Uso do Computador na Escola

Há alguma real utilidade no uso do computador na escola ?

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Como relacionar o conhecimento adquirido no computador à sala de aula ?

     Muito se tem escrito sobre a informática na escola, mas há pouco consenso entre os diversos autores e educadores sobre o valor do uso dessa tecnologia em relação aos ganhos que ele pode trazer aos nossos alunos.
     Muitos ainda acreditam que a computação irá criar uma revolução na educação, o que não está acontecendo, como já podemos constatar. As chances de mudar apenas por possuir computadores nas escolas, é quase nula. O que está em foco, e precisa ser entendido é a utilização que vai ser dada à máquina.
     Em um bom número de escolas o aprendizado de português, matemática, ou de qualquer outro componente curricular, que é seu objetivo primordial, fica quase que esquecido  pelo uso de programas, que por serem divertidos, entusiasmam os alunos, enquanto na realidade,  estão apenas aprendendo a manipular o computador.
     O marketing realizado em torno do ensino utilizando computadores tem criado expectativas que muitas vezes desvirtuam o projeto pedagógico da escola, quando esta passa a querer atender a pais que desejam que os filhos sejam profissionalizados em computação, por meio da escola.
     Neste artigo, parto do ponto de vista que a informática quanto adotada nas escolas deve se integrar ao currículo, não como uma disciplina, mas como uma ferramenta, inclusive, multidisciplinar, constituindo-se  em alguma coisa a mais que o professor pode contar para bem realizar o seu trabalho; desenvolvendo  atividades que levem a uma reflexão sobre qual a  melhor forma de empregar seus recursos, analisando as características de cada disciplina;  realizando a imprescindível interação entre as diversas disciplinas e os  recursos da informática.
     Quando utilizada desta maneira na escola, ou seja, a informática a serviço de um projeto educacional, propicia condições aos alunos de trabalharem a partir de temas, projetos ou atividades, surgidos no contexto da sala de aula. Em decorrência  dessas situações os alunos podem contar com a interatividade e a programabilidade possibilitada pelo computador.
     Assim sendo, nossa preocupação fundamental é a com o desenvolvimento de valores, com a concepção que temos das finalidades da educação e da convicção de que necessitamos formar um indivíduo com a inteligência desenvolvida, com cultura, flexível, crítico e criativo. A informática pode fazer parte desse universo, mas não pode ser encarada como  um objetivo por si própria.
     O computador, como o livro ou qualquer outro material didático que usamos, é apenas e tão somente: um meio.
     " Informação não é conhecimento. Você pode produzir dados primários em massa e incríveis quantidades de fatos e números. Mas não pode fazer produção em massa de conhecimento, que é criado por mentes individuais, separando o significativo do irrelevante, realizando julgamentos de valor. Theodore Roszak, autor do livro `O Culto da Informação´".
     Entendemos que qualquer instrumento de ensino, desde o mais simples até o mais altamente elaborado, depende de quem o usa e de como isso é feito. Cabe ao professor a responsabilidade de diversificar a abordagem de seu componente curricular.
     A nossa proposta para o uso do computador encontra-se no contexto das mudanças e evoluções ocorridas na sociedade.
     A escola não pode deixar de incorporar as novas transformações, intervindo para sistematizar a integração de todos os recursos pedagógicos e usando o que de melhor cada um tem para oferecer.

Como transferir o conhecimento adquirido no computador para outras áreas do currículo ?

  Não podemos contar que a transferência ocorra automaticamente; ela precisa ser trabalhada.
 É necessário que o aluno explore cada contexto.
Isto significa desenvolver intuições,hipóteses e verificá-las.
 Para facilitar essa transferência, o professor deve destacar os  princípios comuns entre contextos, comparando-os, mostrando o problema de  diferentes perspectivas .

 Vera Lúcia Camara Zacharias é mestre em Educação, Pedagoga, consultora educacional, assessora diversas instituições, profere palestras e cursos, criou e é diretora do CRE. 


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atualizado/setembro/2007