|
Já existem milhares de escolas
conectadas de alguma maneira com a Internet; e o número de novas conexões
vem crescendo geometricamente. Não há ainda acordo quanto à terminologia
para os tipos de atividades instrucionais que estão sendo criadas neste
caso. Assim, a área poderá ser beneficiada se dispuser de algumas
categorias para descrever as novas formas de ambientes de aprendizagem que
estão se abrindo para nós. A proposta desta comunicação é a de dar um nome
à técnica de ensino baseada na Internet que nós desenvolvemos na San Diego
State University – SDSU, e de propor um conjunto de atributos desejáveis
para tais atividades.
Definições
WebQuest é uma investigação orientada na qual
algumas ou todas as informações com as quais os aprendizes interagem são
originadas de recursos da Internet, opcionalmente suplementadas com
videoconferências. Há, pelo menos, dois níveis de WebQuest que precisam
ser distinguidos um do outro.
WebQuest Curtas
O objetivo instrucional de uma WebQuest curta é a
aquisição e integração do conhecimento, conforme a Dimensão 2 do modelo
das Dimensões do Pensar de Marzano (1992). No final de uma WebQuest curta,
o aprendiz terá entrado em relação com um número significativo de
informações, dando sentido a elas. Uma WebQuest curta é planejada para ser
executada em uma ou três aulas.
WebQuest Longas
O objetivo instrucional de uma WebQuest longa é o que
Marzano chama de Dimensão 3, compreendendo a ampliação e o refinamento do
conhecimento. Depois de completar uma WebQuest longa, o aprendiz terá
analisado profundamente um corpo de conhecimento, transformando-o de
alguma maneira, e demonstrando uma intelecção do material com a criação de
algo que outros possam utilizar, no próprio sistema (Internet) ou fora
dele. Uma WebQuest longa padrão dura de uma semana a um mês de trabalho
escolar.
Atributos Críticos
WebQuests de curta ou longa duração são planejadas
deliberadamente para fazer o melhor uso possível do tempo do aprendiz. É
questionável o benefício da surfagem pela rede sem uma tarefa clara na
cabeça; e muitas escolas devem racionar bastante o tempo de conexão dos
alunos. Para alcançar esta proposta de eficiência e clareza, as WebQuests
devem conter pelo menos as seguintes partes:
1. Uma introdução que prepare
o "palco" e forneça algumas informações de fundo.
2. Uma tarefa factível e interessante.
3. Um conjunto de fontes de informações necessárias à execução da tarefa.
Muitos (não necessariamente todos) dos recursos estão embutidos no próprio
documento da WebQuest como âncoras que indicam fontes de informação na
World Wide Web (a rede mundial de informação conhecida como WWW ou Web) As
fontes de informação podem incluir documentos da WWW, especialistas
disponíveis via e-mail ou conferências em tempo real, base de dados
pesquisáveis na rede, e livros e documentos acessíveis no ambiente de
aprendizagem ou trabalho dos participantes. Uma vez que a proposta inclui
ponteiros para os recursos, o aprendiz não corre o risco de ficar surfando
completamente adernado pelo "Webspace".
4. Uma descrição do processo que os aprendizes devem utilizar para efetuar
a tarefa. O processo deve estar dividido em passos claramente descritos.
5. Alguma orientação sobre como organizar a informação adquirida. Isto
pode aparecer sob a forma de questões orientadoras ou como direções para
completar quadros organizacionais no prazo, como mapas conceituais ou como
diagramas de causa – e – efeito descritos por Marzano (1988, 1992) e
Clarke (1990).
6. Uma conclusão que encerre a investigação, mostre aos alunos o que eles
aprenderam e, talvez, os encoraje a levar a experiência para outros
domínios.
Alguns outros atributos, não tão fundamentais
como os seis anteriores, são:
1. As WebQuests são sobretudo
atividades de grupos, embora possam ser imaginadas investigações
individuais aplicáveis à educação a distância e ao ambiente de
bibliotecas.
2. As WebQuests podem ser aperfeiçoadas com elementos motivacionais que
envolvam a estrutura básica de investigação, dando aos aprendizes um papel
a ser desempenhado (cientista, detetive e repórter, por exemplo), criando
uma personalidade fictícia com a qual os participantes deverão interagir
via e-mail, e apresentado um cenário dentro do qual os participantes irão
trabalhar (o grupo, por exemplo, pode ter recebido uma solicitação do
Secretário Geral da ONU sobre o que está acontecendo esta semana na região
do Sub-Saara Africano).
3. As WebQuests podem ser planejadas para uma disciplina ou podem abranger
uma abordagem multidisciplinar. Uma vez que as abordagens
multidisciplinares são um desafio maior que o trabalho numa única área,
talvez convenha começar por esta última alternativa até reunir mais
experiência para trabalhos compreensivos.
Pelo menos dois aspectos são relevantes em investigações mais longas: que
processos de pensamento são requeridos para criá-las, e que forma elas
assumem uma vez criadas.
Uma investigação WebQuest
longa requer, entre outras, as seguintes habilidades de pensamento (cf.
Marzano, 1992):
1. Comparar –
Identificar e articular similaridades entre as coisas.
2. Classificar – Agrupar coisas em categorias definíveis com base
em seus atributos.
3. Induzir – Inferir generalizações ou princípios desconhecidos
desde observações ou análises.
4. Deduzir – Inferir conseqüências e condições não explicitadas
desde dados princípios ou generalizações.
5. Construir Apoio – Construir um sistema de apoio ou de prova para
uma afirmação.
6. Abstrair – Identificar e articular o tema ou padrão subjacente
da informação.
7. Analisar Perspectivas – Identificar e articular perspectivas
pessoais sobre um assunto.
As formas que uma investigação WebQuest longa pode assumir estão abertas à
imaginação, uma vez que temos poucos exemplos concretos pra citar. Eis
aqui algumas idéias:
1. Uma base de dados
pesquisável dentro da qual as categorias em cada campo foram criadas pelos
aprendizes.
2. Um micromundo, representando um espaço físico, que possa ser navegado
pelos usuários.
3. Um estória interativa ou um "case study" criados pelos aprendizes.
4. Um documento que descreve uma análise de uma situação controversa,
assumindo uma posição e convidando os usuários a concordar ou discordar
dela.
5. Uma personagem que pode ser entrevistada "on line". As perguntas e
respostas deverão ser geradas por aprendizes que estudaram profundamente a
personagem.
Colocar os resultados dos processos de pensamento dos aprendizes na
própria Internet é providência que alcança três finalidades: faz com que
os aprendizes estejam focados numa tarefa "hi-tech"; dá aos aprendizes uma
audiência para a qual algo deve ser criado; abre a possibilidade de
obtenção de "feedback" de uma audiência distante por meio de e-mail
inserido no documento WWW.
Um exemplo de uma investigação
WebQuest curta é WebQuest1, um exercício que meus alunos – professores
experimentaram esta primavera. O objetivo é dar-lhes um sentido de como "Archaeotype",
uma simulação computadorizada de uma escavação arqueológica, foi concebida
e implementada em duas escolas muito diferentes. O exercício durou cerca
de duas horas e envolveu os alunos num trabalho de grupo para responder
uma série de questões. Os meus alunos receberam um conjunto de recursos
para ler e para interagir com as informações. Esses recursos incluíam
relatórios do projeto e artigos teóricos na Web, cópias de uma parte da
documentação sobre "Archaeotype", e instruções para se dirigirem a outra
sala e interagir com um professor da escola Juarez-Lincoln via
videoconferência ou com um dos membros da escola Dalton, em Nova Iorque,
via interfone. Os alunos se dividiram em grupos para experimentar cada uma
destas fontes de dados e, depois disto, passaram um certo tempo
compartilhando o que haviam aprendido. O resultado final foi o de que cada
pessoa na classe pode explicar o que era o "Archaeotype" e que problemas e
ganhos havia na sua implementação.
Um outro exemplo de uma
WebQuest curta é WebQuest2 na qual os professores – estudantes examinaram
certo números de páginas Web elaborados por escolas. O alvo do exercício
era o de expor os alunos a uma variedade de caminhos pelos quais uma
escola poderia se apresentar na WWW, preparando-os para criar as páginas
Web da escola O' Farrel. No final do exercício eles foram capazes de
articular princípios gerais quanto a bons e maus ambientes escolares na
Web.
Passos de Planejamento
Aprender a planejar WebQuests
é um processo que deve ir do simples e familiar para o mais complexo e
novo. Isto significa começar por uma única disciplina com uma WebQuest
curta e ir depois para atividades mais longas e interdisciplinares. Eis
aqui os passos recomendados:
1. O primeiro passo para um
docente aprender a ser um planejador de WebQuest é o de familiarizar-se
com os recursos disponíveis "on line" na sua própria disciplina. No final
desta comunicação, preparamos um catálogo para professores chamado Catalog
of Catalogs of Web Sites for Teachers (veja mais à frente). Isto oferece
uma pequena lista como ponto de partida para exploração, dividida em
disciplinas ou matérias.
2. O próximo passo é organizar o próprio conhecimento do que há lá foram
(lá na Internet). Empregar algumas horas na Non-WebQuest3 irá ajudar o
docente a organizar os recursos de sua disciplina em categorias como bases
de dados pesquisáveis, materiais de referência, idéias de projetos, etc.
3. A seguir, os docentes devem identificar o tópicos que cabem em seu
currículo e para os quais há materiais apropriados "online".
4. Use um gabarito (template) para organizar as atividades de investigação
do aprendiz no âmbito de uma única disciplina. Um gabarito – template –
deste tipo está disponível em EdWeb. Ele inclui seções separadas para
desenvolver os seguintes pontos: explicar a tarefa aos aprendizes, listar
os recursos necessários, descrever o processo que os aprendizes devem
percorrer, proporcionar orientações de aprendizagem, e apresentar uma
conclusão.
5. Uma vez que os educadores se sintam confortáveis em planejar WebQuests
no âmbito de sua matéria, estarão prontos para enfrentar prazos maiores e
abordagens interdisciplinares com o mesmo formato.
As WebQuests tem a virtude da
simplicidade. Podem ser desenvolvidas para alunos da escola elementar à
pós-graduação. A medida em que mais e mais recursos aparecem na World Wide
Web, será ainda mais fácil planejar atividades que engajam os aprendizes
em investigações ativas e com bom uso do tempo disponível.
Observação:
EdWeb é o servidor da Faculdade de Educação da San
Diego State University. Ele pode ser encontrado na World Wide Web em
edweb.sdsu.edu. Este artigo, assim como um número de
documentos a ele vinculados (linked), também está disponível em EdWeb "online".
Os documentos vinculados (linked) aparecem no artigo como textos
sublinhados e em negrito (ex: Non-WebQuest3). Os códigos de acesso (URLs)
a esses documentos estão listados a seguir:
About WebQuests:
WebQuest1:
edweb.sdsu.edu/edweb-folder/Courses/EDTEC596/WebQuest1.html
WebQuest2:
edweb.sdsu.edu/edweb_folder/Courses/EDTEC596/WebQuest2.html
Template:
edweb.sdsu.edu/edweb_folder/.../WebQuest_Template1.html
Referências
CLARKE, J. H. (1990). Patterns of thinking:
Integrating learning skills in content teaching. Needham Heights MA:
Allyn and Bacon.
MARZANO, R. J., Brandt, R.S., Hughes, C.S., Jones, B.
F., Presseisen, B, Z.,Rankin, S. C., & Suhor, C. (1988). Dimensions of
thinking: A framework for curriculum and instruction. Alexandria VA:
Association for Supervision and Curriculum Development.
MARZANO, R. J. (1992). A different kind of classroom:
Teaching with dimension with dimensions of learning. Alexandria VA:
Association for Supervision and Curriculum Development.
Bernie Dodge (bdodge@mail.sdsu.edu)
ensina na San Diego State University desde 1980. Ele criou em 1982 uma das
primeiras BBS's dedicadas aos professores e que se tornou mais tarde parte
da rede FrEdMail. O Professor Dodge desenvolveu diversos softwares que
estão no mercado, incluindo PLANalyst, uma ferramenta para a criação de
lições. Seu projeto mais recente é Irrawady, um ambiente de escrita que
capacita crianças (e estudantes de pós-graduação) a criar estórias
interativas e simulações na World Wide Web. Bernie recebe com muito prazer
comentários e contribuições sobre WebQuests.
O texto original deste artigo "WebQuests: A Technique for Internet – Based
Learning" foi publicado em The Distance Educator, V.1, nº 2, 1995.
Tradução de
Jarbas Novelino Barato
Fonte:
http://www.webquest.futuro.usp.br/ - Visite e saiba muito mais!
|