio é propor a reformulação da educação
ética, contando inclusive com a nova maneira de entender a religião para
formular uma pedagogia ética, adequada ao contexto cultural da escola, de
modo que a educação contribua para enfrentar a carência de ética
existente.
COMO SE COLOCA
O PROBLEMA DA EDUCAÇÃO ÉTICA?
Norteado pela convivência com professores de educação religiosa, o autor
tem a convicção de que não há grandes possibilidades de enfrentar o
problema ético a partir das posições fixadas por uma determinada religião,
por uma concepção filosófica qualquer, por uma visão de mundo racionalista
ou positivista, pois estas não se mostram capazes de responder às
interrogações cada vez mais radicais da juventude.
Jovens, adolescentes e crianças têm mostrado claramente que o grande
centro de interesse, a grande esperança, encontra-se neles mesmos, na
possibilidade de buscar por conta e risco o sentido da vida.
Do ponto de vista do educador é mais hábil aceitar essa atitude radical,
que rejeita tudo o que vem de fora, e procurar no próprio modo de ser do
jovem, na sua subjetividade, um caminho para construir uma pedagogia que
inclua os principais elementos de base, componentes de toda estrutura
ética: liberdade, consciência, lei, direitos e deveres, aspirações,
justiça, verdade, fidelidade, amor, e o fazendo como uma espécie de
coerência pessoal, de condição imanente ao próprio sujeito ético, da
autonomia.
O EDUCANDO, PONTO DE PARTIDA DA EDUCAÇÃO ÉTICA
A necessidade de elaborar uma ética a partir do sujeito, não tem a
pretensão de modelar o educando e sim de fornecer elementos para que ele
mesmo encontre o caminho da convivência na liberdade.
Para tal conta de tal tarefa, a autor aponta alguns pontos que serão
discutidos em outros capítulos da obra, quais sejam:
-
discutir a relação entre
religião e ética, haja vista o vínculo que ainda guardam com a
religiosidade difusa em nosso meio cultural;
-
a partir do ser humano
concreto, buscando conhecer os fatores culturais que condicionam a
maneira de pensar a vida humana pela juventude de hoje, buscando assim
uma ética para o nosso tempo;
-
quais as condições e
por que caminhos se pode pensar na elaboração de uma ética, lembrando
que contribuições de filósofos da antiguidade como Aristóteles, Tomás de
Aquino, Agostinho de Hipona não deixaram de ser atuais, despertando
perspectivas renovadas para embasar descobertas e decisões quanto ao
sentido da vida em nossa sociedade;
-
necessidade de trabalhar
com a pessoa concreta, com o ser histórico que se constrói no tempo e no
espaço, buscando o que é melhor para esses seres concretos. Desta
maneira, a comunidade humana é o educador ético por excelência;
-
apesar de situado no tempo
e no espaço, o ser humano só torna-se plenamente humano quando voltado
para a transcendência, o que faz com que toda pedagogia ética se
encontre numa pedagogia religiosa.
CONCLUSÃO DO
AUTOR
“Montar um mecanismo de auto-educação autônoma, em que o próprio
educando vá traçando seu caminho, para se tornar plenamente o que é
chamado a ser e se realizar como ser humano na comunidade em que vive e em
que é chamado a ser feliz.”
Para o autor, está nessa afirmação, formulado o
problema central da pedagogia da ética, e, sendo novos os tempos em que
vivemos, trata-se de elaborar uma nova ética do sujeito consciente e livre
buscando o que há de melhor para seres concretos e históricos, que somente
tornar-se-ão plenamente humanos quando voltados para a transcendência.
Catão,
F. A pedagogia ética. Petrópolis: Vozes, 1995. Introdução- Resenha,
Vera Lúcia C. Zacharias
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