|
O jogo é uma atividade
fundamental na vida da criança que, através dele, busca agir,
compreender a vida real, adquirir aspectos mentais, conquistar a
autonomia. O jogo favorece a sociabilidade com os pares e a criança,
na proporção em que copia e adota o mundo dos adultos, reproduz os
valores e atitudes da sociedade em que vive.
Educadores de
destaque já enfatizavam o jogo como recurso pedagógico há muito
tempo, considerando-o um instrumento da infância, com o qual as
crianças aprendem de maneira agradável e desafiadora, uma vez que no
jogo nem tudo é espontâneo, havendo situações que comportam
restrições internas que exercitam a criança e as fazem compreender e
se submeter às regras e imposições externas. Ao escolher o papel que
deseja realizar no jogo, o jogador adquire direitos determinados e
também deveres. Por exemplo, se realiza a função de um passageiro,
tem o direito de viajar no trem, mas também tem a obrigação de
comprar a passagem para a viagem e comportar-se com civilidade. O
papel traz implícita a regra e as normas de conduta das personagens.

Para
professores conscientes de que o conhecimento se constrói num
processo, o desafio está em fazer as sínteses entre as teorias nas
quais acreditam, desenvolvendo um trabalho com a certeza de que não
dá para jogar fora aquisições antigas... É preciso a apropriação das
teorias significativas que esclareçam quanto à questão dos processos
de construção do conhecimento para poder recriá-las numa nova
síntese que instrumentalize a prática. Neste sentido, a formação
lúdica favorece ao educador conhecer-se como pessoa, saber de suas
possibilidades e limitações, desbloquear suas resistências e ter uma
visão clara sobre a importância do jogo e do brinquedo tanto para a
vida da criança, quanto para a do jovem e do adulto.
Três grandes objetivos para a educação infantil foram extraídos por
Constance Kamii da teoria de Piaget:
1-
Com relação aos adultos: é importante que as crianças desenvolvam sua autonomia
através de relações seguras nas quais o poder do adulto é
reduzido o máximo possível.
2-
Com relação aos colegas: as crianças precisam desenvolver sua habilidade de
descentrar e coordenar diferentes pontos de vista.
3- Com relação à aprendizagem: é importante que as
crianças sejam alertas, curiosas, críticas e confiantes na sua
própria capacidade de pensar e de dizer honestamente o que
pensam. Devem ter iniciativa, levantar idéias, problemas e
perguntas interessantes, relacionando as coisas umas com as
outras.
Cada educador
precisa construir sua própria maneira de trabalhar e de utilizar o
jogo, uma forma de atividade particularmente poderosa para estimular
a vida social e a atividade construtiva da criança. Se considerarmos
que o jogo é uma ferramenta nas mãos do professor para influir sobre
a criança, é indispensável que o educador aprenda e domine as
técnicas para utilizar esta ferramenta e conheça a sua tecnologia.
Se necessário, modificando o jogo para que ele fique em harmonia com
a maneira como a criança pequena pensa.
Assim, apesar
de darmos um enfoque prático a este trabalho, não pretendemos
apresentar uma lista de receitas, pois procuramos nos embasar no
construtivismo de Piaget, cujas características não permitem,
tampouco, que se elabore um agrupamento de regras que possam ser
utilizadas por todos os professores para ensinar todas as crianças
da mesma maneira. Cada criança é uma criança e cada situação é
única. Os exemplos nos instrumentalizam e enriquecem nossos
conhecimentos, favorecendo uma prática mais significativa. O
construtivismo implica que o professor seja agente de transformações
e tome decisões a partir de suas observações sobre as
características de cada criança, ou seja, considerando a maneira
como cada criança está pensando e sentindo em cada situação,
considerando, certamente, a diversidade na sala de aula.
Da mesma forma
que cada criança tem que reinventar o conhecimento para dele
apropriar-se, cada professor precisará construir sua própria maneira
de trabalhar, procurando alternativas aos métodos didáticos
tradicionais.
Piaget
pesquisou o valor do jogo na construção do conhecimento pela
criança. A partir de seus estudos destaca-se que o professor deve
ser um AGENTE DE TRANSFORMAÇÃO que toma decisões a partir de suas
observações sobre as características de cada criança. Na prática
construtivista, o professor precisa desenvolver um olhar aguçado
para perceber como cada criança está pensando e sentindo em
situações específicas.
Para Piaget,
sem interação social entre colegas, as crianças não podem construir
nem sua lógica nem seus valores sociais e morais, uma vez que a
criança adquire conhecimento agindo e interagindo. As crianças
aprendem bem mais em jogos em grupo do que em muitas lições e folhas
mimeografadas onde predomine o trabalho mecânico, a memorização.
Na maioria das
vezes, esse tipo de lição atende mais aos interesses da família do
que da criança. Esta aprende muito mais quando tem
oportunidade de jogar junto com outras crianças, principalmente se o
jogo seguir uma regra estabelecida em conjunto, que especifique:
1- algum clímax preestabelecido (ou uma série deles) a ser alcançado
e
2-o que cada jogador deve tentar fazer em papéis que são
interdependentes, opostos e cooperativos
No jogo há
atitudes prescritas, sujeitas a regras, geralmente penalidades para
a desobediência das regras, e a ação se procede de forma evolutiva
até culminar num clímax. A possibilidade de competição é sempre
importante nestes jogos. No entanto, a possibilidade de vencer não é
essencial. Em jogos como Coelhinho na Toca e Troca de Cadeiras não
há possibilidade de vencer.
A família
introduz muitas atitudes e hábitos, mas não fornece à criança todas
as experiências, nem satisfaz a todos os aprendizados que lhe são
necessários. Também não convém que a criança esteja sempre rodeada
de pessoas que a protejam; é preciso que conviva com iguais, com
seus pares, junto à figura do professor que a oriente e eduque,
contribuindo para sua formação e o desenvolvimento de todas as suas
capacidades.
Na escola, a
criança deve encontrar relacionamentos afetivos, bem como a
segurança e interação social que lhe permitam obter autonomia para
construir seus aprendizados, de forma natural e de acordo com seu
ritmo. Tentará, também, incorporar hábitos de trabalho regulares
seguindo uma normativa, sem que sejam muito rígidos ou permissivos.
Em termos gerais, os hábitos adequados para essa etapa podem ser:
1- Psicomotores: domínio da mão, coordenação corporal,
autonomia no vestir, calçar...
2- Intelectuais: raciocinar, diferenciar, compreender,
associar...
3- Morais: responsabilidade, perseverança, ajuda,
convivência.
4- Sociais: limpeza, colaboração, relacionamento,
comunicação.
Nessa idade, os
hábitos devem ser desenvolvidos de forma motivadora e em número
limitado. O professor tentará fazer com que sejam bem cumpridos,
reforçando-os positivamente, sem transigir, sem tolerância, sem
condescendência, mas com justiça e firmeza. Caso contrário, a
criança fica confusa quanto atender ou não a orientação do
professor.
CRITÉRIOS PARA
UM BOM JOGO

Para ser útil no processo educacional, um jogo deve:
1-
1-
Propor alguma coisa interessante e desafiadora para as crianças
resolverem.
2-
2-
Permitir que as crianças possam se auto-avaliar quanto a seu
desempenho.
3- Permitir que
todos os jogadores possam participar ativamente, do começo ao fim do
jogo.
Esses critérios podem ser usados como questões que o professor se
coloca durante o processo de escolha e análise de um jogo como parte
do currículo.
O valor do
conteúdo de um jogo deve ser considerado em relação à maneira como a
criança obtém conhecimento e raciocina. Isso poderá ser inferido
pelo professor através da “leitura” do comportamento da criança. Tal
leitura se torna possível à medida que o professor consiga observar
e dialogar com cada criança embasado nos conhecimentos teóricos que
possui. A abordagem prática é geralmente mais eficiente na avaliação
do potencial e do efetivo resultado de um jogo do que uma análise
puramente teórica.
Num 1º momento,
o professor faz uma triagem e descarta aqueles jogos que por si
mesmos não têm um conteúdo significativo e desencadeador de
processos de pensamento na criança.
2º- com relação
a jogos que de modo geral são desafiadores, será preciso
apresentá-los às próprias crianças e observar a relação do
grupo-classe com o jogo para realmente avaliar se é adequado ou não
para elas.
“Um bom jogo
não é aquele que necessariamente a criança pode dominar
corretamente. O importante é que a criança possa jogar de uma
maneira lógica e desafiadora para si mesma e seu grupo”.
A participação
da criança num jogo vai depender de seu nível de desenvolvimento.
Para uma criança pequena, participação ativa geralmente significa
atividade física, porque o pensamento ainda não foi completamente
diferenciado da ação. Com 4 anos, as crianças tendem a se preocupar
somente com o que elas mesmas fazem e para elas o jogo das cadeiras,
por exemplo, acaba quando elas saem. O professor deverá observar a
participação e a reação das crianças durante o jogo. Será que ela
está sendo mobilizada mentalmente? Para critérios educacionais um
jogo que apenas proporcione muita participação, mas tenha um
conteúdo mecânico e sem significação para a criança deve ser
evitado.
A teoria de
Piaget mostra que a competição nos jogos é parte de um
desenvolvimento maior, que vai do egocentrismo a uma habilidade cada
vez maior em descentrar e coordenar pontos de vista. Esse processo
de desenvolvimento pode ser visto não somente nos jogos, mas também
no julgamento moral, na linguagem, na classificação, na conservação,
na construção de uma estrutura espaço-temporal e na causalidade. A
melhor maneira de lidar com a competição nos jogos em grupo é
desenvolver desde o início uma atitude saudável e natural em relação
à vitória ou derrota, ao invés de evitar jogos de competição até que
as crianças se tornem “prontas” para eles, de alguma maneira.
A competição em
jogos de ação complementar, como Em que Mão Está a Moeda, baseia-se
em enganar o outro. Este e outros jogos de ação complementar, como
Coelhinho na Toca e Pega-Pega podem ser entendidos como reflexos do
desenvolvimento de crianças menores, partindo do egocentrismo para
uma crescente descentração e coordenação de pontos de vista. As
crianças menores têm comportamento repetitivo devido a sua
incapacidade de descentrar e coordenar pontos de vista. Jogos
competitivos requerem não apenas a elaboração de regras, mas o seu
cumprimento.
As interações
com crianças são importantes porque o ponto de vista de uma outra
criança é mais similar à visão de uma criança do que o de um adulto.
Também porque uma grande parte da vida social da criança se passa
com seus colegas e não com adultos. Para Piaget, a interação entre
crianças é indispensável para o desenvolvimento intelectual. Ele
afirma que a lógica da criança não poderia se desenvolver sem a
interação social porque é nas situações interpessoais que a criança
se sente obrigada a ser coerente. Enquanto estiver sozinha, poderá
dizer o que quiser pelo prazer do momento. É quando está com os
outros que sente necessidade de ser coerente a todo momento e pensar
no que vai dizer para ser compreendida e para as pessoas acreditarem
no que diz. Uma vez que o pensamento lógico não pode ser ensinado
diretamente, especialmente para as crianças que estão no estágio
pré-operacional, a interação social tem o efeito poderoso de obrigar
a criança a ser lógica.
Uma das
qualidades mais importantes para a construção do conhecimento é a
confiança na própria capacidade de encontrar soluções.
O
construtivismo enfatiza a importância não somente de a criança
descobrir a resposta da sua própria maneira, mas também de levantar
suas próprias perguntas. Começar o trabalho a partir das perguntas
da própria criança assegura ao professor o início do processo de
aprendizagem construtiva a partir do ponto onde a criança está.
Quando as crianças trabalham em seus próprios projetos, elas se
concentram por um período surpreendentemente longo.
Permitir que a
própria criança avalie seu desempenho é muito importante pois quando
a criança tenta obter um determinado resultado, está naturalmente
interessada no sucesso de sua ação. O resultado deve ser claro, a
ponto de permitir que a criança avalie o seu sucesso sem margem de
dúvida. É preciso evitar qualquer situação de ambigüidade para que,
face a um resultado falho, ela possa julgar onde errou e exercitar
sua inteligência na resolução de problemas, construindo relações
entre vários tipos de ação e vários tipos de reação de um objeto. Há
pouco interesse da criança em algo que não é desafiador para ela.
Crianças
alertas e curiosas vão construindo muitos conhecimentos ao pensar
acerca de tudo que as rodeia. A característica mais marcante dos
bebês e das crianças pequenas é sua intensa curiosidade e o fato de
ser alertas. Elas são investigadoras espontâneas que têm curiosidade
insaciável e orgulho de suas realizações. Se as encontramos onde
elas estão e as encorajarmos a pensar da sua própria maneira e a
relacionar as coisas de seu jeito, ao invés de obrigá-las a dar as
respostas “certas”, elas construirão o conhecimento de forma a levar
o desenvolvimento até onde for biologicamente possível. O
conhecimento que tem sentido para aquele que aprende provavelmente
levará a um aprendizado maior.
É importante
que as crianças relacionem as coisas umas com as outras porque é
relacionando-as que elas constroem o conhecimento, que é adquirido
pela criação de relações e não por exposição a fatos e conceitos
isolados. A teoria de Piaget é interacionista, porque, de acordo com
ele, o conhecimento não vem diretamente do ambiente como dizem os
empíricos, mas através da interação entre o objeto do ambiente e o
conhecimento que o sujeito traz para a situação. Por exemplo, uma
mamadeira não é o mesmo objeto para um sujeito de um mês e para
outro de um ano, sete ou vinte e sete anos. Na teoria de Piaget não
existe uma coisa chamada estímulo independentemente de uma rede de
relações através das quais os fatos são assimilados. Não é o
estímulo que automaticamente estimula o sujeito. Na verdade é o
sujeito que age sobre o objeto e o transforma quando o observa. Esta
teoria é também construtivista; o conhecimento que um sujeito obtém
de um objeto depende daquilo que ele já sabe. O que não é tão óbvio
é que esse conhecimento foi adquirido através de um processo
construtivo a partir do interior de cada indivíduo.
Piaget encontrou 4 estágios na maneira como as crianças jogavam
bolinhas de gude:
1-
jogo motor individual; Esse jogo motor individual é tudo que a inteligência da
criança lhe permite fazer, pois na idade de 3 anos ela não é
cognitivamente capaz de sentir a necessidade de seguir uma regra.
2-
jogo egocêntrico (idade de 2 a 5 anos); Imitam os colegas mais velhos mas jogam
sozinhas, sem ter o trabalho de procurar um companheiro, ou jogam
com outras crianças, mas sem tentar ganhar. Egocentrismo se refere à
total inabilidade de ver outro ponto de vista. As crianças de 3, 4
anos estão interessadas apenas no que elas fazem , e não lhes ocorre
comparar sua performance com nenhuma outra. Entre 5 e 6 anos de
idade as crianças começam a se descentrar e a se perceber em relação
aos outros. Só então começam a comparar suas performances e a
coordenar as intenções dos diferentes jogadores. A habilidade de
comparação e de posteriormente tentar vencer o adversário é uma
habilidade cognitiva que implica a descentração. É essa descentração
que as crianças não podem fazer numa idade muito pequena.
3-
cooperação
incipiente (aparece entre 7 e 8 anos de idade); Esse estágio é
caracterizado pelo fato de cada jogador tentar vencer. Quando
ninguém está tentando vencer não há necessidade de regras que tornem
as ações de todos passíveis de comparação. Mas quando surge a
competição, as crianças têm que cooperar para chegar a um acordo
sobre as regras. A essência da cooperação está na elaboração de
regras que governam a competição. Cooperação, neste caso, não quer
dizer consentir, mas “operar” junto, na negociação de regras que são
aceitáveis para todos os envolvidos.
4-
codificação de regras (aparece entre 11 e 12 anos). Somente
neste 4º estágio as crianças cooperam numa tentativa de unificar as
regras. Elas até têm um prazer especial em imaginar todas as
situações possíveis e elaborar regras complicadas que se aplicam a
todas as situações que podem surgir.
Os jogos em
grupo têm função especial para crianças pequenas, pois são uma nova
forma de atividade, que não era possível antes. A habilidade
crescente de jogar jogos em grupo é uma conquista cognitiva e social
muito importante das crianças de 5 anos que deveria ser estimulada
antes dos 5 anos e aprofundada depois dessa idade.
Estimular a
habilidade da criança em se envolver em jogos em grupo não é
sinônimo de treiná-la a executar, num estágio superior, tarefas
piagetianas. O objetivo do uso de jogos em grupo é estimular o
desenvolvimento da autonomia, e não ensinar a criança a jogá-los.
Pode parecer contraditório dizer que os jogos não são possíveis
antes dos 7 ou 8 anos e afirmar que eles são bons para crianças com
menos idade do que essa. Mas as crianças se tornam mais capazes de
se descentrar e de coordenar pontos de vista quando estão envolvidas
em situações que requerem coordenação. As crianças de 2 anos não
podem aprender a coordenar pontos de vista jogando em grupo, mas as
de 4 e 5 anos podem, se começarem a jogar no seu nível. Não é
evitando os jogos ou esperando “ficarem prontas” que as crianças de
5 anos se tornaram melhores jogadoras.
Como as
crianças pequenas geralmente querem jogar em grupo, os jogos
constituem uma situação natural em que são motivadas a cooperar para
estabelecer as regras e segui-las.
Se
o professor propõe regras ao invés de impô-las, as crianças têm
possibilidade de elaborá-las. A criação de regras é uma atividade
política que implica várias decisões. Se algumas crianças querem
brincar de Dança das Cadeiras com cadeiras suficientes para todas
elas e outras querem fazê-lo com uma cadeira a menos, uma decisão
precisa ser tomada antes de o jogo começar. As crianças se
desenvolvem social e politicamente ao se ocupar com legislação. A
regra de ouro”Não faça para os outros o que não quer que façam para
você mesmo” leva muitos anos para ser construída. A prática em
legislação proporciona oportunidades para as crianças se
desenvolverem moralmente, por terem que lidar com questões morais.
Elas têm que sentir e ver por si mesmas as conseqüências das regras
que elaboram. Os jogos em grupo proporcionam muitas oportunidades
para a elaboração de regras, observação de seus efeitos,
modificações e comparações com diferentes procedimentos, sendo a
cognição imprescindível nas comparações.
A
responsabilidade de cumprir regras e zelar pelo seu cumprimento
encoraja o desenvolvimento da iniciativa, da mente alerta e da
confiança em dizer honestamente o que pensa. Por terem que inventar
soluções como sanções, as crianças se tornam mais criativas.
Jogos de
perseguição: São jogos de papéis complementares nos quais uma
criança corre para pegar a outra, que foge para não ser pega. Se
alguma das crianças não entender sua função no jogo, este se
interrompe ou nem tem condição de começar. Não tem graça para o
perseguidor apanhar alguém que não foge e vice-versa.
Com 4 anos as
crianças começam a entender estes jogos, à medida que vão tendo
condições de coordenar intenções opostas. Estes jogos podem ser
agrupados de acordo com o tipo de ação.
No 1º tipo, o
líder tenta pegar qualquer outra criança, que por sua vez foge. Na
2ª, que inclui Pato, Pato, Ganso, o líder escolhe quem irá
persegui-lo, enquanro os outros sentam e esperam até serem
escolhidos. No 3º, que pode ser exemplificado como Gato e Rato, o
perseguidor tenta apanhar uma pessoa específica, enquanto os outros
tentam impedi-lo.
Quando as
crianças são capazes de jogar jogos de perseguição, estes estimulam
o processo de descentração do pensamento que elas estão começando a
elaborar. As estratégias que as crianças desenvolvem para fugir de
um perseguidor ou para perseguir exigem que elas percebam o ponto de
vista do seu oponente para fazer aquilo que ele não espera,
pegando-o de surpresa. Elas também precisam distinguir quem é o
perseguidor e quem está sendo perseguido, o que às vezes muda
rapidamente no decorrer de um jogo. Muitas vezes, como em Pega-Pega,
as crianças exercitam o raciocínio espacial tentando descobrir o
caminho mais curto ou invertendo a direção para pegar alguém de
surpresa (por exemplo:se uma criança corre em torno de uma árvore
para despistar).
Os jogos de 2ª
categoria são mais de atenção e estimulam um aspecto que as crianças
gostam, que é brincar com as palavras e com seu corpo em movimento,
assim como desempenhar o papel daquele que age enquanto os outros
esperam. Além disso, este jogo e o Lenço Atrás proporcionam à
criança um trabalho de descentração através da busca de uma
estratégia que maximize a distância entre ela e a pessoa que irá
pegá-la. Uma maneira de aumentar a distância é fazer com que o
oponente leve um longo tempo para começar a correr. Tentando não dar
nenhuma pista daquele que ele perseguirá, o perseguidor pode apanhar
sua presa despreparada.
A autonomia não
tem somente aspectos políticos, intelectuais e morais, mas também
emocional. Sem um forte sentido de si mesmo (autoconceito positivo e
auto-estima) não pode haver autonomia moral, intelectual e política,
e vice-versa. Quando a criança apenas obedece a regras feitas por
outra pessoa, permanece indiferenciada em relação àquela pessoa. Sua
vontade é apenas uma extensão da vontade daquela pessoa. Nas
divergências em relação a regras, se o professor intervém de modo a
encorajar o desenvolvimento da autonomia, contribui para que a
criança desenvolva um autoconceito e uma auto-estima positivos.
Jogos de
Sorte: Em jogos como corridas ou Dama, a vitória dependerá
inteiramente de destreza, condicionamento físico ou habilidade de
pensar. Em outras, como cartas com figuras, ganhar depende quase
exclusivamente da sorte. Através de jogos de sorte as crianças podem
aprender algo sobre probabilidade num nível elementar, pois a
probabilidade é um refinamento e uma quantificação mais precisa da
relação parte-todo que vemos na estrutura hierárquica de
classificação.
|