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Muito se tem escrito sobre a informática na escola, mas há
pouco consenso entre os diversos autores e educadores sobre o valor do uso dessa
tecnologia em relação aos ganhos que ele pode trazer aos nossos alunos.
Muitos ainda acreditam que a computação irá criar uma
revolução na educação, o que não está acontecendo, como já podemos constatar. As
chances de mudar apenas por possuir computadores nas escolas, é quase nula. O que está
em foco, e precisa ser entendido é a utilização que vai ser dada à máquina.
Em um bom número de escolas o aprendizado de português,
matemática, ou de qualquer outro componente curricular, que é seu objetivo primordial,
fica quase que esquecido pelo uso de programas, que por serem divertidos,
entusiasmam os alunos, enquanto na realidade, estão apenas aprendendo a manipular o
computador.
O marketing realizado em torno do ensino utilizando computadores
tem criado expectativas que muitas vezes desvirtuam o projeto pedagógico da escola,
quando esta passa a querer atender a pais que desejam que os filhos sejam
profissionalizados em computação, por meio da escola.
Neste artigo, parto do ponto de vista que a informática quanto
adotada nas escolas deve se integrar ao currículo, não como uma disciplina, mas como uma
ferramenta, inclusive, multidisciplinar, constituindo-se em alguma coisa a mais que
o professor pode contar para bem realizar o seu trabalho; desenvolvendo atividades
que levem a uma reflexão sobre qual a melhor forma de empregar seus recursos,
analisando as características de cada disciplina; realizando a imprescindível
interação entre as diversas disciplinas e os recursos da informática.
Quando utilizada desta maneira na escola, ou seja, a
informática a serviço de um projeto educacional, propicia condições aos
alunos de trabalharem a partir de temas, projetos ou atividades, surgidos no contexto da
sala de aula. Em decorrência dessas situações os alunos podem contar com a
interatividade e a programabilidade possibilitada pelo computador.
Assim sendo, nossa preocupação fundamental é a com o
desenvolvimento de valores, com a concepção que temos das finalidades da educação e da
convicção de que necessitamos formar um indivíduo com a inteligência desenvolvida, com
cultura, flexível, crítico e criativo. A informática pode fazer parte desse universo,
mas não pode ser encarada como um objetivo por si própria.
O computador, como o livro ou qualquer
outro material didático que usamos, é apenas e tão somente: um meio.
" Informação não é conhecimento. Você pode
produzir dados primários em massa e incríveis quantidades de fatos e números. Mas não
pode fazer produção em massa de conhecimento, que é criado por mentes individuais,
separando o significativo do irrelevante, realizando julgamentos de valor. Theodore
Roszak, autor do livro `O Culto da Informação´".
Entendemos que qualquer instrumento de ensino, desde o mais
simples até o mais altamente elaborado, depende de quem o usa e de como isso é feito.
Cabe ao professor a responsabilidade de diversificar a abordagem de seu componente
curricular.
A nossa proposta para o uso do computador encontra-se no contexto
das mudanças e evoluções ocorridas na sociedade.
A escola não pode deixar de incorporar as novas
transformações, intervindo para sistematizar a integração de todos os recursos
pedagógicos e usando o que de melhor cada um tem para oferecer.
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