
- Só acontece uma aprendizagem válida quando o
estudante apreende seu objeto como tendo uma relação com seus projetos
pessoais; deste modo, o mestre deve ajudar o aluno a encontrar e tratar
de problemas que lhe sejam significativos.
- Um ambiente escolar compreensivo e encorajador, a
ausência de notas, e a avaliação de si mesmo possibilitam que o aluno
realize progressos.
- Um dos melhores meios para promover a aprendizagem
consiste em confrontar o aluno com problemas práticos, pessoais,
sociais, morais, filosóficos e problemas de pesquisa.
- Um ensino autodeterminado que envolve tanto os
sentimentos como a inteligência é aquele que penetra e é mantido por
mais tempo; a aprendizagem mais eficaz é aquela em que a pessoa e
empenha numa aprendizagem de si para si.
- No mundo de hoje, a aprendizagem mais útil
socialmente é aprender a ficar aberto à própria experiência e a
internalizar o processo de mudança de modo a poderem viver bem num
mundo em constantes mudanças.
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Essa visão de
ensino fundamenta-se em dez princípios que resultaram da experiência de
Rogers. São eles:
- Os seres humanos tem uma capacidade natural para a
aprendizagem, a qual, não se efetua sem alguma dor, mas, o ser humano
obtém prazer em desenvolver seu potencial, o que acaba por ultrapassar
as dificuldades que sofre.
- A aprendizagem que implica em mudança na organização
ou percepção do ego é sentida como ameaçadora e existe uma tendência à
resistência, o que pode torná-la penosa e ameaçadora.
- Ameaças contra o ego, como o ridículo, as
humilhações, o rebaixamento e o desprezo constituem ameaças à percepção
que cada um tem de si mesmo e, como tais, interferem seriamente na
aprendizagem.
- A aprendizagem é facilitada quando o estudante
escolhe por si mesmo os meios para aprender e se apercebe de que deve
responsabilizar-se de modo direto pelas conseqüências de suas ações.
- São as crianças e os adolescentes que devem avaliar
os próprios comportamentos, obter conclusões e decidir sobre os
critérios que lhes convém, desenvolvendo a autocrítica e auto-avaliação
e estas são consideradas fundamentais em relação à avaliação feita pelos
outros. Deste modo, a independência de espírito, a criatividade e a
confiança em si são facilitadas.
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O papel facilitador do ensino
Para que o aluno tenha a
liberdade de aprender o mestre precisa tornar-se um facilitador.
Para Rogers este termo, facilitador, traduz um mestre que estabeleça em sua sala um clima
positivo construído pela confiança em relação ao grupo e às pessoas. E, para
ser um facilitador, o docente deve também aceitar a si próprio, conhecer
seus limites, ser ele mesmo, sem fachadas e máscaras ( condição
fundamental para qualquer relação verdadeira), precisando ainda,
estabelecer uma compreensão "empática" com o aluno de modo que o leve a
compreender o modo como o outro sente os acontecimentos, como expressa
suas idéias e também os sentimentos.
Esse facilitador compreenderá os sentimentos do
estudante e o aceitará como é, optando por uma atitude de consideração
positiva incondicional. Essa aceitação é a exigência de respeitar o outro
como alguém que tem o direito de ser diferente da pessoa do mestre.
Enquanto fornece condições para que o aluno se sinta livre para escolher o
projeto que deseja realizar, o mestre deve procurar organizar o espaço em
que esse projeto tenha possibilidade de tomar corpo, reunindo o máximo de
recursos de aprendizagem, assim como ele mesmo se proporá como um recurso:
conselheiro, guia, consultor...
O mestre facilitador, empático e acolhedor não se torna o
dono da identidade do aluno, mas, também, não perde a sua própria.
A abordagem humanista entende que o
mundo é “criado” em cada indivíduo com base em suas percepções,
estímulos e experiências. Por isto, deve-se permitir ao aluno criar sua
própria noção de mundo calçado em suas experiências.
A teoria rogeriana tem uma grande relevância pela insistência
dada à importância da qualidade das relações interpessoais e na confiança
que é necessário dar ao aluno.
O pensamento de Carl Rogers foi bastante criticado,
principalmente por causa de sua não- diretividade, críticas muitas vezes
baseadas em esteriótipos de sua teoria.
Pedagogia rogeriana e práticas sociais
Na área do trabalho social a corrente
rogeriana encontra uma boa aceitação, pois na base desse trabalho
está o conceito de não- diretividade, ao ter como objetivo o indivíduo ser
capaz de dirigir-se e controlar seu próprio desenvolvimento.
Os trabalhadores sociais que atuam com
esses objetivos têm como pressupostos a aceitação do indivíduo, a
confiança em suas capacidades e recursos, o reconhecimento das diferenças.
Nessa perspectiva existe a crença na possibilidade de mudança pela
auto-descoberta e libertação da afetividade, na capacidade de assumir
responsabilidades e tomar decisões autônomas na organização de sua vida.
Pourtois & Desmet (1999, 226) coloca:
"Notemos que a corrente rogeriana insiste fortemente no desenvolvimento da
pessoa. Os valores que privilegia são de uma pessoa voluntária,
responsável, autônoma. Não se interessa pelo homem social, mas reforça a
importância fundamental da qualidade das relações interpessoais".
Bibliografia: Pourtois, J. P, et Desmet H.
A educação pós-moderna. Loyola, 1999.
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